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PSN Plus: jogada certa ou tiro no pé?

Izzy Nobre
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sem rabo preso

Por muitos anos, um dos grandes pontos de contenção na discussão PS3 versus Xbox 360 era o modelo diferente que ambos consoles tinham de rede online – enquanto a Sony mantinha a tradição de serviço online gratuito, a Microsoft trazia pro Xbox 360 a sua experiência positiva com a sua rede paga, a Xbox Live.

Donos de Xbox 360 têm a opção de uma versão gratuita da mesma rede (Xbox Live Silver), mas com funções capadas: não é possível jogar com seus amigos, apenas enviar e receber mensagens, compartilhar conquistas virtuais, fazer download de demos etc.

Aqui na América do Norte este ponto específico não era lá tão relevante. No Brasil, por outro lado, era um quesito que merecia consideração cuidadosa. Embora os US$ 50 necessários para uma conta na Xbox Live Gold não seja uma grande fortuna, qualquer gasto adicional com gaming no cenário brasileiro precisa ser analisado.

Pois bem, agora os donos de PS3 não poderão usar a rede paga do Xbox 360 como munição para flame wars (e acredite, isso acontece – acontecia – bastante!): a Sony anunciou sua própria rede premium, ou seja, que requer pagamento – a PSN Plus.

US$ 50 por ano.

Como sempre acontece no mundo da tecnologia, rumores espalhados em tons de sussurro já haviam ganho a web bem antes do anúnio oficial da nova versão da PSN. Tais rumores, obviamente bem embasados em realidade, alegavam que a rede se chamaria PSN+ (ou seja, pronunciado “PSN Plus” em inglês) e que seria revelado na E3 deste ano, que rolou no mês passado.

Quando ouvi esse papo pela primeira vez, foi impossível não lembrar de um outro rumor a respeito de rede social gratuita oferecendo versão paga. A sensação de déjà vu em relação à tal PSN+  lembrou tanto o caso do Orkut Ouro que nem dei grandes considerações ao rumor, preferindo aguardar a confirmação oficial (e o que é mais importante: os detalhes específicos das features da versão paga).

Pois bem, a PSN Plus foi de fato revelada na E3, como profetizaram os boateiros. E o preço do serviço? US$ 49 por ano, não coincidentemente um valor virtualmente idêntico ao pago por usuários da Xbox Live Gold.

Entre as funções prometidas – aliás, esta é a única função realmente notável – está o acesso “gratuito” a quatro novos jogos todo mês (um jogo da PSN, dois PSN Minis, que são essencialmente jogos de desenvolvedores indies num formato parecido com o dos joguinhos da App Store, e um jogo mais antigo, do PlayStation original).

Um ponto muito importante que deve ser levado em consideração é que você não estará comprando estes jogos. Eles estarão disponíveis enquanto você possuir uma conta na PlayStation Plus. Cancele o serviço e você perde acesso a eles, o que significa na prática que você está na verdade alugando-os por período indefinido. Imagino que isso não agradará muito os consumidores brasileiros da rede.

A PSN tradicional continuará no ar, então ninguém precisa se desesperar… Ainda. Afinal, essa quebra do paradigma histórico da Sony apenas prova que é inviável manter um serviço online exclusivamente gratuito por muito tempo, algo que a Microsoft já havia percebido há mais de cinco anos ainda no primeiro Xbox.

E esse é um precedente perigoso de se abrir. E se a Sony decidir que manter a PSN gratuita não dá mais, e migrar para um modelo exclusivamente pago?

Mas chega de elucubrações, vamos ao ponto principal: o que um possível cliente da PSN Plus ganha, afinal de contas? O acesso gratuito aos jogos poderia ser adquirido com a mesma grana que você gastará para manter o serviço, talvez um pouquinho mais só – e com a vantagem de que comprando os jogos por fora, eles são de fato seus para sempre. Parece-me que a PSN Plus nada mais é que um golpe de marketing para incentivar o aluguel desses jogos.

Donos de PS3s há muito tempo celebram a vantagem de ter uma rede online gratuita, mas usuários imparciais jamais negarão que a experiência oferecida pela Xbox Live é muito mais robusta e que realmente vale o preço do ingresso. O caso da PSN Plus, infelizmente, não parece que será o mesmo.

Izzy Nobre

Ex-autor

Israel Nobre trabalhou no Tecnoblog entre 2009 e 2013, na cobertura de jogos, gadgets e demais temas com o time de autores. Tem passagens por outros veículos, mas é conhecido pelo seu canal "Izzy Nobre" no YouTube, criado em 2006 e no qual aborda diversos temas, dentre eles tecnologia, até hoje.

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