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Grandes dúvidas sobre o PlayStation 4

Gus Fune
Por

As melhores ofertas,
sem rabo preso

Na semana passada a Sony apresentou o tão aguardado PlayStation 4, seu console para a nova geração. Durante a apresentação vários detalhes da plataforma foram apresentados, inclusive do funcionamento do console, mas, no meio de uma apresentação de espelhos e fumaça, muitas dúvidas ficaram no ar e que podem fazer toda diferença pro console.

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A tão falada nuvem

Um dos pontos mais tocados pela Sony durante a apresentação foram as funcionalidades integradas com computação nas nuvens. A nova tendência no mundo digital chegou com tudo na Sony com a compra da Gaikai, uma das empresas ponta de lança nessa tecnologia voltada para games.

E a primeira chateação pros jogadores foi em relação aos games de PS3. Não vai ser possível rodar games da plataforma anterior no novo Playstation. Mas antes de deixar os gamers enfurecidos, a Sony complementou com “será possível jogar via streaming”. A questão é: como será esse streaming? A maior questão é: eu vou ter que pagar de novo pra jogar no PS4 um jogo que eu já tenho?

Outro ponto que chateou muita gente é a respeito do catálogo da PSN. Quem tem compras feitas na atual PSN não poderá transferir pra loja do PS4. Ou seja, os games de PS1 e PS2 que já foram comprados talvez tenham que ser comprados de novo pra rodar na rede do novo console. Uma alternativa, e outra questão, é se a Sony vai liberar algum tipo de pacote especial de assinatura a la Playstation Plus, permitindo o acesso direto a um certo catálogo.

Uma possibilidade com o advento da computação na nuvem é o do processamento de elementos do game em máquinas lá longe, economizando recursos do console e permitindo games mais elaborados. “SimCity”, que sai em março, é um dos games mais recentes a usar esse tipo de recurso. A Sony não falou nada se a nuvem da Gaikai poderá ser usada por desenvolvedores em games, porém, é uma ideia interessante que aumentaria bastante o potencial do que está por vir no PS4.

A principal questão em todo esse papo de nuvem é em relação a disponibilidade e velocidade em vários países. Hoje é praticamente impossível jogar qualquer jogo via streaming nas redes da Gaikai ou da sua principal concorrente, a OnLive, por conta da distância dos datacenters deles, somados as velocidades de internet disponíveis hoje pro público geral no Brasil. A latência recomendada para jogar via streaming é abaixo dos 50ms, sendo 80ms o limite até a experiência de jogo ficar comprometida.

Se não existir um esforço muito eficiente de redução da latência na conexão para servidores nos EUA, ou ainda se não for montado um datacenter na América Latina, vai ser complicado conseguir algo abaixo dos 100 ms aqui no Brasil, dando um banho de água fria no gamer brasileiro. Enquanto essa questão permanecer nebulosa, não se empolgue com o PS4, a não ser que você tenha um backbone conectado direto na sua casa.

Segunda tela

Basicamente, toda a ideia de uma segunda tela de apoio como a do GamePad do WiiU ou do Xbox SmartGlasses chega agora para o PS4. A Sony vai disponibilizar apps de iOS e Android junto ao lançamento do console. Indo além, dentro dos aplicativos para celulares será permitido fazer compras remotas que o console baixará em casa. Perfeito pra aquela hora em que você lembra que saiu um game ou DLC novo enquanto está preso no trânsito.

Uma funcionalidade exclusiva pro PS4 é o Remote Play com o PS Vita. Qualquer jogo (habilitado para essa função) poderá ser controlado pelo portátil e ter a tela de jogo exibida nele. Só é possível porque o PlayStation 4 assumirá a função de servidor de streaming quando a função estiver ativa.

DualShock 4 e o futuro dos games de movimento

DualShock 4

DualShock 4

O novo controle do PS4, o DualShock 4, chamou atenção em duas funcionalidades novas. Um trackpad multitouch no meio do controle, que ainda falta muito para vermos como desenvolvedores vão aproveitar isso nos games, e uma barra de luz no fundo do controle.

Fora o fator estético, essa barra de luz vai permitir que o controle seja usado como controle de movimento ao ser detectado pela nova versão da PS Eye, uma câmera específica para o console. Ou seja, o novo controle além de ser um tradicional controle, também reúne as funcionalidades dos controles de movimento, que geralmente são vendidos separados e são mais tranqueiras para acumular junto ao console. A grande questão é: será que vai pegar essa ideia? Será que os games de movimento terão um bom espaço nessa nova geração ou será que ficarão na várzea?

Falando em movimento também foi apresentada a nova PS Eye, dessa vez com duas câmeras, o que permite filmar em 3D com detecção de movimentos. Falaram que o PS4 poderá ser controlado pela voz e os gestos dos jogador. Se você pensou em Kinect, está correto, é a mesma ideia. A grande questão aí é: será que isso será incorporado dentro de games ou ficará restrito ao menu? Ou ainda, será que a Microsoft vai processar a Sony pela câmera e recursos muito parecidos?

Cadê o console?

Essas são as principais questões que permeiam o (talvez precoce) anúncio do PS4. E cadê o console? Como ele vai ser afinal de contas? Nem a Sony sabe essa resposta, mas torço eu por ser um quatro preto parecido com a logo dos quatro fantásticos. Seria no mínimo inortodoxo.

Vídeo – “O misterioso caso do Playstation 4”

Gus Fune

Ex-redator

Gus Fune é formado em Comunicação Social e pós-graduado em desenvolvimento e design de Games. No Tecnoblog, cobriu eventos como Electronic Entertainment Expo (E3), Game Developer Conference (GDC) e South by Southwest (SXSW) e escreveu sobre esse universo. Atua, hoje, como diretor de tecnologia e assessor, mas já esteve em projetos de empresas como 3M e Motorola.

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