A finlandesa Nokia perdeu o posto de maior fabricante de celulares do mundo. Liderando neste importante mercado há 14 anos, a companhia viu os números da concorrente coreana Samsung dispararem depois que os consumidores demonstraram enorme interesse nos variados dispositivos produzidos por esta última — em especial a linha Galaxy.

De acordo com a agência de notícias financeiras Bloomberg, a Samsung distribuiu 93,5 milhões de unidades de celulares no primeiro trimestre deste ano, seguida da Nokia, com 82,7 milhões de unidades. Sim, a Nokia está pelo menos dez milhões de unidades atrás da número um — situação que não ocorria desde que a Nokia ultrapassou a icônica Motorola, agora uma empresa pertencente ao Google, no distante ano de 1998.

Samsung Galaxy Note

Repare que eu utilizo “distribuiu” na redação deste artigo. Por “distribuir”, entenda que o aparelho saiu dos estoques do fabricante e foi para o armazém da revenda parceira ou diretamente para o ponto de venda. A partir daí fica mais complicado dizer quantas unidades foram vendidas.

Entre os motivos que podemos especular para o novo cenário em dispositivos móveis, dou destaque para a dificuldade da Nokia em manter uma linha de produtos consistente com o que o mercado deseja. Eles têm aparelhos mais simples que atendem públicos de países pobres ou emergentes — a plataforma S40 está aí, em 1,5 bilhão de aparelhos, para isso.

Porém, a Nokia vem enfrentando concorrentes vorazes no segmento de smartphones, os celulares inteligentes que viraram o sonho de consumo dos entrantes na classe média. Os Lumias rodando Windows Phone sofrem preconceito no mercado europeu. A informação foi dada pela agência de notícias Reuters. Já nos Estados Unidos, problemas no software do Lumia 900 logo após seu lançamento fizeram com que a família de produtos caísse em descrédito. Atualmente a Nokia afirma que os problemas foram solucionados com uma atualização de software.

A Samsung, por sua vez, investe pesado no sistema aberto Android, mantido pelo Google. Hoje em dia possui uma série de produtos baseados nessa plataforma, dentre os quais destacam-se o Galaxy SII (em vias de ser substituído por um novo modelo) e o Galaxy Nexus, dispositivo desenhado em parceria com o gigante das buscas. O Galaxy Note da foto acima fica no meio da caminho entre ser um smartphone ou tablet, devido ao seu visor grandioso (eu cheguei à conclusão de que ele é mais smartphone do que tablet no review publicado pelo Tecnoblog).

Também a Samsung tem parceria com a Microsoft, visto que o Omnia W está nas prateleiras como um smartphone acessível rodando Windows Phone. No entanto, deu para perceber em coletiva com jornalistas durante o evento da Samsung para América Latina, em Lima, Peru, que o WinPhone está sem segundo plano nos interesses da companhia.

O Tecnoblog tenta contato com a Samsung Brasil desde a semana passada, mas a companhia não respondeu nosso email pedindo que comentasse sobre os resultados específicos para o mercado nacional.

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Ramon Melo
@Lucas É um direito seu. Como cliente (e no capitalismo o cliente deveria ser quem manda), eu quero um aparelho que se adapte a mim e não ao contrário. Não quero um pedaço de plástico que não faça o que eu quero, mesmo que ele seja excepcional no que faz. O problema é quererem cassar meu direito a customizar meus aparelhos. O mercado é grande o suficiente para haver coexistência.
7megas
Nao gosto dos Lumias tem um péssimo custo/benefício, prefiro os da HTC e da Samsung com WP.
paulomarcelo
e o fato da Samsung não deixar nenhuma opção de fora, mantendo desenvolvimento para Windows Phone, vai faze-la continuar em primeiro lugar.
paulomarcelo
Concordo com você Pedro. Só não concordo muito com o Symbian Belle não dever nada. Tenho um N8, e o tenho mais pela qualidade absurda da camera e pela durabilidade do produto da Nokia (que cai no chão e nem arranha ou para de funcionar), do que pelo OS. Meu Symbian não é hackeado, e um exemplo são os aplicativos sociais serem bem simples. Simples da maneira ruim. E até entendo o porque não melhoram, ja que tão abandonando o Symbian. E depois da atualização pro Belle, as vezes da umas travadas no aparelho que não aconteciam antes. Mas é isso ai. A plataforma Windows Phone é nova, e tende a crescer muito ainda. Assim como o Android não começou como é hoje. E acredito que esse crescimento está co-relacionado ao lançamento do Windows 8 para PC e também para movél e tablets. Se não me engano, fim do ano agora. A Nokia perdeu a liderança do mercado. Mas não ta morta. Não compro celular por status ou porque é da maior fabricante. Compro aparelhos pelo conjunto de fatores que me deixam satisfeito. E quando lançarem um Lumia com uma camera melhorzinha, talvez até com o PureView, será meu proximo aparelho.
@leossoliveira
A Samsung não trabalha com ao sistema mais avançado, se não a Nokia também adotaria ao Android, ele apenas é o sistema mais falado, que tem mais propagando por muito mais tempo que o Windows Phone, quando as pessoas perderem o preconceito com o Windows Phone o jogo vai virar completamente, tanto é que a Samsung não é troxa e também trabalha com Windows Phone para não ficar fora do mercado futuramente. Mas mesmo assim seu Omnia W não vende mais que os Lumia, a credibilidade de hardware diferenciado a Nokia muito dificilmente vai perder, a construção dos aparelhos da Nokia é muito melhor que de qualquer outra empresa. Video abrindo um Nokia Lumia 800 (veja a qualidade e cuidado com o hardware). http://www.youtube.com/watch?v=YS9azQLWNAI
Oscar
Passou em número de aparelhos mas, possui um hardware muito fraco comparado ao hardware da Nokia. A Samsung precisa melhorar muito seu hardware para ganhar confiança! De que adianta ter um OS mais "avançado" que o windows, como a maioria dos cometários acima afirmam, se não possui um bom hardware?
Animadroid
Samsung é fantástica, isso é fato.
@leossoliveira
Pedro, Falou tudo.
Ramon Melo
Aí você está supondo que o WP8 resolverá essas limitações. Eu lido com fatos: a Microsoft não implementou nada disso porque não quis, e não existe absolutamente nenhum sinal que indique ela vá mudar de ideia num futuro próximo. Aliás, o antigo Windows Mobile não tinha essas limitações. Meu HTC HD2 rodava vídeos MKV e AVI graças a um aplicativo third-party, embora ele não tivesse potência suficiente para rodar nada além de 720x480. Ou seja, a Microsoft tomou a decisão de capar o SO em 2010, quando lançou o WP7. Não vejo motivos para ela voltar atrás agora, em 2012.
@yagogabriell
Pode ter passado o número de aparelhos, mas não na qualidade.
Anderson Soares
meu amigo...vc falou tudo, tbm tenho um Nokia N8 e concordo plenamente com tudo q vc falou....até hoje eu não sei o q esses sites q falam tão mal da Nokia ganham....a Apple deve pagar muito bem para eles.....tive um Nokia N95 e ele já fazia tudo q um Android faz hoje...até os jogos do N95 eram os melhores na época com o N-GAGE e mesmo assim desciam a lenha na Nokia.....o único problema dos celulares da Nokia hoje em dia, é q os desenvolvedores não querem fazer apps para eles....mesmo o N8 tenho um hardware limitado hoje em dia.....ele ainda é muito melhor q muitos Androids por ai.....
Jean
"(...) ainda tenho muita coisa pra fazer hoje." E vc ainda escreveu um texto desse tamanho?
Pedro
Uma coisa é uma empresa perder um posto, outra coisa totalmente diferente é ela entrar em falência ou abrir concordata como vi alguém citar ai em cima. É visível que a Nokia não é a mesma empresa de antes e, sinceramente, não acredito que isso seja culpa somente de seus executivos ou pelas decisões tomadas ao longo desses anos. Concordo que a Nokia escorregou ao se adequar ao novo mercado de celulares mas boa parte de toda esta situação é da mídia especializada. Aliás, eu não entendo o interesse da mídia especializada até hoje. Quando os smartphones da Nokia carregavam consigo um Symbian S^3 ela era taxada de antiga e atrasada por jornalistas que se diziam entendidos do assunto e que talvez nem tenham tido o trabalho de testar o sistema em questão. Digo isso porque sou um feliz usuário de um N8 e não vejo grande diferença entre o Symbian Belle (antigo S^3), Android e iOS. Digo "grande diferença" pois sei que sistemas possuem pontos fortes e pontos fracos, isso é comum, isso se chama concorrência. Depois de muita paulada a Nokia decidiu cortar a produção do Symbian e do MeeGo (apesar de continuarem sendo desenvolvidos internamente) e decidiu apostar no Windows Phone o que, críticas a parte, foi uma boa jogada já que a Nokia nunca foi muito bem recebida no mercado norte americano e tal parceria com a Microsoft e com a AT&T abriria uma enorme porta na terra do tio Sam. E dessa vez qual foi o o resultado? Mais paulada! "Não tem aplicativos, precisa amadurecer, é fraco demais..." e mais uma porrada de argumentos no-sense. É claro que faltam aplicativos, a plataforma é nova... na minha opinião ainda acho que o ritmo de crescimento da Marketplace está acima do esperado... e isso é devido à grande campanha iniciada pela Microsoft e também pelos cheques gordos que o Sr. Steve Ballmer envia aos escritórios de desenvolvimento. O sistema precisa amadurecer sim, foi lançado a pouco tempo, muitas atualizações ainda virão pela frente. Ou vocês se esqueceram que o Android não nasceu "bonitinho" (!?) como é atualmente? O sistema chegou tarde em comparação com os outros concorrentes, mas não chegou tarde para ganhar mercado. Isso é bom, é concorrência, e concorrência significa produtos melhores, preços melhores e clientes satisfeitos. Adoro debater sobre o assunto e poderia citar muitos outros pontos, mas ainda tenho muita coisa pra fazer hoje.
Alex Rodrigues
Eu, sinceramente iria preferir que ela focasse apenas em um OS, poderia ser no próprio Symbian. Más teria que melhorá-lo bastante e deixá-lo competitivo. Ela começou a atirar para vários lados e acabou se perdendo.
Rennan Alves
@Luandersonn Cara, é aquela coisa, não posso afirmar nada sobre o Apollo uma vez que: - O SDK não está disponível (pelo menos não o vi disponível). - Qual hardware ele suporta. - Qual software (codec's, framework's, etc.) ele suporta. - Ele ainda não foi lançado. Já sobre o Mango, posso dizer seguramente que ele é um ótimo sistema, contudo ele é restritivo demais (acho que até mais que o IOS). Claro, isso facilita a vida dos usuários e dos desenvolvedores, mas impede que ele suporte mais configurações.
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