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Garota canadense disputa prêmio de US$ 40 mil com coreanos em torneio de StarCraft II

E termina com uma colocação merecedora de aplausos

Renata Persicheto
Por

As melhores ofertas,
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A segunda temporada da WCS (World Championship Series) Europa se encerrou no último dia 25, levando os maiores jogadores de StarCraft II do mundo à Alemanha, em busca do prêmio máximo de US$ 40 mil. Em tempos da febre League of Legends, é de se espantar que mais de cem mil pessoas tenham assistido à partida final do campeonato, que rolou em pleno domingo.

Durante o ano, os jogadores profissionais do game vêm fazendo campanha e se classificando nas outras etapas e temporadas da WCS, realizada oficialmente pela Blizzard. Caso você não esteja familiarizado com o jogo, segue um pequeno resumo que vai te ajudar a entender um pouco mais do campeonato:

Os jogadores escolhem uma entre as três raças (Zerg, Terran e Protoss) que lhes acompanharão basicamente por toda vida. Não é fácil chegar aos níveis profissionais em StarCraft, então geralmente o jogador se foca em uma única raça para treinar. Cada uma delas tem seu forte e cada unidade de uma raça é balanceada para combater melhor uma unidade específica de outras raças.

Certo? Então vamos em frente.

O curioso da etapa europeia da WCS é que, pra variar, as chaves finais foram quase absolutamente dominadas por jogadores asiáticos, com exceção da Zerg Sasha “Scarlett” Hostyn, canadense e pro-player desde 2011. O mais curioso? Sasha é uma garota de 19 anos.

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Representando o Team Acer, Scarlett, que sempre figura entre os finalistas dos campeonatos de StarCraft, mora com seus companheiros de equipe numa Team House na Alemanha, onde os inquilinos (sim, eles moram lá; não, não se parece com um campo de tortura) se voltam exclusivamente para treinar suas estratégias e melhorar seus resultados no jogo. É como se aquelas partidas de muitas horas na lan house do seu bairro acontecessem em sua casa e você fosse pago para ser bom nisso.

Ao lado de jogadores lendários como Lee “Jaedong”, Shin Hyung “Innovation”, Han “aLive” Lee Seok, o parceiro de time Mun “MMA” Seong Won e muitos outros coreanos, Scarlett fez uma campanha quase impecável durante todo o WCS Europe, vencendo MMA em seu primeiro jogo nas finais por 2-0. Como o páreo contra asiáticos é sempre duro, a “Rainha Zerg” perdeu nas quartas de final para o Terran Choi “Bomber”, num respeitável 2-3.

A WCS Europa acabou sendo faturada por Bomber, que levou a grande final contra Jaedong, um dos melhores jogadores Zerg do mundo, numa massacrante e merecida melhor de 5 (opa, errei aqui: a final foi resolvida numa melhor de SETE), por 4-0.

Os resultados das temporadas do WCS levarão os 16 melhores classificados para a grande (grande mesmo) final, que acontecerá na Blizzcon deste ano, em novembro. Infelizmente, parece que não teremos uma representante feminina ou norte-americana concorrendo aos US$ 100 mil do campeonato, já que Scarlett se classificou na 17ª posição da liga.

Por que é tão difícil competir com asiáticos?

Na Coreia do Sul, StarCraft é parte da cultura do país e é tido como o futebol para nós, brasileiros. Isso significa que, ao invés de chutar bolas de meia pelas ruas da vizinhança, um pirralho sul-coreano cresce treinando para aumentar suas APMs.

As “ações por minuto” são determinantes para saber quão “multitarefas” você é capaz de ser. Como nos jogos de estratégia em tempo real é necessário comandar, ao mesmo tempo, a produção do exército, unidades, estruturas, upgrades e ataques, é bem importante ter coordenação para fazer tudo de uma vez.

Dá pra entender isso melhor assistindo ao vídeo abaixo:

O crescimento dos eSports vem sendo notável nos últimos anos. Com a popularização do gênero, que começou a tomar proporções mundiais após o lançamento de League of Legends, cada vez mais torneios vêm revelando grandes jogadores (e pagando prêmios bem altos e crocantes). A profissão foi até reconhecida, recentemente, nos Estados Unidos, onde vistos para jogadores profissionais estão sendo liberados mais facilmente.

É o jeito perfeito de mostrar pra sua mãe que a grana gasta e as horas perdidas em jogos não foram tão perdidas assim. Se você tiver alguma ascendência asiática, então, os resultados podem ser melhores ainda.

Renata Persicheto

Ex-redatora

Renata Persicheto é formada em marketing pela Anhembi Morumbi e trabalhou no Tecnoblog como redatora entre 2013 e 2015. Durante sua passagem, escreveu sobre jogos, inovação e tecnologia. Já fez parte da redação do portal Arena IG e também tem experiência como analista de inteligência de dados.

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