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Ainda vou me obrigar a comprar o PS Vita

Izzy Nobre lista três motivos para comprar o portátil da Sony.

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8 anos atrás

Se você conhece minha coluna aqui no Tecnoblog, você deve saber que sou um pouco cético em relação à longevidade desta recém-chegada nova geração de portáteis. Já escrevi alguns textos explicando por que não acredito (ou, ao menos, não acreditava) que veremos um sucessor do 3DS ou do PS Vita.

De lá pra cá, duas coisas aconteceram.

O Nintendo 3DS, com a ajuda de um corte de preço dramático e de lançamentos carros-chefe da Nintendo, deu a famigerada “volta por cima” e convenceu os gamers. De acordo com o VGChartz, um site especializado em contabilizar números de vendas de videogames, o  3DS já vendeu  ao todo 15 milhões de unidades no mundo inteiro.

Eu poderia ser teimoso e argumentar que minhas profecias do triste fim do 3DS foram feitas antes do anúncio da inesperada redução do preço do console, mas dou o braço a torcer: aparentemente, subvalorizei o poder do Nintendo. A gigante japonesa não está pronta a abrir mão do seu histórico domínio sobre o mercado portátil.

Ainda tenho dúvidas em relação ao impacto a longo prazo de um corte tão drástico no preço do console, mas o fato inegável é que sim, mesmo na era dos smartphones e dos joguinhos de 99 centavos de dólar, o público ainda está disposto a pagar um pouco mais por uma máquina dedicada se ela vem com a promessa de títulos como Mario e Zelda.

Nintendo 3DS

O outro lado da moeda é o PS Vita. No caso do novo portátil da Sony, sim, minhas predições parecem se confirmar.

No Japão, um mercado onde o PSP foi historicamente muito bem sucedido (os EUA inteiro só compraram dois milhões de PSPs a mais que o Japão; 17 milhões contra 15 milhões são os dados mais recentes que encontrei), o Vita falhou em conquistar a atenção dos gamers. Entre o lançamento e a segunda semana de vida do console, suas vendas caíram assustadores 78%.

Ironicamente, eu encontro-me mais tentado a comprar um PS Vita em fevereiro, quando ele será lançado na América do Norte, do que um 3DS. E há três motivos distintos.

Eu sinto falta da experiência de comprar um console novo

Faz mais de três anos desde a última vez que comprei um console novo (videogames antigos comprados para propósitos de coleção não contam). Eu sinto falta de analisar cada ponto dos consoles disponíveis, de estudar cuidadosamente as bibliotecas de games a venda para plataformas rivais antes de decidir adotar um novo videogame.

Nos momentos de plena empolgação com a recente compra de um aparelho novo, até ler as páginas menos lidas do manual eu leio. Aquela lua de mel do videogame novo me impulsiona a saborear cada grama da experiência, até mesmo ler manuais desinteressantes.

Eu sinto muita falta disso. Ainda estamos um bocado distantes dos futuros sucessores do Xbox 360 e do PS3; temo que o hype do novo PS Vita (por mais desinteressante que ele pareça no momento, ou pelo menos é o que os japoneses parecem nos dizer) me fará perder a paciência de esperar por outros novos consoles.

Por que não o 3DS então, dado que uma das motivações por trás da minha presente cobiça pelo PS Vita é simplesmente a vontade de abrir uma caixa e tirar de dentro um brinquedo novo? Além disso, minha predileção pelas franquias icônicas da Nintendo deveriam fazer do 3DS uma escolha óbvia.

O problema é simples: averiguei com tristeza que os alertas em relação ao efeito 3D do console me afetam agressivamente. Joguei mais ou menos 10 minutos de Mario Kart 7 numa Toys R Us e saí da loja tonto e enjoado. Por outro lado, a opção de desligar o efeito 3D me enche de revolta. Me recuso a comprar um aparelho e em seguida ser obrigado a desligar a função que dá o nome a ele. Imagina um iPod touch que você precisasse desligar a tela sensível ao toque pra usar.

Então, incapaz de apreciar o 3DS em sua plena glória tridimensional e estando a next gen ainda num futuro indefinido, talvez eu acabe sendo seduzido pelo PS Vita mesmo.

Eu fui muito fã do PSP

Pelos motivos “errados”, admito, o PSP vive até hoje em meu coração como uma máquina miraculosa. Através de métodos que a Sony decididamente não aprova, um PSP é uma potente máquina de emulação de plataformas do passado. Este foi o motivo pelo qual comprei não um, mais dois PSPs. Meu primeiro Playstation Portable teve uma morte prematura quando desmontei-o para limpar uma sujeira que se escondia embaixo da carcaça da tela e acabei, com toda a minha falta de destreza que me é característica, destruindo o LCD.

Devo admitir que essa polivalência consolística definitivamente feriu o potential do PSP. Enquanto ninguém está realmente sendo lesado quando alguém joga River Raid (um jogo clássico de Atari 2600 que parou de ser comercializado há mais ou menos 20 anos) num PSP hackeado, os mesmos métodos que permitem reviver a nostalgia gamer dão a gamers menos escrupulosos carta branca pra rodar essencialmente qualquer jogo do catálogo disponível do console, ferindo a venda de software e assustando desenvolvedores da plataforma.

De qualquer forma, tenho tantas boas lembranças do meu PSP que sinto vontade de participar da evolução do console. E, dessa vez, participando ativamente da cena do videogame, e não utilizando-o como um super-emulador.

Um console portátil com gráficos de console de mesa é um sonho antigo

Desde o primeiro (e icônico) Game Boy tijolão, existe um paradigma imutável em relação aos consoles portáteis: eles sempre estarão, obrigatoriamente, vários patamares abaixo dos seus irmãos de mesa.

O Game Boy era essencialmente um sub-NES monocromático. O Game Boy Color (equivalente ao Nintendinho) veio quando já conhecíamos os gráficos 3D do Nintendo 64. O Game Boy Advance colocou um SNES no seu bolso no mesmo ano em que conhecemos o Game Cube.

Até mesmo o 3DS tem um jeitão de console portátil.


Em mãos: PlayStation Vita, direto da E3

Não é o caso com o PS Vita. Os gráficos são tão bonitos (muito similares aos de um PS3, aliás) que praticamente justificam a etiqueta de preço. E eles me fazem pensar que aquela hipótese antiga de infância (“já pensou quando um dia os videogames portáteis tiverem gráficos iguais aos de mesa?”), que um dia parecia tão impossível não é mais apenas uma hipótese. É uma realidade, e está a poucas semanas de distância da minha mão caso eu realmente não resista ao apelo de um console novinho, selado na caixa, com um manual desinteressante que eu acabo sempre lendo só pra me submergir mais ainda na experiência do novo console.

O problema mesmo (além da falta de títulos e desse desinteresse japonês no console, que deixa com uma pulga atrás da orelha) ainda é o preço. A versão mais barata do PS Vita custará US$250 dólares, o que não é exatamente troco do pão.

Aliás, o PS Vita custará literalmente o mesmo que um PS3. Se bem que, considerando o poder do portátil, não há como achar um preço injusto.

Será que acabarei suumbindo ao comercialismo descontrolado e contradizendo a mim mesmo em relação à falta de apelo de um console portátil numa era de híbridos entre celulares e videogames de bolso?

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