Olha o tal Nintendo 3DS aí

Izzy Nobre
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Como vocês devem saber,  a E3 passou por maus bocados. Para quem era moleque nos anos 90 e lia as notícias sobre a famosa feira de videogames com um mês de atraso nas publicações especializadas, ir à Electronic Entertainment Expo (e por extensão, experimentar todos os novos videogames antes dos seus amigos) era um sonho impossível. Havia glamour, expectativa e muitas vezes decepção a respeito da E3; por praticamente um mês inteiro não se falava de outra coisa. Era a nossa Copa do Mundo.

Isso mudou em 2007. A Entertainment Software Association, a empresa por trás da E3 (que é a mesma empresa responsável por proteger legalmente ROMs de jogos antigos, a propósito), decidiu que o evento deixaria de ser um megashow e seria menor e mais focado nos profissionais especializados da indústria. O resultado foi um evento minúsculo com menos de 5 mil participantes. Profetizou-se o fim de um legado histórico.

Li as notícias sobre o suposto fim da E3 com uma certa melancolia. A Electronic Entertainment Expo era um ícone da nossa infância. Por mais que a era da informação instantânea, dos mil screenshots e teaser trailers tenha acabado um pouco com aquele mistério dos futuros lançamentos, a feira ainda tinha um valor histórico no mundo dos videogames.

Felizmente o evento voltou à pompa e grandeza de outrora. Quem esteve acompanhando a E3 essa semana deve ter notado isso. E uma das revelações deste ano foi o 3DS, o sucessor do Nintendo DS que, como o nome deixa claro, será capaz de tecnologia 3D.

Não podemos dizer que o aparelho era uma surpresa – afinal de contas, rumores de um Nintendo DS com funções 3D vazaram na internet em março, e pouco tempo depois a Nintendo (numa estratégia bastante incomum na indústria) confirmou os boatos e adiantou que veríamos o produto final na E3.

E de fato vimos.

No quesito hardware o Nintendo 3DS não decepcionou. Tela de 3,5 polegadas, acelerômetro, giroscópio – hmmm, onde foi que eu vi essas características antes? – e uma alavanca analógica similar à encontrada no PSP. A tela inferior, com função de toque, aparentemente continua sendo resistiva, o que é uma pena.

Para os leigos: há dois tipos principais de tela de toque, a capacitativa e a resistiva. Capacitativa é que detecta mudança na capacitância da tela de vidro, tal qual a do iPhone, e resistiva é a que responde a pressão. Telas resistivas são o tipo de tecnologia retrô que não deixarão saudades quando finalmente forem extintas. A tecnologia capacitativa é, como qualquer usuário de um iPhone poderá atestar, muito melhor.

Uma surpresa foram as duas câmeras na tampa do console. Com elas, o usuário poderá tirar fotografias estereográficas (ou seja, imagens em três dimensões. E o aparelho também reproduzirá vídeo em 3D. As duas funções contradizem a filosofia tradicional da Nintendo, que sempre foi “fazemos consoles, e não gadgets mil-em-um”, mas é uma mudança bem vinda.

Durante a apresentação do Nintendo 3DS, Reggie Fil-Aimes (CEO da Nintendo of America) explicou que por motivos óbvios não é possível mostrar pro espectador em casa o efeito de profundidade. Ao invés disso, ele resolveu mostrar um vídeo que “ilustra o que a gente está tentando atingir com o aparelho”, ou algo com esse valor. E no telão do centro de convenções apareceu uma “dramatização” do efeito do Nintendo 3DS.


(vídeo do YouTube)

É perfeitamente compreensível que não dê para capturar o efeito 3D do novo console, mas eu não devo ter sido o único que achou a apresentação estupidamente cartunesca e pior, em detrimento da tecnologia. Cachorrinhos pulando da tela para o colo do jogador ajudam apenas a cimentar a impressão de que a Nintendo (e videogames, por extensão) são passatempos para criança, e que esse negócio de tela em 3D será o que os gringos apelidam de gimmick, um mero truque sem substância. Em suma, achei tal dramatização absolutamente desnecessária.

Mas isso é um mero detalhe. O que importa é que os sortudos que tiveram a sorte de experimentar o aparelho antes de todos nós disseram que o efeito é impressionante e que é suficiente para convencer gamers a comprar mais uma versão do DS.

Eu estou praticamente convencido. Atrelar o console a uma tecnologia não ainda garantida (digamos assim) é uma estratégia arriscada, mas também uma estratégia na qual a Nintendo já apostou as fichas duas vezes. Seria esta a terceira revolução da Big N?

E mais importante: se 3D de fato funcionar para uma tela portátil (para aplicações que não se limitem a videogames), devemos aguardar uma enchente de celulares e MP3 players com telas em terceira dimensão?

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