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Parece que o modelo de jogos "freemium" decolou de vez

Colunista discute se o novo modelo é positivo ou negativo para os gamers.

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Lá em 2010, escrevi aqui no Tecnoblog um texto sobre o modelo freemium. De lá pra cá, o formato de games gratuitos com microtransações aparentemente deu tão certo que se expandiu além dos joguinhos casuais de celulares e começaram a ser adotados por grandes marcas, como o mais recente simulador de vôo da Microsoft ou Star Trek Online.

Sim, eu seria relapso se não mencionasse que o modelo já existia antes dos Farmvilles e Colheitas Felizes da vida (a propósito, MMOs foram o berço do modelo freemium). Acontece que eu tenho a impressão de que recentemente está acontecendo uma espécie de "corrida do ouro" em direção ao formato. Não devo ser o único, aliás: há quem diga que 2011 foi o ano do freemium.

Quando escrevi meu primeiro texto sobre o modelo, eu estava um pouco mais otimista sobre freemium do que estou hoje. Eu estava maravilhado com a ideia da distribuição digital (que eu considero o pai do modelo freemium), e particularmente empolgado com a ideia de um sistema de distribuição digital completamente sem fios e que te acompanha no seu bolso, como a App Store. Eu acreditava piamente que esses modelos não apenas eram o futuro, mas que eles em breve tornariam mídia física uma coisa do passado em relação aos games.

Como a maioria dessas mudanças dramáticas, a coisa não vai acontecer assim de repente. Estamos provavelmente muito longe de um futuro em que todos os seus games sejam baixáveis. Se nem mesmo os consoles portáteis dessa geração apostaram completamente na distribuição digital (uma plataforma onde o modelo é perfeito), acho que teremos que aceitar as mídias físicas por mais um tempo.

Mas divago.

De lá pra cá, perdi um pouco um pouco da boa vontade que tinha com o modelo freemium. Inicialmente, minha aceitação deste método devia-se por achar que era uma solução bastante elegante contra a pirataria. Especialmente no contexto brasileiro, no qual boa parte da turma que apela para a pirataria o faz frequentemente por não ter meios pelos quais adquirir games de forma legítima.

Não que eu considere "não tenho dinheiro" como uma justificativa para perpetuação de pirataria; é só uma análise pragmática do fenômeno. Enquanto existirem garotos de 14 ou 15 anos desempregados, haverá pirataria.

Com o modelo freemium, esse demográfico (adolescentes sem renda e sem a inclinação criminosa necessária pra surrupiar o cartão de crédito paterno) não precisaria se abster dos games. E, tornando-se usuários fieis do serviço, existem boas chances de que se tornem futuramente uma fonte de vendas para o serviço.

Perfeito, não é?

Talvez fosse enquanto o modelo ficasse nos joguinhos sociais que são na realidade passatempo para a fila do banco. O problema é que, como falei antes, estamos presenciando uma corrida do ouro em direção ao freemium. E existem alguns jogos que sofrem muito com a introdução dos elementos necessários a este formato que, se você parar pra pensar, se assemelha um pouco demais com aquele usado pelo narcotráfico.

"Quer um pouquinho só, pra ver como é? Tomaí na faixa. Ah, quer mais? Vai ter que pagar agora!".

Hipérbole? É claro. Mas diz aí se não faz sentido.

A partir do momento que a indústria passa a saber que 40% dos jogadores de games freemium pagam por conteúdo através de microtransações (e que o restante ainda pode ser monetizado através de anúncios publicitários, se o público tiver a massa crítica necessária pra que banners se tornem lucrativos), a ideia de estender o modelo a outros gêneros de jogos pode se tornar perigosamente atraente.


(Vídeo do YouTube)

Vide o caso de Flight. A icônica série Flight Simulator da Microsoft não via novos jogos desde 2006, o que me faz imaginar que a franquia não estava rendendo mais. A migração pro modelo freemium (junto com uma espécie de rebranding da série) me soa como um "Ei, a Zynga e a EA estão tirando uma grana legal com esse negócio de microtransações, né? Hmmm... E se a gente experimentasse esse modelo com uma propriedade intelectual em relação a qual não temos nada a perder?"

Não sou alarmista o bastante pra sugerir que corremos risco de um Halo "free-to-play". Entretanto, se o modelo continuar rendendo como está, começaremos a vê-lo sendo usado cada vez mais, e a influência desse tipo de fenômeno costuma agir como ondas numa lagoa: se alastra em todas as direções e acaba tocando a todos.

Mas sabe de uma coisa? Talvez haja sim causa para alarme. Espremer a carteira do jogador por conteúdo extra já atingiu os chamados títulos "AAA", e com resultados às vezes lamentáveis (ou vocês já esqueceram a confusão a respeito do DLC de Mass Effect 3?); agora que o mercado tem a certeza que estamos dispostos a pagar por conteúdo adicional (ainda por cima, por conteúdo adicional em joguinhos triviais), temo que essa moda realmente não vai parar.

E acho que esse é o legado do modelo freemium. Não sei se os produtores de games hardcore vão resistir à tentação de apelar pra esse tipo de jogada quando nós já mostramos pra eles que estamos dispostos a gastar dinheiro até com os Colheitas Felizes da vida. "Não, não. Tira isso aí da versão final do jogo, e vamos distribuir por DLC. Se esse pessoal compra até moedas verdes..."

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Munir
A primeira coisa que eu faço quando vejo um jogo na appstore é olhar se tem coisinhas adicionais pra comprar . se tiver , ja é quase certeza que o jogo nao é muito bom e esta cada vez mais raro ver um jogo que nao tem isso . e estou falando de jogos que sao pagos
@BulletA7X
Lembro de quando ninguém falava em DLC, e sim expansões... novos episódios de um jogo já consagrado, às vezes até funções novas.

Lembro da época de ouro do Medal of Honor: Spearhead. Acrescentou até a coronhada com a arma, haha

Bons tempos.
Ronaldo Gogoni
Não, eu nem falei se SF X TK. DLC presente no disco é algo que até relevo, afinal, o espaço em HD não é infinito, e se pagaria para ativar os extras de qualquer jeito. Minha crítica é para Asura's Wrath, o game foi vendido sem final; o DLC lançado ontem é um pack com os quatro últimos capítulos da história.
Guilherme Jales
Post interessante. Nunca fui adepto de comprar games (durante muito tempo fui um dos adolescentes desempregados que não roubam o cartão do pai), mas o que me fez querer mudar de atitude, além de já poder pagar por meus próprios jogos, é justamente os dois casos citados pelo Izzy. Jogo a versão free do MS Flight e estou disposto a comprar o Hawaii Pack completo pra expandir a experiência do game; e talvez eu faça o mesmo para Star Trek Online.

Entendi a preocupação do Izzy de que o formato se torne perigosamente atraente pras empresas explorarem o gamer. Mas não acredito que isso ainda esteja acontecendo.
Izzy Nobre
Mas não acho que ninguém cometeu esse erro...?
@almeaug
Sim, uma tristeza. E tá bem difícil levar uma civilização pra frente sem poder equipar a maioria dos Gears por não ter a civilização Premium.

Imagino se o próximo God Of War resolver abraçar esse modelo.

Athena: "Kratos, para derrotar [inimigo X] você terá de usar o Escudo de Ares, disponível na PSN por apenas U$ 1,99 ou com 1 gazilhão de almas vermelhas"
AyslanDielf
Street Fighter x Tekken - Sakura, Dan e Blanka ja estão no jogo, no disco, vc paga por uma key para acessa-los.

Quando a DLC esta no proprio jogo eu axo filhadaputagem, ate pq o jogo foi feito com aquela parte e eles caparam para ganhar mais cash, mas quando o jogo tem seu inicio, meio e fim sem interferencias e depois que vai adicionando novas info, ai ate vai, otimo exemplo de jogos que são necessarios DLCs é GH Rockband, Dance Central, jogos que não vejo necessidade de criar o 2,3,4 sendo q tudo eh o mesmo jogo, so mudou o conteudo.
AyslanDielf
Pra quem ainda não entendeu:

Freemiun - Free-to-play, você joga de boa o jogo, mas caso queira colocar uma roupinha mais bonitinha no seu boneco, comprar uns itens para melhorar a aquisição de xp e etc, ai vc faz um pagamento e compra, e até onde eu saiba freemium é para jogos online, exclusivamente online e não jogos single player que tem o modo multiplayer. Ex: Dc Universe, Lineage II [agora no Godness of Destruction] dentre outros.

DLC - É para jogos normalmente off-line que adiciona novas fases e roupinhas tb, exemplo de Batman Arkhan City que tem para abrir Robin, Asa Noturna e Mulher Gato [que é um complemento do jogo] e a que vai chegar, de Arquilina que seria a continuação do jogo depois da....[N sei se alguem aki ainda n zerou xD].

Freemiun normalmente as transações são para produtos de consumo, fazendo com que vc continue comprando o mesmo produto, como item que da mais xp, item para não quebrar a arma no enchant e DLC é uma transação só, você paga uma vez e não precisará comprar novamente aquele item.

Deu para explicar que Freemiun NÃO é DLC ?
@ajscaldas
DLC não é freemium!
Rodrigo Cardoso
FREEMIUM É UMA BOSTA!

Sério, Prefiro que todos que joguem paguem e tenhama experiencia completa. Ficar comprando picado é muito ruim.
@ajscaldas
Na minha opnião o grande erro do Izzy foi jogar na vala comum jogos online (por exemplo o próprio atarantarei online) e jogos essencialmente singelo player. Também vi alguns comentários falando que jogos pagos são melhores que jogos free, nessa questão eu concordo com ressalvas, já que existem jogos fremiam que foram pagos e mudaram para o modelo freemium e hoje estão bem melhores que antigamente, como por exemplo o próprio star trem online, dc universo, champions online e city of heroes, ou então aqueles que já nasceram freemium como por exemplo League of Legends.
2011 foi o ano do freemium e 2012 vai ser ainda mais. E não confunda, freemium não e dlc!
@iJeanCarlos
Excelente definição.
Lucas
Parei de fazer isso quando experimentei um MMO com mensalidade e vi que a diferença de qualidade era colossal.
Alexandre
Indo bem longe, nao acham q esse modelo reduziria drasticamento no numero de jogos no mercado?
Pois se , por exemplo, pegam um Davil May Cry 5, e comecam com essa historia, o jogo nunca vai terminar. O cara zera o jogo, ai vem um DLC, e depois outro etc...
@luisdpaula
"adolescentes sem renda e sem a inclinação criminosa necessária pra surrupiar o cartão de crédito paterno"
Olha só,me descreveu. Mas devo dizer que nem por isso pirateio app's ou jogos.(Pq eu não sei fazer isso???Talvez.
Minha inclinação são para séries de TV e não percu uma promoçao de DVD de série por 19,90.(A não ser que seja Heroes)
Raphael Sky
Não tenho nada contra, desde que o DLC não mexa no enredo do jogo, onde torna praticamente obrigatorio a comrpa. Agora efeitos, trilhas sonoras, skins, ou em casos extremos e especificos, NOVAS Fases/missões, mapas seja la o modelo do jogo, ae é válido, mas com um preço decente referente a horas jogaveis, já que a engine modelagem etc é a mesma.

Mas que é uma otima solução anti pirataria, ninguem pode negar. hehe
Hawk
Acho que isso aconteceu com o Bioshock 2 também. Um arquivo de poucos kb foi vendido como conteúdo adicional (DLC).
Rafael
já tem muita coisa Free to Play por ai...
luizalbertotj
Pagar por extras e expansoes tudo bem. A necessidade de pagar esse extra pra terminar o Jogo, não.
Beikom
Age of Empires também virou freemium e social :(
Gaba
MMORPG online foi feio!!! Botão editar... come to me!
Ronaldo Gogoni
O pior, meu caro Kid, não é pagar por conteúdo extra, mas pagar a mais por conteúdo que, em teoria, faz parte do game e foi transformado em DLC para fazer dinheiro fácil.

Sim Capcom, estou olhando para você!
Hugo Bessa
Falei sobre esse modelo em um texto meu, e cheguei na mesma conclusão. Algo que era para adicionar conteúdo, como nos jogos antigamente, agora adicionam o que já era pra estar lá.
Gaba
Já era pra ter decolado à anos!

A uns 6 anos atrás eu jogava jogos MMORPG online, e quando passava à ser pago, eu procurava algum server pirata pra jogar.

Freemium é a melhor opção para um jogo!