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Computadores devem ter seus próprios websites? Stephen Wolfram acha que sim

Idealizador do Wolfram e Mathematica Alpha sugere a criação de um novo TLD para unificar dados da internet

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Não há uma melhor maneira de iniciar esse artigo senão cotar o próprio Stephen Wolfram logo de cara:

"Websites desenvolvidos para serem lidos por outros websites em vez de humanos podem facilitar a utilização e o compartilhamento de dados."

Stephen Wolfram (para quem ainda não o conhece) é o criador do projeto Wolfram Alpha, um sistema de conhecimento computacional incrivelmente amplo e que ao meu ver é um primo quase perfeito do Google, porém sem os dentes de 'show business' e as unhas dos negócios.

Aniversariante procurando encrenca na internet | Arte: [email protected]

Em um artigo recente (do dia 10), Stephen defende com argumentos convincentes que o o domínio .data deveria encabeçar a lista das outras extensões da internet - .com, .org, .net - como TLD (top-level domain).

Desta maneira, Wolfram sugere que através do .data as organizações poderiam compartilhar dados em um formato padrão, máquina-para-máquina, colaborando para que uma internet constituída apenas de dados corra em paralelo com a internet que nós conhecemos hoje.

Explicamos: dentro da sua visão, um website como o próprio wolfram.com seria acompanhado de um clone chamado wolfram.data.

Se um internauta humano acessasse o domínio wolfram.data ele seria capaz de ver apenas uma lista dos bancos de dados que estiverem publicamente disponíveis. Enquanto que se fosse um outro computador a acessar este endereço, ele poderia interagir diretamente com os dados, em formato puro e padronizado.

Mas antes que os devotos de Nossa Senhora da Descrença se manifestem, Sim, é claro que o mesmo processo pode ser alcançado por meio de APIs, combinando livremente o modo como ambos os lados (usuários e dados) interagem na rede. Mas o ponto em questão não é esse.

Hoje essa combinação não é possível de uma maneira uniforme por uma razão bastante simples: cada fabricante desenvolve seus APIs de um modo diferente, com diferentes protocolos e chamadas. Aí é que estaria o pulo do gato sugerido por Wolfram.

Stephen Wolfram

Sua proposta unificaria e centralizaria os dados através de um formato único, em uma localização previamente especificada e dentro de um padrão comum à qualquer acesso, além do fato de que cada domínio .data correria 100% ao lado em conteúdo com quaisquer outros respectivos domínios. Isso pode ser bastante interessante.

Um exemplo de como funcionaria isso. Criemos então um cenário absurdo de confluência de dados em uma busca, digamos, "difícil".

Se quiséssemos cruzar dados e saber sobre a mortalidade infantil em dois continentes específicos, quais são os últimos indicadores de violência contra a mulher na África, o preço das vendas de iPhone versus Android na Malásia e a popularidade percentual de audiência do Big Brother numa sexta-feira 13 (hoje), o que precisaríamos fazer?

Provavelmente, o amaldiçoado a quem seria atribuído essa tarefa, teria que acessar bancos de dados da ONU, de ONGs e organismos, de empresas como o Gartner e o IBOPE, cruzar uma miríade de tabelas em diferentes formatos e quando acabasse de compilar todos os dados, estaríamos no Big Brother 114 e o BamBam já teria virado Kaboom.

Se todas estas fontes de conteúdo, com seus diferentes formatos para o internauta humano, tivessem um domínio paralelo .data que os espelhasse dentro de um padrão único, tudo seria feito bem antes mesmo que um ex-brother mudasse de sexo. Bastaria que todos os .data fossem visitados, seus dados fossem coletados e cruzados. Voilá.

Mas, como nem tudo são flores, ainda resta saber como este novo TLD se encaixaria na trama de domínios atualmente existentes. Seria o caso de se espelhar automaticamente cada website da rede com um .data de maneira compulsória (bastante trabalho) ou cada website adotaria aos poucos a formatação de seu conteúdo dentro do formato dado-padrão?

A primeira questão requer obviamente uma mudança na infra-estrutura que compõe os domínios atuais, implicando uma série de alterações na distribuição, registros, segurança, etc etc e etc. A segunda levaria tempo e pode representar uma cisão na rede, separando quem quer de quem não se interessaria, por qualquer motivo, adotar um .data em seu website.

Como ficariam os blogs e redes sociais? A indexação em motores de busca?

Enfim…

A conversa de uma "internet-dados" é válida, mas por enquanto, bem longa.

A propósito, feliz aniversário Jason.

Comentários

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compania criaçao de websites
gostei muito do seu site e a noticia sobre website estao de parabens pelo seu site eu usei de espiração para o meu olhem como esta ficando http://www.companiaweb.com/
heleomar

Bom dia,

Caso alguém tenha alguma dificuldade na criação de um Blog, site ou loja virtual, posso estar auxiliando.

Impacto Marketing Digital
www.impactomarketingdigital...
[email protected]

@vitorrubio
Na verdade a tecnologia que temos hoje não está distante disso. Veja bem, linguagens de marcação como XML foram criados/concebidos para isso. E protocolos/serviços como SOAP e webservices foram um avanço no sentido de tornar isso possível. RSS também é um exemplo. O problema é o custo e esforço de se colocar um conteúdo sempre disponível em dois formatos.
San Picciarelli
Hahahaha, boa Breno. Será que queremos acessar as notas primárias do Mobila? Provavelmente este DB não estaria público... (divago). Em tese, o tecnoblog.data seria APENAS um endereço contendo informações visualmente nada atraentes para alguém que não soubesse manipular os dados nele contidos. Em nosso caso, teríamos um tecnoblog.data que condensa tudo o que há no site, onde certos dados/tabelas seriam públicos, outros "senhados" e outros totalmente privados. A proposta de Wolfram é que não se precise necessariamente acessa-lo como internauta comum, mas sim apenas quando daqueles casos em que precisamos cruzar estatísticas ou acessar uma base de dados para algum fim qualquer. Nesse último caso, nosso computador/website é que faria a "conversa" com o .data, na melhor linguagem/formato de dados que se puder padronizar aí. Nesse caso, se tivéssemos ambos os domínios (tecnoblog.com e tecnoblog.net) e outros também, o .data correria ao lado de todos eles, "agrupando" seus diferentes dados. Agora, se temos o tecnoblog.net e um site de outro país tem o tecnoblog.com, não encontrei nenhuma referência do texto do Wolfram que explique como isso se resolveria. Por essa razão, fiz algumas perguntas e aventei a necessidades de se alterar a política de registro de domínios e sua distribuição. Eu imaginaria como uma solução algo como o próprio DNS. Cada um com seu .data. O que aliás acho que seja o mais provável inclusive. O tecnoblog.net teu o seu, assim como o .net, .org, e assim por diante, cada um condensando e formatando os seus respectivos DBs, públicos e não-compartilhados. Penso que seja/pode ser algo assim. Cheers.
Rennan Alves
Seria isso a web semântica se concretizando?
@brunogdb
Aí começa a surgir a Skynet e os humanos serão aniquilados e escravizados e... OH WAIT!
Alan Cordeiro
Seria mais prático usar sub-domínios data.wolfram.com
Smess
Vish pulei a noticia. aeheahaehaeh
Breno Caldeira
Que foda! :D Apoio isso daí, abaixo às APIs, a cada dia um novo sistema e uma nova API a se estudar =S cérebro tem memória limitada e tempo é caro (prefiro gastar jogando Dora #not)=X Enfim, fiquei numa dúvida, incluir o .data ou inserir o .data no final das outras extensões? Porque aí teriamos um problema: tecnoblog.net tecnoblog.com tecnoblog.data responde a qual site? Agora já o tecnoblog.net.data eu teria certeza que eu iria acessar as notas da escola primária do Mobilon :D
@leozacche
Já tem algum RASCUNHO desse formato padronizado para troca de dados? Ou ainda tá no "seria bom se tivesse" ?
Smess
Só devo meus agradecimentos ao Cabo Telecom pro não ter que usar mais a Oi Velox. http://youtu.be/JRO44vDLSSA
Higgor Leimig
Só um pouco! auhauha..
EDI LOPES
Eh em tese isso parece otimo mas tem que ver na pratica, ele poderia algo concreto ja funfando neh assim seria em mais convicente
Murdock
Computadores conversando entre si em uma rede separada através de páginas e códigos que só eles entendem. Logo começam a gerar essas páginas por conta própria, descobrem que isso é divertido, acham o mundo da rede deles mais interessante e divertido que o nosso. Criam um universo paralelo estilo Tron. Acham que nós não merecemos o mundo aqui fora. Ok, esquece, viajei.
Gaba
Eu não entendo muito de tudo isso mais enfim... isso me pareceu uma grande vantagem para pirataria... como um P2P milhões de vezes maior....