Arquivo Jogos

Jogos malignos – melhores que filmes de terror

"Tomar controle da exploração de um ambiente assustador, como os fãs de survival horror devem concordar, é imensamente mais tenebroso."

Izzy Nobre
Por

As melhores ofertas,
sem rabo preso

Uma das tradições halloweenísticas gringas (além das festinhas a fantasia no dia 31 de outubro)  é fazer maratonas de filmes de terror, dos quais há duas categorias: os de comédia com elementos de terror (aí se encaixam “Caça-Fantasmas”, “Gasparzinho”, “Família Addams” e similares) e os de terror de verdade, como “O Iluminado”, “O Exorcista”, ou “O Grito” (este último que me rende ridicularizações sempre que admito publicamente que o achei aterrorizante).

Quando eu estava preparando a playlist de filmes de terror pra assistir com a mulher, que odeia o gênero porque é mais medrosa que eu, tive uma ideia que não sei como nunca me veio antes: misturar os filmes de terror com jogos de terror.

Games de terror são o complemento perfeito para essa jornada sazonal no mundo mórbido. Jogos permitem uma imersão que filmes sequer sonham em alcançar; num filme, o máximo que tenho de interação com o que está acontecendo na tela é clamar futilmente que a mocinha não vá investigar os sons estranhos no porão.

Num game, sou eu mesmo que estou indo averiguar os tais ruídos, a despeito das minhas instruções contrárias a personagens cinematográficos que se encontram na mesma situação. Curiosa dicotomia.

Um dos jogos mais assustadores que eu joguei na vida foi o Siren, um game que considero extremamente pouco valorizado.


YouTube

Siren (lançado em alguns países como Forbidden Siren) se encaixou perfeitamente naquele  contexto cultural do começo dos anos 2000, quando o Ocidente acabara de descobrir (e se maravilhar com) o horror japonês.

O game, com claras influências lovecraftianas, conta a história de uma remota cidade japonesa que ficou “isolada” do tempo e do espaço por causa de um ritual arcano interrompido na hora chave. Um ser demoníaco acorda como resultado do ritual incompleto e faz com que os habitantes da cidade entrem num mar vermelho que surgiu ao redor da cidade, transformando-os em zumbis.

O jogo tem um jeitão de Silent Hill, você comenta? Adivinha que série clássica de survival horror o criador de Siren também trouxe ao mundo.

Você controla 11 personagens (cada um com um motivo diferente pra estar envolvido na história), boa parte dos quais acaba morrendo ao longo dos três dias em que a trama jogo se passa. E a característica mais interessante do jogo é a mecânica de “sightjack” ou “sequestrar a visão” em tradução livre.

Uma vez afetados pelo ritual interrompido no começo do jogo, os personagens ganham a capacidade de invadir a mente de vários NPCs (incluindo os zumbis), e assim ganhar uma noção melhor do ambiente ao seu redor. Ou seja, você pode ver o jogo pelo ponto de vista dos inimigos, o que eleva o nível de imersão ainda mais e é curiosamente agonizante porque você está completamente indefeso durante o processo e frequentemente se vê sendo atacado pelo ponto de vista do mesmo ser que te matou.

Esse é o tipo de imersão que um filme, por mais assustador que seja, é incapaz de simular. Tomar controle da exploração de um ambiente assustador, como os fãs de survival horror devem concordar, é imensamente mais tenebroso. Uma coisa é tomar aquele susto imenso quando algum bichão salta na tela de um filme de terror; você talvez engasgue na pipoca mas a fita continua, com todos os eventos pre-determinados, quer você esteja olhando ou não. A passividade dessa forma de entretenimento provoca um terror mais superficial, na minha opinião.

"Alone in the Dark"

“Alone in the Dark”

A sensação é muito mais desnorteante quando você precisa reagir aos sustos com o controle na mão. Diferente de um filme, o andamento da trama de um game depende diretamente de você, então mesmo com aquela injeção de adrenalina nas artérias você ainda é obrigado a manter algum semblante de controle sobre a situação.

Ainda lembro como se fosse ontem da primeira vez que joguei o demo de Alone in the Dark, no momento em que o monstro (os poucos polígonos tornavam a identificação do bicho quase impossível) quebrava a janela do sótão da casa e atacava o protagonista. Um longo período de tensão e suspense, seguido do susto inesperado e uma total confusão em relação a próxima ação a tomar.

Aliás, essa indecisão de como se salvar do monstro dava longevidade ao susto: ainda que você soubesse que o lobisomen (?) estava por vir, descobrir como se livrar do bicho e a pressa pra executar o plano a tempo acrescentava ao suspense.

Aproveitando o espírito de Halloween que ainda está passando, quais outros jogos de terror mesmo você recomenda?

Izzy Nobre

Ex-autor

Israel Nobre trabalhou no Tecnoblog entre 2009 e 2013, na cobertura de jogos, gadgets e demais temas com o time de autores. Tem passagens por outros veículos, mas é conhecido pelo seu canal "Izzy Nobre" no YouTube, criado em 2006 e no qual aborda diversos temas, dentre eles tecnologia, até hoje.

Mais Populares

Responde

Relacionados

Em destaque