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O que deu errado com a pobre Sega?

"Uma sequência de vacilos pontuada por uma boa tentativa de recuperação."

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Quando você pensa na Sega, o que te vem à mente? Pra muitos, o nome da empresa evoca imediatamente a imagem do porco-espinho azul supersônico, que é efetivamente sinônimo visual da marca. Outros talvez lembrem do domínio que a empresa exercia no ramo de arcades (Ahh, muitas mesadas estouradas no House of the Dead!). Muitos lembrarão imediatamente do icônico jingle da marca, que precedia os jogos do tal porco-espinho azul.

E pra muitos, a maior lembrança atrelada ao nome da Sega é o fato de que ela se foi. Sim, a Sega tecnicamente ainda existe (e alguns mais novinhos talvez a conheçam apenas em seu formato atual — uma softhouse agnóstica, ou seja, que faz games pra tudo que é console). Pra nós, veteranos da guerra de consoles dos anos 90, a Sega representava um dos gigantes do mercado de consoles. Uma força perene na indústria que causou surpresa indescritível quando anunciou sua aposentadoria do mundo do hardware.

Como talvez vocês lembrem, em 2001 a Sega anunciou que estaria se retirando do ramo de fabricação de console. A notícia foi um choque; a primeira coisa que todas as revistas e sites especializados da época esclareceram é que sim, em breve estaríamos presenciando o anátema que é Sonic (e outras franquias da Sega) migrando para todos os outros consoles — incluindo os da Nintendo.

Sonic Advance, o primeiro jogo do Sonic com o nome "Nintendo" na capa. Como foi difícil aceitar isso na época...

Entretanto, depois que a poeira baixou e digerimos o choque inicial, a saída da Sega não foi algo tão inesperado. A escrita estava na parede, como dizem os gringos (e como é uma referência bíblica; bem que nós podíamos dizê-la também, não é?). Tudo começou com o Sega CD.

Essa talvez seja a versão do add-on que você conheceu; existiram duas. O Sega CD, como o nome e a figura acima deixam evidentes, era um acessório que permitia o seu Mega Drive rodar games em mídia ótica. Infelizmente, o Sega CD não vingou. Dois anos mais tarde (se você considerar as datas de lançamento americanas), a Sega tentaria mais uma vez dar ao Mega Drive um impulso na batalha contra o SNES.

Esse acessório (que tem um jeitão de gambiarra) tinha como função dar um boost na capacidade gráfica do Mega Drive. Aliás, o 32X não tinha “jeito” de gambiarra, ele de fato o era. O troço exigia uma fonte de energia separada E um cabo plugando-o ao Mega Drive (aparentemente encaixar no slot de cartucho não era o suficiente pra fazer comunicação de dados).

A Sega apostava alto nessas estratégias de revitalizar o Mega Drive; quando elas fracassaram descomunalmente, a credibilidade da empresa ficou um pouco ferida.

Veio o Sega Saturn, que era essencialmente um “arcade caseiro”. O console foi um veículo pra levar os jogos de fliperama (uma área em que a Sega sempre se destacou) para a sala dos gamers.

O lançamento do Sega Saturn foi um desastre. O alto preço (400 dólares na época, equivalentes a mais de 600 dólares nos dias de hoje) e a disponibilidade inicial de míseros seis games contribuíram para uma estreia fraca. No final das contas, a Sega superestimou o interesse gamer numa máquina de arcade doméstica, e o Sega Saturn foi descontinuado menos de quatro anos após o seu lançamento.

Àquela altura do campeonato já havia mais um sucessor a caminho: o “Projeto Katana”, mais conhecido como Dreamcast. Eu estava lá nos Estados Unidos, no finzinho de 1999, e deixa eu te falar: o furor causado pelo console era algo inédito para mim. Ele foi muito bem no mercado… por um ano.

Nesse ínterim, surgiu o sucessor do imensamente bem sucedido Playstation. A maioria dos gamers preferiu apostar na nova versão de um console que liderou a categoria, à nova tentativa de uma fabricante que havia pisado na bola sem parar e cujo último console indiscutivelmente bem sucedido havia sido lançado uma década antes.

E foi isso que matou a Sega. Uma sequência de vacilos pontuada por uma boa tentativa de recuperar o valor da marca; o problema é que àquela altura um competidor de peso subiu no ringue, e aí já era.

Já pensou como o cenário gamer seria diferente se a Sega ainda estivesse no páreo?

Nota do Editor: Lá em 2010, o Izzy Nobre escreveu uma coluna comentando o futuro do Sonic. Perguntava ele: ainda temos fé? Faz tempo, mas vale à pena dar uma nova lida no texto. (TV)

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FSociety

Eu jogo até hoje nos fins de semana com meus amigos uso um emulador mame plus+ tenho ele instalado no meu note dai levo pra casa dos meus parças antes de uma resenha e eu coloco conectado na tv kkkkk e começa a destruição kkkkkkkkkkk

HollyShitzu

E eu lendo 7 anos depois! omg haha

HollyShitzu

Sim, o bom de ser criança é que tudo é novo, tudo é mágico, e aquele furor causado naquela época não volta mais, o que existe é nostalgia... Sinto muitas saudades também da época dos arcades...

Hater Mil Grau

Iae corno kkkk

Rafa Almeida

Depois de 6 anos,essa merda de comentário continua aqui...
"Só correr e correr...", meu Deus! Sim, você jogou muito. SQN!
Personagem sem apelo? Ai meu pâncreas!

Talvez, algum dia, a Sega seja inovadora quanto os FIFA e COD's da vida, que é sempre a mesma coisa, e a galera celebra como se fosse a maior maravilha do mundo.

FSociety

A minha infância era nos Arcades, eu não tinha vídeo game em casa, só mais tarde tive um SNES e depois um PS1 mesmo assim já não era mais criança mais posso falar os jogos Arcades sempre ficaram na minha memória, Mortal Kombat, Killer Instinct, Street Fighter, Final Fight, Cadillac Dinossauro, KOF e TNMT nunca esquecerei as horas de diversão que esses jogos me deram.

Mestre Liefeld
Nunca liguei pra essas batalhas de consoles. O Super Nintendo tinha games melhores que o Mega Drive e Mario é Mario, mas eu curtia Sonic e os games da Sega. O mesmo vale pra Sony e Microsoft.
Klein
Eu cheguei a passar o primeiro mundo do Sonic 1 de olhos vendados, só no tempo e no som, era um vício héin!
Douglas Giroto

Não passa mesmo kk. (5 anos depois)

Douglas Giroto
Não passa mesmo kk. (5 anos depois)
Megadraviano
Ele não perdeu comercialmente para a Nintendo, pelo contrário, foi por causa do Mega Drive que ele tornou-se lider de mercado mundial, vc n pode acreditar, mas nos EUA, Europa e Brasil o Mega Drive vendeu mais que o Super Nintendo. O Snes só vendeu mais que o Mega no Japão, só que nessa a diferença era muito grande. Já nas regiões que o Mega venceu a diferença foi pequena. Sò no Brasil que realmente o Mega vendeu bem mais que o Snes (75% da Tectoy contra 25% da Gradiente). No final da quarta geração que foi em 1994, o Snes encostou no Mega em termos globais. Mas como a Sega parou o suporte em 1997, o Mega estacionou nas vendas de hardware oficiais e a Nintendo pelo contrario deu suporte ate 2002 salvo me engano. Em numeros finais o Snes vendeu uns 50M e o Mega uns 40M. O número do Mega é complicado demais, pq uns dizem que foi 29 outros 36. Duvido muito ter sido menos de 30M! Pq somente nos EUA foram mais de 22M!
Nicácio Benevides
Acho que o principal problema do Dreamcast é que ele antecipou demais. O console possuía conexão para servidor de jogos (Naquela época? Sim), trabalhava com 128bit, coisa que só veio aparecer no ps2... as empresas não estavam prontas para lidar com tal tecnologia, o pacote de programação e custo para tal realismo era altíssimo. Acho que nunca utilizaram 100% do potencial do aparelho =(... Ah, e vem outra ressalva, minigame utilizado como cartão de memória, putz! Tem como algo ser tão perfeito?
Raphael Papastathopoulos
Ótimo texto,to lendo isso 3 anos depois que você o escreveu,mas para coisas tão bem escritas,o tempo não passa!
Ricardo Niemicz
Realmente na época fiquei triste com a retirada da sega. Mas vendo os jogos do sonic hoje para os consoles ps3, nintendo etc... deu pra ver que a sega perdeu completamente o brilho e a criatividade. Se o dreamcast tivesse sido lançado em uma data beeeemmm anterior, quase junto com o ps1, a história teria sido diferente acredito eu, mas fizeram o dreamcast no final da geração ps1 e nintendo 64.
lucasrssps
mds como joguei FIFA, sonic,e MK no mega drive 3.
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