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Gafes em tempos de mobilidade

Bia Kunze
Por

As melhores ofertas,
sem rabo preso

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Quando falamos em gafes da era da mobilidade, a primeira coisa que vem à mente é o tal corretor ortográfico que mais parece coisa de troll do que de dispositivo inteligente. Quem não tem um “causo” envolvendo autocorreções bizarras? Acho que a pior que aconteceu comigo foi quando meu previsor achou que a palavra “nerd” deveria ser substituída por “merda”. Já pensou, logo eu, chamando nerd de merda? Ia dar uma dor de cabeça para o resto da vida…

Por isso, não raro, os usuários tem preferido desligar essa funcionalidade. Curioso, era algo que deveria simplificar nossa vida. O já idoso T9, nesse sentido, era muito mais esperto!

Mas não é só o previsor de palavras dos celulares que nos bota em maus lençóis. Recentemente, o aplicativo WhatsApp me colocou numa tremenda enrascada!

Certo dia, depois de um alerta de aniversário no meu smartphone, fui dar parabéns para uma pessoa com quem não falava há muito tempo e que “apareceu” na minha lista de contatos também como usuária do WhatsApp. Ora, por que não parabenizá-la usando o aplicativo, então?

No Android, calendário e agenda de contatos nativos se integram de uma maneira muito mais orgânica com redes sociais e apps de terceiros. Com poucos toques, pulamos de um compromisso para a timeline de uma pessoa no Facebook, por exemplo. Ou para SMS. Ou até para o WhatsApp: se a pessoa também usa esse aplicativo, um pequeno ícone prontamente indica isso dentro da agenda.

Foi o que fiz: pulei do alerta direto para uma nova mensagem no Whatsapp.

O que sucedeu foi kafkiano. Depois de alguns minutos de um papo completamente surrealista, quase esquizofrênico, descobri que aquele “contato” não era mais aquele “contato”. O número de celular agora pertencia a outra pessoa! Que vergonha – e eu sou aquele tipo de pessoa que não perde a chance de zoar ou provocar um amigo…

O mais bizarro é que, pelo visto, o aplicativo não faz um “match” dos dados do contato na agenda com os dados que a pessoa registra na rede. Afinal, quando você cria uma conta e confirma seu número de celular no serviço, você é convidado a colocar seu nome com opção até de foto. Pra que servem esses dados então, se na lista dos seus amigos você aparecerá com o nome que está na agenda DELES?

Depois de relatar o incidente na minha página do Facebook, diversos leitores confirmaram o problema. E disseram para tomar cuidado. Vários também passaram por situações parecidas…

Minha agenda de contatos tem uns 14 anos. Desde que passei-a do papel para o digital, em 1999, nunca apaguei ninguém. Do primeiro Palm para o segundo, o terceiro, o quarto… e depois, do Palm Desktop exportei-a para o Microsoft Outlook… para sincronizar com todos os dispositivos móveis Windows Mobile e Symbian que tive desde então. Mais tarde exportei para um servidor Exchange e passei a usar nuvem. Depois veio iCloud, aí voltei pro Exchange novamente, para usar com iOS, Android, Windows Phone, etc etc etc. O fato é que na última década eu ia exportando e importando como se não houvesse amanhã.

Após o ocorrido, dei uma boa vasculhada um a um nos meus contatos que apareciam no WhatsApp, e realmente, muitas fotos não batem com o nome que está na minha agenda. Em casos assim, podemos tomar cuidado. Mas e aquelas pessoas usam na foto avatares genéricos, de personagens ou fotos de praia, caso do meu amigo que não era meu amigo?

Pelo menos o final foi engraçado. Minha sorte foi que a pessoa levou na esportiva. Aliás, a pessoa foi até muito simpática! Dois malucos desejando felicidades um ao outro, sem sequer saberem quem são. Até hoje dou graças a Deus de não ter sido alguém com quem eu tivesse tido algum envolvimento romântico, senão…

* * *
P.S.: Prezados, depois de uma pausa aqui no Tecnoblog e no meu blog (ajeitando a vida e a saúde), estou de volta. Agora, manterei a regularidade. Obrigada a todos os comentários que vocês deixam na minha coluna, sempre leio tudo e adoro.

Bia Kunze

Ex-colunista

Bia Kunze é consultora e palestrante em tecnologia móvel e novas mídias. Foi colunista no Tecnoblog entre 2009 e 2013, escrevendo sobre temas relacionados a sua área de conhecimento como smartphones e internet. Ela também criou o blog Garota Sem Fio e o podcast PodSemFio. O programa foi um dos vencedores do concurso The Best Of The Blogs, da empresa alemã Deutsche Welle, em 2006.

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