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Rotinas de gamer

Alguns hábitos estranhos da vida de jogador

Izzy Nobre
Por

As melhores ofertas,
sem rabo preso

Seres humanos são criaturas de hábito, diz-se. Nossa existência se define por rotinas: acordar cedo todo dia, pegar o mesmo ônibus no mesmo ponto para ir à escola/faculdade/trabalho, acessar as mesmas redes sociais escondido do chefe (que, apesar de ser justamente uma tentativa de quebrar um pouco da rotina, acaba se encaixando curiosamente nela).

Da mesma forma, gamers também têm suas rotinas. É um pouco contraditório que até mesmo um hobby acabe sendo vítima desse padrão (uma vez que “rotina” traz à mente uma ideia de mesmice, de marasmo, o que não combina com um passatempo), mas é como falei no começo: não dá pra escapar de rotinas. A gente cai nelas sem nem perceber.

Uma das minhas principais rotinas relacionadas a games é acessar meus sites favoritos com notícias de jogos, geralmente pra acompanhar as notícias sobre aquele jogo cujo lançamento está marcado com caneta hidrocor vermelha no calendário (junto com uma listinha de possíveis desculpas pra dar ao chefe pra justificar sua falta naquele dia).

Falando em faltar no trabalho por causa de um jogo, uma outra rotina relativamente comum por estas bandas aqui de cima vai um pouco além: tem malandro que trata de sincronizar as férias (ou pelo menos uma folga estendida) com o lançamento de algum game blockbuster, pra poder passar os próximos dias jogando sem parar. Meu próprio chefe confessou apelar pra essa prática quando “Skyrim” saiu; já meu irmão pediu quase uma semana inteira quando “Gears of War 2” foi lançado.

Uma rotina que eu tentei estabelecer (sem sucesso) é jogar videogame comendo. Sim, eu reconheço que almejar isso me faz soar como se eu tivesse níveis alarmantes de colesterol daquele que explode artérias. Entretanto, no interesse de honestidade quase jornalística (porém com alguma vergonha) eu confesso que em muitas longas campanhas de jogatinas na madrugada, me frustrei fazendo o malabarismo com o controle, um pedaço de pizza e um copo de Coca Light (a maior auto-enganação do gordo, perceba). Você emporcalha o controle, quebra o ritmo do jogo nesse revezamento entre o game e o quitute, e invariavelmente precisa largar a guloseima na “melhor mordida” porque a cutscene acabou e subitamente o Drake tá tomando bala na cara. “Eita, voltou!”, você diz enquanto joga a pizza de volta no prato e limpa as mãos apressadamente na camisa, lamentando a morte precoce do protagonista e a experiência gastronômica interrompida.

Não sei se é porque minha técnica de multitasking não é boa o suficiente, ou se estou tentando gerenciar simultaneamente gêneros incompatíveis (macarronada com um first person shooter, pra dar um exemplo). Peço que nos comentários aqueles com melhor coordenação motora me expliquem suas combinações otimizadas de comida com games.

Temos que pegar!

Temos que pegar!

Tenho uma outra rotina que eu sei que compartilho com alguns leitores. Jogo “Pokemon” desde os primeiros jogos, lançados para o Game Boy. O problema é que lá pelas tantas no jogo, perco o foco e a garra do treinamento de pokemons – então abandono meu save.

Meses mais tarde, quando o interesse pelo jogo ressurge aleatoriamente, tento retornar ao clássico RPG e percebo que não consigo mais pegar o fio da meada. A falta de familiaridade é tamanha que é como se este save nem fosse meu; não sei onde estou, quais são todos os pokemons tenho ao meu dispor, não sei que quests já cumpri e qual era a próxima na lista.

Por causa dessa confusão, invariavelmente acabo começando o jogo inteiro de novo. Nessa brincadeira eu já comecei uns trinta jogos de “Pokemon”, sem jamais chegar sequer à Liga, sempre escrevendo em cima do último save quando meu retorno a este se torna confuso. Sinto-me tão fadado a essa rotina que já me resignei ao fato de que provavelmente jamais zerarei esse jogo; na minha cabeça, “Pokemon” virou uma experiência, em vez de uma aventura com um final claro – e por causa disso, a rotina em que eu me encontro mudou até a maneira como eu vejo o jogo.

Quais as suas rotinas gamer?

Izzy Nobre

Ex-autor

Israel Nobre trabalhou no Tecnoblog entre 2009 e 2013, na cobertura de jogos, gadgets e demais temas com o time de autores. Tem passagens por outros veículos, mas é conhecido pelo seu canal "Izzy Nobre" no YouTube, criado em 2006 e no qual aborda diversos temas, dentre eles tecnologia, até hoje.

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