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Funcionários da Foxconn entram em greve na China

Linhas de produção do iPhone 5 foram paralisadas.

Paulo Higa
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Os funcionários da Foxconn parecem estar cada vez mais insatisfeitos com seus empregos. Após inúmeros suicídios e reclamações por salários baixos e jornadas de trabalho exaustivas, os empregados decidiram paralisar suas atividades. A greve na unidade de Zhengzhou, envolvendo cerca de três a quatro mil funcionários, veio junto com brigas e até castigos físicos por parte dos inspetores.

Quem denuncia o problema é o China Labor Watch, uma organização sem fins lucrativos que pressiona as empresas para que elas forneçam melhores condições de trabalho. O comunicado diz que, segundo os funcionários, houve brigas entre os trabalhadores e os inspetores de controle de qualidade, o que danificou equipamentos e feriu algumas pessoas — alguns funcionários foram inclusive hospitalizados.

E por que decidiram fazer a greve só agora? A organização relata que, devido a grande demanda do iPhone 5, a Apple exigiu que a Foxconn aumentasse sua produção e, ao mesmo tempo, melhorasse a qualidade de construção dos aparelhos. Os funcionários precisariam trabalhar mais horas para cumprir suas metas e não poderiam descansar nem nos feriados.

O iPhone 5 exige que os funcionários trabalhem com recortes de 0,02 milímetro e utilizem outras técnicas mais sofisticadas, mas a Foxconn não deu nenhum treinamento específico e os diretores não ligaram para o problema. Com fortes pressões, várias linhas de produção de iPhones 5 foram paralisadas durante o dia.

A Apple e a Foxconn ainda não se pronunciaram oficialmente sobre o assunto, e nós não sabemos como essa greve pode afetar a venda de iPhones no mundo. Segundo relatos, o estoque de iPods Nano e iPods Touch está baixo. No Japão, os primeiros iPods seriam entregues na próxima terça-feira, mas o prazo deve ser estendido em mais duas ou três semanas.

Com informações: CNET, Gizmodo.

Atualização às 18h10, 06/10 | Em nota por email, a Foxconn negou que tenha havido uma greve. A Xinhua, agência de notícias oficial do governo chinês, entretanto, afirma que cerca de 100 inspetores se recusaram a trabalhar durante uma hora na sexta após uma agressão por parte de funcionários insatisfeitos com o rígido controle de qualidade.

Paulo Higa

Editor-executivo

Paulo Higa é jornalista, com MBA em Gestão pela FGV e uma década de experiência na cobertura de tecnologia. Trabalha no Tecnoblog desde 2012, viajou para mais de 10 países para acompanhar eventos da indústria e já publicou 400 reviews de celulares, TVs e computadores. É coapresentador do Tecnocast e usa a desculpa de ser maratonista para testar wearables que ainda nem chegaram ao Brasil.

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