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Por dentro da fábrica da Nokia em Manaus

Descobrimos como os celulares e smartphones Lumia 710 são produzidos.

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7 anos atrás

Entrada da fábrica

Direto de Manaus – Sempre que a gente vê aquelas fotos de indústrias chinesas, se pega pensando como é a realidades das empresas brasileiras que montam seus produtos em território nacional. Espaço maior ou menor? Com mais funcionários ou menos? Hoje eu estive em uma dessas fábricas que frequentam o nosso imaginário. Fui ao centro de produção de celulares da Nokia no coração do Amazonas.

Antes de qualquer coisa, não adianta me pedir fotos do lugar. Por restrições de segurança e de sigilo industrial, não foi permitido que ninguém tirasse fotos durante a visita à fábrica. Deu para ver e para anotar o que se passa por lá. Se minha memória não falhar, em instantes você terá um quadro do que é a fabricação de um celular.

Estamos há XXX dias sem acidentes

Logo que chega à fábrica, o visitante encontra uma placa avisando o número de dias que estão sem acidentes e também o recorde de dias nessa feliz situação. Lembra um pouco cena de filme, mas é real. Eu vi e tenho foto para comprovar.

Depois de passar pela recepção, hora de ter uma breve aula sobre as atividades da Nokia em Manaus. Descobrimos que a fábrica está lá faz muitos anos, desde os tempos da joint-venture com a Gradiente. Depois, em 2000, os finlandeses compraram o negócio e assumiram integralmente a fábrica.

Para entrar no recinto tem que colocar um jaleco especial todo branco e uma fita no sapato que, em contato com a pele, despeja a energia eletroestática no chão. Há toda uma explicação técnica para a situação. Em resumo, assim se evita de estragar os eletrônicos ao manuseá-los.

A produção de um celular “genérico” é feita em três fases que seguem belamente o padrão de linha de montagem estabelecido pelo fordismo desde o século passado. Não há muito mistério, ainda mais quando os componentes chegam mais ou menos prontos e os equipamentos terminam de finalizar tudo.

Logo de início há luz, treva e uma placa. É nela que entra a pasta de sola e os componentes, formando aquela parte verde que você já viu quando detonou o seu primeiro celular. Nessa primeira fase, chamada de Fase 1 (veja só!), o objeto final é o módulo. Ainda não tem cara de celular, mas a placa está ali.

A Nokia conduz testes de memória e de bateria ao fim da primeira fase.

Tudo isso acontece em máquinas alinhadas lado a lado, com diversos monitores de computador (vários com Windows XP, devo acrescentar) mostrando o acompanhamento do que acontece. Também há funcionários de olho na linha de montagem para detectar possíveis problemas.

Depois vem a fase 2 da construção do celular. Ela engloba a adição do visor (ou display), do painel traseiro (onde vai o SIM Card e a bateria em diversos modelos, por exemplo) e da manta. Por manta, entenda aquele plástico que fica entre os componentes e os botões do teclado. Ela “amacia” a digitação, por assim dizer.

Assim como na primeira, a segunda fase inclui mais testes: de display e de teclado. A traquitana que sai dali se chama engine genérico.

A terceira fase é a última. Em linhas gerais, é nela que o aparelho ganha uma identidade porque ali ele recebe o software que vai rodar quando chegar na mão do consumidor. Esse software varia de acordo com o cliente (da fabricante) que encomendou o produto. O software pode ser personalizado para operadoras ou clientes especiais.

Além do software, a fase 3 inclui a adição do painel frontal, da tampa e da bateria. Parafusamento também. Funcionários da Nokia adicionam os itens de papelaria, carregador e o que mais acompanhar o kit na embalagem para, depois daí, o produto final chegar ao estoque de alguma operadora ou distribuidor responsável pelo armazenamento.

Pelo que eu reparei na fábrica, a fase 3 tem mais funcionários dedicados. Eles usam luvas para evitar o contato direto com os componentes, o que pode acarretar a queima devido à energia eletroestática. Também tem protetores individuais feitos em látex para cada dedo – mas você pode chamar de minicamisinha.

A visita à fábrica da Nokia serviu para mostrar que os produtos de fato são feitos aqui, no coração da selva, em um ambiente profissional e controlado. A entrada de poeira é controlada e também há diversas sinalizações sobre rotas de fuga e a posição de extintores de incêndio para o caso de uma emergência.

Sala especial do Lumia 710

Paul Evans, diretor da fábrica da Nokia em Manaus, também nos levou ao terceiro andar do edifício. Os Lumias 710 que estão chegando às lojas depois do grande lançamento promovido pela empresa no Brasil inteiro saem dali. O princípio é o mesmo dos celulares genéricos, mas com algumas especificidades dos smartphones. Além do Lumia, alguns aparelhos da linha Asha ficam prontos nesse andar.

Segundo Evans, a área especial se deve a cuidados com sujeira (nada de poeira, muito menos fios de cabelo) para que não atrapalhe a produção do aparelho. Ele também diz que os processadores são mais potentes e, por isso, mais sensíveis a uma série de condições. A principal delas, como você já imaginaria, é a estática mesmo. Um sistema de refrigeração próprio garante que o ar circule do centro para as pontas, onde não ficam as células de produção. Se um grão de poeira ou um fio de cabelo escapar, provavelmente não chegará onde ficam os celulares.

A entrada tem controle mais severo, com detector de metais. Deu para ver algumas células, nome dado ao grupo de equipamentos que atendem a uma etapa da linha de montagem. O mais instigante foi ver a instalação do Windows Phone nos Lumias. Na sua frente, por meio de equipamentos especiais, a Nokia injeta o sistema que será o coração do smartphone.

Fica aparecendo a imagem pictográfica de uma fábrica (metalinguagem, cadê?) enquanto o software é enviado para o aparelho. Assim como na linha de montagem regular, operadoras podem enviar seu próprio software. Eu vi alguns aparelhos com a marca da Claro. Nenhum da Vivo, porém. E também tem os Lumias desbloqueados, que não contam com modificações de operadoras (chamados de aparelhos com sistema “vanilla”).

Ah, leva entre 5 e 8 minutos para instalar completamente o Windows Phone. Já o processo de montagem de um smartphone demora por volta de 24 horas na fábrica da Nokia, considerando desde o momento em que a placa entra na linha de montagem até a embalagem do produto.

Teste de produto

Todos os celulares da Nokia são exaustivamente testados, de acordo com o diretor da fábrica, Paul Evans. Em Manaus a companhia mantém alguns equipamentos produzidos para o simples propósito de fazer os aparelhos sofrerem. Calor extremo, frio exagerado (mais do que na Finlândia, origem da Nokia) e mais compõem uma ala da fábrica.

Os funcionários passam o dia colhendo amostras de produtos para determinar se o lote está bom. Em caso negativo, Evans diz que é bem prático para rastrear os produtos possivelmente danificados.

Entre os testes que vi, o mais bacana é o de queda. Uma grande caixa de madeira fica se movimentando constantemente em círculos. Dentro fica a vítima: um Asha ou qualquer outro celular da Nokia. São ciclos de 150 quedas a uma distância de aproximadamente 1 metro. Um dos responsáveis pela ala de testes diz que a taxa de falha de aparelho depois desse ciclo gira em torno de 1%. Compare com aquele xing-ling que você viu no camelô…

Trocando em miúdos

Produzir em Manaus traz vários benefícios para a Nokia. Primeiro e mais importante é a redução de custos, visto que há incentivos fiscais na Zona Franca de Manaus. Além disso, fica mais fácil de abastecer o mercado interno – tenho informações de que a demanda fez com que não sobrasse um Lumia 710 para exportar, visto que o mercado interno está aquecido.

Hoje em dia na fábrica se produzem 14 modelos da empresa finlandesa. Entre eles o Lumia 710, da mais recente safra de Windows Phone. Só não tem o Lumia 800, que chega importado de outros países. Além do Brasil, a companhia tem fábricas na Índia, China, Coreia do Sul, Hungria, Reino Unido, México, além da Finlândia.

É uma instalação fabril bem grande e parece que a produção vai de vento em popa. Só não me pergunte quantos aparelhos são feitos ali. Ninguém disse. Eu e a Wanise Ferreira, do site Mobilidade E Negócios, bem tentamos tirar números para fazer o cálculo final, mas o Paul Evans foi mais esperto e só fazia repetir que até hoje houve a produção de mais de 200 milhões de aparelhos. A maioria de S40.

Tecnoblog viajou para Manaus, Amazonas, a convite da Nokia.

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