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Estes óculos 3D para louva-a-deus podem ajudar cientistas a criarem um sistema de visão para robôs

Emerson Alecrim
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Louva-a-deus com óculos 3D

Às vezes, imitar a natureza é o melhor jeito de desenvolver uma tecnologia. Um grupo de pesquisadores da Universidade de Newcastle, no Reino Unido, está levando esse preceito bastante a sério: eles criaram minúsculos óculos 3D para serem testados em louva-a-deus. O objetivo? Criar “olhos” para robôs bem mais avançados que os atuais.

Vendo de longe, a gente pode até achar o louva-a-deus um bichinho bonito e simpático — que maldade um ser que parece estar sempre rezando pode fazer? O louva-a-deus é um caçador agressivo, no entanto. Parte da grande habilidade de caça do inseto se deve à sofisticação de sua visão. É nisso que os cientistas estão de olho (com o perdão do trocadilho).

Pelo o que a ciência já apurou, o louva-a-deus é o único inseto que desenvolveu a chamada estereopsia, isto é, que consegue enxergar o mundo em três dimensões, tendo percepção bem desenvolvida de profundidade.

O problema é que os testes que relevaram a capacidade de visão 3D do louva-a-deus são muito antigos, tendo sido realizados em 1983. Além disso, esses testes eram limitados: somente um conjunto bem restrito de imagens podia ser mostrada ao inseto.

Foi aí que Jenny Read e sua equipe tiveram a ideia de criar óculos 3D bem pequenos para serem testados no louva-a-deus. O objeto em miniatura é semelhante ao que usamos nos cinemas que exibem filmes em 3D, mas são feitos de cera de abelha e têm lentes em tons de azul e verde, já que o inseto enxerga muito mal a cor vermelha.

Louva-a-deus com óculos 3D

No passo seguinte, as lentes em miniatura foram delicadamente posicionadas sobre os olhos do louva-a-deus. Depois, uma série de imagens foi colocada na frente do inseto. Vídeos de outros insetos se movendo também foram mostrados.

Os resultados do experimento, que durou cerca de dois anos, foram bem interessantes. Os louva-a-deus só atacaram as possíveis presas que apareciam nas imagens quando estas foram mostradas em três dimensões. Imagens de presas geradas em duas dimensões não produziram reação no inseto, comprovando a sua capacidade de estereopsia.

As próximas etapas serão mais trabalhosas. O cérebro do louva-a-deus é diminuto, portanto, é incrível que eles tenham capacidade de visão 3D e usem isso para buscar presas. Os cientistas querem entender melhor como esse mecanismo funciona no inseto.

Já se sabe que aspectos anatômicos do louva-a-deus favorecem a estereopsia: a forma dos olhos permite que o inseto tenha pontos focais diferentes; a comparação entre esses pontos permite ao cérebro calcular profundidade.

Porém, com mais detalhes sobre o funcionamento da visão do inseto, os pesquisadores poderão chegar ao objetivo final: entender como a visão 3D se desenvolveu na natureza para aplicar esse conhecimento em tecnologias computacionais. Isso pode levar, por exemplo, à criação de robôs, mesmo que pequenos, que “enxergam” com excelente percepção de profundidade.

Com informações: National Geographic, BBC

Emerson Alecrim

Repórter

Emerson Alecrim cobre tecnologia desde 2001 e entrou para o Tecnoblog em 2013, se especializando na cobertura de temas como hardware, sistemas operacionais, negócios e transportes. Formado em ciência da computação, seguiu carreira em comunicação, sempre mantendo a tecnologia como base. Participa do Tecnocast, já passou pelo TechTudo e mantém um site chamado Infowester.

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