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Apoiar uma causa no Facebook pode diminuir as doações para ela

Giovana Penatti
Por

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Ao contrário do que se poderia imaginar, utilizar o Facebook para divulgar causa na qual você acredita pode não surtir o efeito desejado de ter mais pessoas ativamente apoiando-a – ou seja, doando para ela. Pode parecer óbvio para algumas pessoas, mas esse fenômeno foi estudado por uma universidade gringa e tem explicação.

Pesquisadores da University of British Columbia realizaram uma pesquisa com voluntários que eram convidados a apoiar uma causa gratuitamente, fosse entrando para um grupo no Facebook, aceitando um brinde ou assinando uma petição. Depois, foi pedido que eles doassem dinheiro à causa ou fizessem trabalho voluntário.

O resultado foi que os que apoiaram de maneira mais pública doaram menos, enquanto os que o fizeram de maneira mais discreta acabaram enfiando mais a mão no bolso.

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Há maneiras melhores de apoiar uma causa do que curtir uma fanpage

Segundo os pesquisadores, o motivo é que, ao demonstrar publicamente seu apoio, as pessoas sentem que já estão com o dever cumprido, pois já passaram uma boa impressão para os outros. Já quando apoiam em “segredo”, escolhem causas mais alinhadas aos seus valores, sem precisar impressionar ninguém e, assim, doam mais.

Esse fenômeno é conhecido como slacktivism, e tem como definição “a disposição para demonstrar apoio sem custo, junto com a falta de disposição para dedicar esforços significantes que possam causar alguma mudança”. Meio que se relaciona, também, com aquela história de revolução de sofá.

A conclusão é que, para as instituições que dependem de doações para sobreviver, ter uma participação tão ativa nas redes sociais pode ser mais danoso do que o imaginado. Apesar da ajuda na divulgação, se os likes da fanpage não se converterem em renda eventualmente, não há muita vantagem.

Giovana Penatti

Ex-editora

Giovana Penatti é jornalista formada pela Unesp e foi editora no Tecnoblog entre 2013 e 2014. Escreveu sobre inovação, produtos, crowdfunding e cobriu eventos nacionais e internacionais. Em 2009, foi vencedora do prêmio Rumos do Jornalismo Cultural, do Itaú. É especialista em marketing de conteúdo e comunicação corporativa.

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