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Capacitor de fluxo: cientistas transformam água “suja” em eletricidade

Cientistas melhoram modelo anterior de extração de energia a partir de água 'suja'.

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Tem coisa mais em voga do que combustíveis renováveis e tecnologias auto-sustentáveis? Em contraponto, além da apatia aparente da indústria do setor em modificar a matriz energética, praticamente todas as boas invenções com grande potencial ficam relegadas à grande academia ou então a eventos obesos para angariar fundos de pesquisa que dificilmente passam do status de… bem, pesquisa.

Mas nem tudo está perdido. Pesquisadores da Michigan State University (EUA) parecem estar dispostos a vencer quaisquer barreiras para possam transformar a ideia de Dr. Emmett Brown em realidade.

Capacitor de Fluxo. Pronto, agora só me falta o meu DeLorean...

Eles conseguiram finalmente dar forma ao que qualquer nerd que se preze chamaria de “o nosso próprio capacitor de fluxo”. Trata-se de uma técnica que faz uso de uma solução de bicarbonato de amônia (NH4HCO3) e a produção controlada de bactérias que se alimentam de detritos encontrados em água suja.

O bicarbonato de amônia tem a capacidade de se autogerar por meio de sucessivas cargas leves de calor, tal qual aquele que é espontaneamente criado quando a água suja é tratada para virar água limpa novamente.

Com a técnica aplicada pelos cientistas —  publicaram outro estudo no qual conseguiam gerar energia a partir de água salinizada — a eletricidade é diretamente gerada pelas bactérias na água “podre” e novas voltagens vão sendo adicionadas a partir do incremento de coeficientes de salinidade.

A técnica, quando aperfeiçoada, pode nos conduzir a uma das alternativas mais profícuas para fontes abundantes de energia, a custos extremamente baixos.

Mas os resultados numéricos não poderiam ser melhores: cada quilograma de material orgânico que é processado pelo sistema produz 0,94 kilowatt-hora de energia, onde 35% do material orgânico é removido.

Além disso, evidências foram coletadas mostrando que o restante do material ainda permanece na água. As tais bactérias no sistema proposto se alimentam do material orgânico, limpando a água utilizada, que pode ser usada posteriormente para gerar metano de maneira limpa, barata e prática.

Ainda não dá para jogar casca de bananas dentro para viajar no tempo, mas dá para ouvir Doc Brown sorrindo de dentro daquela sua fita cassete toda empoeirada…

Ele aprova

Com informações: PNAS (Academia Nacional de Ciências dos EUA).

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Gobbo
Problema: precisamos de 1,21 Gigawatts
marcoscs
há uma acomodação sim, o mundo moderno repousa na eficiência energética dos combustíveis fósseis, e só se mexerá dessa acomodação no dia que surgir uma alternativa mais eficiente energeticamente ou quando se esgotarem reservas desse combustível. Enquanto não ocorrerem nem nem outro não haverá nada que mude nossa matriz energética.
Breno Caldeira
Sim, sim... é exatamente este ponto que vc colocou que eu questiono, as alternativas ao petróleo são todas impraticáveis, caras demais e com kilos de desvantagens. Eu realmente não estudo e nem pesquiso nada sobre pra ter certeza, :] mas essas alternativas existem há muuuito tempo (e novas sempre estão surgindo), e ainda assim é tudo muito caro, não faz sentido. A sensação que tenho é que falta investimento (e vontade) para melhorar tais tecnologia, entende? Um exemplo bobo, supondo que antigamente uma lâmpada fosse muito cara, mas aí alguém pensou, ahh vamos deixar a lâmpada mais barata e lucrar na venda da energia.
marcoscs
Não é bem assim, Breno: Energia eólica é cara, tem dificuldades de escala, demanda áreas extensas e que tenha regime considerável de ventos, altera o microclima da região, gera ruído e é um matador de pássaros. Energia hidráulica é cara para construção, inunda grandes áreas, precisa de rios que tenham regime considerável de vazão e depende do regime de chuvas. Energia atômica é cara para construção, produz lixo radioativo, causa sérios problemas ambientais quando apresentam defeitos. Energia solar é cara para obtenção dos painéis, não gera energia à noite, tem pouco rendimento dos painéis, exige grandes áreas a céu aberto. Viu? Não é porque somente porque companhias petrolíferas são mauzinhas, esse raciocínio é meio pueril, o grande problema mesmo é que não há hoje nenhum meio de se obter energia que seja tão barato e tão eficiente quanto a queima de combustível fóssil. No dia que surgir um que o substitua com vantagens, garanto que ele será rapidamente deixado de lado.
@LBKatan
Vale lembrar que não é só o pessoal do Médio que barra essas evoluções.
Breno Caldeira
Estou bem cético quanto a isto, canso de ver ideias como esta de revolucionar o processo de gerar energia. Uma coisa é certa, enquanto houver petróleo a ser queimado, os homens da terra do Médio farão de tudo para que continuemos como seus escravos para que eles possam alimentar o seu ego faminto de torres cada vez mais altas. Energia solar, eólico, ar, água (e agora água suja)... e sempre essa mesma história de que a tecnologia é cara, inviável a larga escala e blablabla. A verdade é, que se uma dessas tecnologia vinga fode com o sistema que dá mais lucro nesse planeta. E claro que quem está no poder está mais preocupado em manter sua vidinha cheatada do que manter o planeta em paz.
@AntonioVeras
Esperança para o Tietê?
@AntonioVeras
Tive o privilégio de assistir no cinema. Há!
@LBKatan
E já não é? lol
bawlaw
duvida: quando ele fala "agua suja" quer dizer agua de por exemplo, esgoto ou a agua utilizada em estações nucleares que se torna tambem parte do lixo nuclear?
Carlos
Pois é. No seu proprio link diz "The Mr. Fusion Home Energy Reactor converts household waste to power for the time machine's flux capacitor".
Gaba
Imagina, postos de gasolina, vendendo água suja!! E olha que não é difícil, visto o quanto há de gente gananciosa.
Rodrigo Reis
Não, o Capacitor de Fluxo é o que tornava a viagem possivel e consumia uma energia danada. Quem fornecia esta energia era o Mr. Fusion. O Mr. Fusion é o "raio" do futuro.
San Picciarelli
Sim, água de esgoto, água suja, não tratada, dejetada, etc... O "esquema" envolve uma solução de bicarbonato de amônia alimentando bactérias que se alimentam no material orgânico na água e produzem energia durante o processo, onde diferentes voltagens podem ser alcançadas por meio de diferentes níveis de sais (salinidade) que são adicionados no sistema. Certinho? Cheers.
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