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AT&T quer que algumas empresas paguem a conta de internet no lugar do usuário

Thássius Veloso
Por

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A maior operadora de telefonia dos Estados Unidos percebeu que está na hora dos gigantes da internet ajudarem a pagar a conta no fim do mês. Por esse motivo, a AT&T inaugurou um novo serviço chamado Sponsored Data (Dados Patrocinados) que será oferecido ao mercado e qualquer empresa terá a chance de subsidiar parte do tráfego de dados dos assinantes. Obviamente, esse subsídio valerá para os conteúdos que os patrocinadores acharem relevantes. A AT&T está de olho no Google, segundo uma reportagem do Wall Street Journal.

O plano é muito simples: o assinante recebe gratuitamente uma parte dos dados que utiliza ao longo do dia, desde que seja promovido por alguma empresa. No exemplo do WSJ, o Netflix poderia liberar o acesso a uma nova série com direito tanto ao conteúdo gratuito quanto à infraestrutura de rede necessária para assistir àquele episódio. O Google poderia fazer o mesmo para o acesso ao Google+.

Já pensou: a Netflix paga o custo de internet pra você assistir a uma nova série?

Já pensou: a Netflix paga o custo de internet pra você assistir a uma nova série?

Essa não é exatamente uma novidade aqui no Brasil, embora a aplicação seja um pouco diferente. Algumas operadoras locais liberaram o acesso às redes sociais sem custos – desde que o assinante não saia dos limites estabelecidos. Por exemplo, a Claro e a TIM permitem usar o Twitter sem pagar em alguns cenários. Se não me engano, a empresa de origem italiana possui acordo similar com o Facebook.

As operadoras americanas reclamam faz tempo de que a conta principal para manter a internet fica com elas, enquanto os grandes serviços online simplesmente usam a estrutura sem pagar nada – ou quase nada – por isso. Não chega a ser uma verdade absoluta: o Google mesmo participa de várias frentes de investimento no setor. Também aplica recursos em CDN, uma forma de manter o conteúdo fisicamente mais próximo dos internautas. Sim, traz vantagens para o buscador, mas também é uma forma de desafogar o tráfego em outras partes do mundo.

No caso da AT&T, três empresas já resolveram participar do Sponsored Data: a seguradora UnitedHealth, a empresa de marketing Aquto e uma fornecedora de serviços de nuvem Kony. A seguradora vai liberar o acesso a alguns sites e apps relacionados com saúde. Já a Aquto permitirá aos clientes usarem a tecnologia para exibir anúncios. Por fim, a Kony tem parceiros comerciais interessados em subsidiar especificamente o acesso dos empregados à internet. É uma forma curiosa de usar o serviço.

O WSJ lembra que a Amazon paga uma quantia mensal à AT&T para a conectividade do Kindle nos Estados Unidos. É graças a essa magia que o consumidor faz a compra de um novo título e, segundos depois, o conteúdo aparece no leitor de e-books. Tudo de graça.

Já a ESPN está em conversas com “pelo menos uma grande operadora” para subsidiar o acesso aos conteúdos da rede esportiva (uma empresa da Disney, por sinal).

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Imagina se a moda pega? Aqui no Brasil, consigo visualizar a Rede Globo fechando parcerias para transmitir os telejornais em tempo real, com acesso pago pelos anunciantes do canal. Ou então a entrega de revistas digitais da Abril diretamente nos tablets, com o tráfego de dados já incluso na assinatura. Melhor ainda se fosse sem limite de velocidade, vamos combinar.

Falta saber como um modelo de negócios assim poderia afetar a neutralidade da rede prevista no Marco Civil da Internet – aquele que ainda não foi votado.

Thássius Veloso

Ex-editor-executivo

Thássius Veloso foi editor e editor-executivo do Tecnoblog de 2008 a 2014. Liderou o noticiário e cobriu de perto os maiores acontecimentos do mercado de eletrônicos de consumo, games e serviços. É jornalista, palestrante e apresentador de tecnologia na rádio CBN e no canal de TV por assinatura GloboNews.

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