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Como melar o lançamento de um excelente produto: o Nexus 7

Estrelando a Asus e o Google Brasil, com participação especial do Walmart

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Muito esperado pelos consumidores porque utiliza o melhor (ou quase isso) hardware fabricado pela Asus e o (certamente) melhor software do Google. O tablet Nexus 7 está à venda no mercado brasileiro desde o início da semana. A rede online Walmart cobra exatamente 999 reais pelo aparelho, o que o coloca ligeiramente abaixo da barreira psicológica dos mil reais. Parece uma boa pedida para os clientes. O que pouca gente sabe é que houve muito desentendimento até que a loja virtual começasse a vendê-lo.

Nexus 7: R$ 999 no site do Walmart

Nexus 7: R$ 999 no site do Walmart

Podemos dizer com certa tranquilidade que a Asus e o Google vinham discutindo uma forma de lançar conjuntamente o aparelho no mercado brasileiro. Com toda aquela pompa e circunstância que permitiram ao Google trazer Hugo Barra, o responsável pelo Android, para mostrar em primeiro mão o Nexus 4 fabricado pela LG. Com a Asus, porém, as coisas foram um pouco diferentes. Para se ter uma ideia do pé em que a situação ficou, tanto o escritório que faz assessoria de imprensa para a Asus como a agência do Google dizem que não se pronunciarão mais a respeito do Nexus 7. É um filho sem dono. Exceto, talvez, se considerar o Walmart como novo responsável pelo produto no mercado brasileiro.

Chegou aos nossos ouvidos que as duas empresas – fabricante e parceira comercial – não chegaram a um acordo para vender o produto no país. Lá fora, como você já sabe, o Google subsidia o preço da linha Nexus no mercado norte-americano. Afinal, os desenvolvedores são o público-alvo perfeito para os produtos. Eles compram, criam novos aplicativos para o ecossistema e, no fim de tudo, o Google fortalece a loja Google Play. Funciona muito bem por lá. Em outros países, porém, o Google não se posiciona dessa forma. Não tem subsídio. A Asus ficou a ver navios.

Embora não assuma publicamente essa informação, a Asus já tinha importado um lote inteiro do Nexus e se preparava para distribuir aos varejistas. Acreditamos que só faltava o aval do Google. Faz sentido, por sinal, que só faltasse isso. O aval e mais um dinheirinho para promover o lançamento do tablet com Android puríssimo e todos os serviços nativos do buscador. Essa autorização nunca chegou. O projeto ficou na gaveta por muito tempo e ninguém mais quer falar dele.

Entra o Walmart

Eis que vem o Walmart, esse gigante do varejo eletrônico. Têm dinheiro e poder de barganha. Reza a lenda que eles compraram todas as unidades do Nexus 7 que estavam em posse da Asus e decidiram comercializar do jeito que achassem melhor. Ótimo para a empresa de Taiwan, que estava com o estoque paralisado. Ótimo para o Walmart colocar um aparelho competitivo em sua vitrine com selo de “exclusivo”. Péssimo para o Google, que perde em termos de relações públicas ao desaparecer dessa história.

O Nexus 7 levou nada menos que nove meses para chegar ao mercado nacional. Ele é importado e, segundo consta, a fabricante não tem qualquer disposição em fabricá-lo por aqui, como a LG faz com o Nexus 4. Resta saber se os consumidores vão responder à altura depois de tantos meses de muita espera.

Nexus 7 desmontadinho

Resumindo, pegue um bom produto, coloque na mão de duas empresas que não se acertam em termos de dinheiro e recursos para promovê-lo, e veja como se faz para melar o que poderia ser um dos maiores lançamentos do ano. Parabéns para a indústria brasileira. Mandaram bem, só que não.

E a garantia?

Ainda não conseguimos confirmar se a garantia obrigatória (prevista na legislação vigente) do Nexus 7 ficará a cargo da Asus ou do Walmart. Não está claro para nós se a loja virtual importou, ela própria, o produto ou comprou da Asus o tal primeiro lote de que se fala nos bastidores do mercado. Uma coisa é certa: o consumidor tem o direito à garantia caso o produto dê problema.

Tentamos contato com a assessoria de imprensa do Walmart, mas a mensagem voltou porque a Inbox do responsável pelas relações públicas estava lotada. Acredite se quiser.

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