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Ainda vou me obrigar a comprar o PS Vita

Izzy Nobre lista três motivos para comprar o portátil da Sony.

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Se você conhece minha coluna aqui no Tecnoblog, você deve saber que sou um pouco cético em relação à longevidade desta recém-chegada nova geração de portáteis. Já escrevi alguns textos explicando por que não acredito (ou, ao menos, não acreditava) que veremos um sucessor do 3DS ou do PS Vita.

De lá pra cá, duas coisas aconteceram.

O Nintendo 3DS, com a ajuda de um corte de preço dramático e de lançamentos carros-chefe da Nintendo, deu a famigerada "volta por cima" e convenceu os gamers. De acordo com o VGChartz, um site especializado em contabilizar números de vendas de videogames, o  3DS já vendeu  ao todo 15 milhões de unidades no mundo inteiro.

Eu poderia ser teimoso e argumentar que minhas profecias do triste fim do 3DS foram feitas antes do anúncio da inesperada redução do preço do console, mas dou o braço a torcer: aparentemente, subvalorizei o poder do Nintendo. A gigante japonesa não está pronta a abrir mão do seu histórico domínio sobre o mercado portátil.

Ainda tenho dúvidas em relação ao impacto a longo prazo de um corte tão drástico no preço do console, mas o fato inegável é que sim, mesmo na era dos smartphones e dos joguinhos de 99 centavos de dólar, o público ainda está disposto a pagar um pouco mais por uma máquina dedicada se ela vem com a promessa de títulos como Mario e Zelda.

Nintendo 3DS

O outro lado da moeda é o PS Vita. No caso do novo portátil da Sony, sim, minhas predições parecem se confirmar.

No Japão, um mercado onde o PSP foi historicamente muito bem sucedido (os EUA inteiro só compraram dois milhões de PSPs a mais que o Japão; 17 milhões contra 15 milhões são os dados mais recentes que encontrei), o Vita falhou em conquistar a atenção dos gamers. Entre o lançamento e a segunda semana de vida do console, suas vendas caíram assustadores 78%.

Ironicamente, eu encontro-me mais tentado a comprar um PS Vita em fevereiro, quando ele será lançado na América do Norte, do que um 3DS. E há três motivos distintos.

Eu sinto falta da experiência de comprar um console novo

Faz mais de três anos desde a última vez que comprei um console novo (videogames antigos comprados para propósitos de coleção não contam). Eu sinto falta de analisar cada ponto dos consoles disponíveis, de estudar cuidadosamente as bibliotecas de games a venda para plataformas rivais antes de decidir adotar um novo videogame.

Nos momentos de plena empolgação com a recente compra de um aparelho novo, até ler as páginas menos lidas do manual eu leio. Aquela lua de mel do videogame novo me impulsiona a saborear cada grama da experiência, até mesmo ler manuais desinteressantes.

Eu sinto muita falta disso. Ainda estamos um bocado distantes dos futuros sucessores do Xbox 360 e do PS3; temo que o hype do novo PS Vita (por mais desinteressante que ele pareça no momento, ou pelo menos é o que os japoneses parecem nos dizer) me fará perder a paciência de esperar por outros novos consoles.

Por que não o 3DS então, dado que uma das motivações por trás da minha presente cobiça pelo PS Vita é simplesmente a vontade de abrir uma caixa e tirar de dentro um brinquedo novo? Além disso, minha predileção pelas franquias icônicas da Nintendo deveriam fazer do 3DS uma escolha óbvia.

O problema é simples: averiguei com tristeza que os alertas em relação ao efeito 3D do console me afetam agressivamente. Joguei mais ou menos 10 minutos de Mario Kart 7 numa Toys R Us e saí da loja tonto e enjoado. Por outro lado, a opção de desligar o efeito 3D me enche de revolta. Me recuso a comprar um aparelho e em seguida ser obrigado a desligar a função que dá o nome a ele. Imagina um iPod touch que você precisasse desligar a tela sensível ao toque pra usar.

Então, incapaz de apreciar o 3DS em sua plena glória tridimensional e estando a next gen ainda num futuro indefinido, talvez eu acabe sendo seduzido pelo PS Vita mesmo.

Eu fui muito fã do PSP

Pelos motivos "errados", admito, o PSP vive até hoje em meu coração como uma máquina miraculosa. Através de métodos que a Sony decididamente não aprova, um PSP é uma potente máquina de emulação de plataformas do passado. Este foi o motivo pelo qual comprei não um, mais dois PSPs. Meu primeiro Playstation Portable teve uma morte prematura quando desmontei-o para limpar uma sujeira que se escondia embaixo da carcaça da tela e acabei, com toda a minha falta de destreza que me é característica, destruindo o LCD.

Devo admitir que essa polivalência consolística definitivamente feriu o potential do PSP. Enquanto ninguém está realmente sendo lesado quando alguém joga River Raid (um jogo clássico de Atari 2600 que parou de ser comercializado há mais ou menos 20 anos) num PSP hackeado, os mesmos métodos que permitem reviver a nostalgia gamer dão a gamers menos escrupulosos carta branca pra rodar essencialmente qualquer jogo do catálogo disponível do console, ferindo a venda de software e assustando desenvolvedores da plataforma.

De qualquer forma, tenho tantas boas lembranças do meu PSP que sinto vontade de participar da evolução do console. E, dessa vez, participando ativamente da cena do videogame, e não utilizando-o como um super-emulador.

Um console portátil com gráficos de console de mesa é um sonho antigo

Desde o primeiro (e icônico) Game Boy tijolão, existe um paradigma imutável em relação aos consoles portáteis: eles sempre estarão, obrigatoriamente, vários patamares abaixo dos seus irmãos de mesa.

O Game Boy era essencialmente um sub-NES monocromático. O Game Boy Color (equivalente ao Nintendinho) veio quando já conhecíamos os gráficos 3D do Nintendo 64. O Game Boy Advance colocou um SNES no seu bolso no mesmo ano em que conhecemos o Game Cube.

Até mesmo o 3DS tem um jeitão de console portátil.


Em mãos: PlayStation Vita, direto da E3

Não é o caso com o PS Vita. Os gráficos são tão bonitos (muito similares aos de um PS3, aliás) que praticamente justificam a etiqueta de preço. E eles me fazem pensar que aquela hipótese antiga de infância ("já pensou quando um dia os videogames portáteis tiverem gráficos iguais aos de mesa?"), que um dia parecia tão impossível não é mais apenas uma hipótese. É uma realidade, e está a poucas semanas de distância da minha mão caso eu realmente não resista ao apelo de um console novinho, selado na caixa, com um manual desinteressante que eu acabo sempre lendo só pra me submergir mais ainda na experiência do novo console.

O problema mesmo (além da falta de títulos e desse desinteresse japonês no console, que deixa com uma pulga atrás da orelha) ainda é o preço. A versão mais barata do PS Vita custará US$250 dólares, o que não é exatamente troco do pão.

Aliás, o PS Vita custará literalmente o mesmo que um PS3. Se bem que, considerando o poder do portátil, não há como achar um preço injusto.

Será que acabarei suumbindo ao comercialismo descontrolado e contradizendo a mim mesmo em relação à falta de apelo de um console portátil numa era de híbridos entre celulares e videogames de bolso?

Comentários

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Beatriz
olha, eu tenho um nintedo 3ds, eu axei, ele um otimo console mt legal, eu gostei, mais axo o vita bem melhor em questão de graficos, o armazenamento de jogos é melhor, vc pode fazer mais coisas com ele, mais eu prefiro o meu 3ds, eu adoro mario, zelda, harvest moon, mais atualmente vale mais apena comprar o 3ds, pq, tá saindo jogos, mt legais, como resident e street fighter, q até então eram basicamente excluisvos da sony, e o efeito 3d, eu axei, ele mt loko, é forte, mais é mt bem feito! e os graficos, são mt bonitos, pra mim, tá quase já no mesmo nivel do Wii os graficos, e tambem o preço dele tá mais em conta! por esses motivos, eu axo, q agr no momento compensa mais o 3ds, mais tem gente q ñ prefere, como o caso do cara q escreveu o artigo, é uma questão de gosto
Diones Reis
Provavelmente esta bagaça vai chegar aqui na terrinha, custando uns 1.300 reais. Sinceramente, com as capacidades de armazenamento que existem, porque este povo ainda bate na tecla do game em disco, que é uma das causas para a bateria ir pras favas?
@danielneves
Sinceramente, assim como a pessoa escolhe entre DS e PSP, escolhe entre Vita e 3DS. É só questão de gosto. Agora, a diferença entre os dois não é tão grande como muitos imaginam. O 3DS tem lançado e anunciado muito mais jogos que o Vita. Quanto o 3D enjoar depende de cada pessoa. Eu não fiquei tonto em nenhum momento em que o joguei, e eu já o joguei mais de 6 horas. 30 minutos em cada uma das vezes que joguei. Aí que a Nintendo acerta, nem todo mundo se dá bem com o 3D ou com o efeito máximo dele, logo temos a regulador que é ótimo. Não vejo o 3D como única grande coisa que a Nintendo vende com o 3DS, então não vejo problema algum em poder o desativar(até mesmo para economizar energia se quiser). Agora. Qual o terceiro motivo? É o que está em negrito? Estranhei por estar com marcação diferente dos outros.
@danielneves
Que até agora não tem nenhum anunciado. E se depender da uniãozinha que a Nintendo fez com a Capcom, só sairá um MH relevante ao menos 6 meses depois de sair Monster Hunter 4 que sairá para o Nintendo 3DS
lena
Eu sou fã da Nintendo há já algum tempo. No inicio tinha uma PS2, mas ao ficar sem ela, vi que a PS3 não aceitava os jogos da PS2, deixei de apostar na Sony. A Nintendo comecei a apreciar ao ver o meu filho uma ocasião a jogar na Nintendo DS. Ai comecei a pesquisar, investigar, e a experimentar. Quando peguei em títulos como o Professor Layton, Lego Battles, ANNO, … estava agarrada. Sim, fui uma das pessoas que investiu na 3DS. O efeito 3D é mesmo UAU! Mas o uso ocasionalmente. Nos vídeos que a Nintendo disponibiliza semanalmente tenho o usado sempre. Face raiders sempre. Mas lá está, por curto espaço de tempo, pois não acho indispensável estar sempre ligado e tenho noção que em longos períodos de jogo, devemos desligar. São opções … A Nintendo 3DS não é apenas sobre o efeito 3D, e isso as pessoas também têm de ter noção. Tem outras funcionalidades extras e a Nintendo tem vindo a alargar a oferta daquilo que disponibiliza nesta plataforma. Portanto …
@mos_axz
Conheço o Izzy na internet faz alguns anos e tenho que dizer que dessa vez ele demorou pra comprar algo que ele disse ser inutil...
Joao Paulo
Acho que vc vai acabar comprando o PSVita e o 3DS!
Arthur Novello
Comprei o PS3 só para jogar com os amigos, se não, não teria comprado um console que usa exatamente o mesmo controle desde a primeira versão! E outra, os jogos da Nintendo são melhores que os de qualquer franquia! :)
Diego
Se o símbolo de inovação da Nintendo for o Wii, eu prefiro a "mesmice" da Sony com o PS3.
eltiene
o Ps vita para mim e uma compra certa, eu amo o 3DS mas os estilos exclusivos de games da sony e que me atraem como rpg de ação etc, e sim podemos nos basear pelo PSP que foi fraco de game e depois venho grandes títulos e se paramos para analisar com o poder que o vita tem, podemos esperar ótimos jogos quando os produtores se acostumar com esse pequeno "gigante", e as funções que dão jogabilidade ao Vita serão aproveitadas muito bem por produtoras criativas o que me faz sonhar com um futuro bom e que tenhamos bons jogos, e como a maioria diz, so esperar monter hunter ae que as vendas do pequeno vai alavancar nas terras nipônicas.
@bfalquetto
Com o WiiU para sair ano que vem, porque você vai comprar um portátil por comprar? Claro que o 3DS vc não vai comprar por não suportar o efeito mas comprar um VITA pra jogar igual vc já joga no PS3? Acredito que um portátil o conceito é de jogos casuais e não pra ficar o dia inteiro jogando. E, como todos sabem, casual é com a Nintendo. Não faz sentido comprar um portátil pra jogar Uncharted (só citando exemplos). Sem contar que Zelda, Metroid, Mario(s), Fire Emblem, Pokemon, só num Nintendo.
Peterson Alan
Infezlizmente a reação quanto ao 3D do 3DS varia de pessoa para pessoa, eu comprei com a certeza que me causaria fortes dores de cabeça e tontura, depois da primeira vez( que foi bem tranqüila) joguei 2h de Zelda OoT sem sentir nada de errado
Peterson Alan
é só ter o PSP desbloqueado( infelizmente não sei como são os desbloqueios atuais) depois bota o emulador e a ROMs e ja era ahahhahaha
CrisGusmao
A primeira vez que joguei o 3DS qdo soltei o bicho, quase coloquei tudo pra fora, e depois saí andando feito bebado pelo shopping... Depois disso, as outras experiencias foram tranquilas. Meu filho desativa muitas vezes o efeito, pq depois de horas jogando cansa mesmo... mas pqp, jogar Zelda o dia todo em 3D deve não só cansar a vista, mas derreter o cérebro também... =D Brincadeiras a parte, o conceito de plataforma portatil está sim, MUITO conectada com a emoção, voce tem conexao com o PSP, eu com as plataformas Nintendo. O conceito só vai morrer mesmo quando esta afeição terminar... Meu filho não tem esse apego e trocaria seu Nintendo pelo iPad se tivesse Mario nele, eu jogo scribblenauts no telão do iPad, mas acho legal ter um DS na minha mochila. =)
Cristiano
A diferença da Nintendo e Sony é que a big N é gamer puro-sangue, só vive de vender games, enquanto a Sony entrou no mercado dos games apenas para arranjar mais uma fonte de dinheiro. E isso se reflete nos produtos lançados, as inovações sempre começam com a Nintendo, vamos citar aqui: Controle analógico, Rumble, Inovações que fizeram o Wii e o DS venderem BEM mais que concorrentes com hardware melhor como PS3 e PSP. As inovações de sucesso sempre foram copiadas pelos concorrentes. Enquanto isso a Sony inovou no que? lançou o PS1, depois foi sucedido pelo PS2 que só trouxe melhorias de hardware, e depois veio o PS3 que também só trouxe hardware melhor, no campo dos portáteis a Sony também não inovou em nada, fez o PSP só para ver se tirava vendas do DS, não conseguiu, os DS sempre vendeu mais, e agora fizeram o VITA, e nem para fazerem um design diferente do PSP eles prestaram, inovação que é bom NADA, apenas a velha melhoria de hardware. Quando a Nintendo anunciou o Wii U choveram reclamações, mas agora há rumores de que a MS vai fazer a mesma coisa com o próximo XBOX. para aqueles que querem gastar uma nota preta com o VITA eu digo: Comprem um iPhone, pelo menos ele faz ligações. E viva as pessoas e empresas que ousam mudar, elas é que mudam o mundo para melhor.
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