Acer critica decisão da Microsoft de produzir seu próprio tablet

Paulo Higa
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Os fabricantes OEM certamente não ficaram nada felizes com a entrada da Microsoft no mercado de hardware com o tablet Surface, mas até agora as empresas não haviam declarado sua insatisfação. Isso acaba de mudar: JT Wang, CEO da Acer, abriu a boca e criticou publicamente a nova estratégia da Microsoft, afirmando que esses planos poderiam criar um “impacto negativo” no ecossistema de PCs.

Nesta segunda-feira (6), Wang revelou ao Financial Times o que disse para a Microsoft sobre o Surface: “Pense duas vezes. Ele vai criar um impacto negativo enorme para o ecossistema e outras marcas podem ter uma reação negativa. Essa não é uma área em que você é boa, então pense duas vezes”. Eu não estava lá para ouvir, mas o tom parece meio ameaçador.

Surface, o tablet que está causando brigas entre a Microsoft e os fabricantes OEM

O presidente de operações globais de computadores pessoais (respira!) da Acer, Campbell Kan, declarou que sua empresa ainda está discutindo internamente como criar um produto à altura do Surface. “Se a Microsoft… está entrando no mercado de hardware, o que devemos fazer? Devemos continuar dependendo da Microsoft? Ou encontrar outras alternativas?”, disse o executivo.

O descontentamento dos OEMs é compreensível. Nas últimas duas décadas, a Microsoft formou uma grande parceria com os fabricantes, que montavam seus PCs, instalavam o Windows e vendiam as máquinas ao consumidor final. Com a entrada da Microsoft nesse mercado, os atuais fabricantes poderão brigar com uma concorrente muito forte, afinal, ninguém conhece o Windows melhor que a própria Microsoft.

É muito provável que as vendas dos OEMs diminuam com a entrada da Microsoft, mas não acho que isso possa causar crises ou falências. Os fabricantes poderão continuar montando seus próprios PCs com Windows; não há nenhuma restrição da Microsoft quanto a isso. Apenas façam produtos melhores que os da Microsoft e as pessoas continuarão comprando seus PCs, queridos fabricantes.

Com informações: Financial Times.

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