Canonical desabilita loja online do Banshee no Ubuntu 11.04

Paulo Graveheart
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E aos poucos vamos descobrindo o lado negro das empresas que trabalham vendendo software livre. Depois de muita briga, choro, dedos apontados e tapa na cara, os desenvolvedores do Banshee resolveram que para o Ubuntu não haverá a opção de comprar mp3 da Amazon direto pelo aplicativo. Ao invés disso, o programa dará a opção de comprar músicas pelo Ubuntu One, da Canonical.

"Eu podia estar roubando, podia estar matando, mas estou aqui, vendendo mp3"

Antes um resumo de toda a história: o Banshee é um player de mídia e um projeto relacionado do GNOME, com centenas de recursos interessantes. Até a versão 10.10, a Canonical trazia como padrão o Rhythmbox, que era até bonitinho, mas que pecava em questões de recursos e compatibilidade. Assim, a Canonical resolveu adotar o Banshee como player padrão do Ubuntu a partir da versão 11.04.

Tudo estaria bem, não fosse um detalhe do tipo “financeiro”: por padrão, o Banshee permite compras de músicas no formato MP3 pela Amazon, e o dinheiro obtido por essas compras vai direto para o projeto GNOME. E a Canonical, que não é boba nem nada, percebeu que isso traria problemas, já que eles possuem um serviço de compra de músicas próprio, o Ubuntu One. Temendo pelo pior (entenda-se: a morte da própria ferramenta), a Canonical entrou em contato com os desenvolvedores do Banshee e deu duas opções: ou eles destinariam 75% das vendas de MP3 pelo Banshee para a Canonical (deixando a fundação GNOME com míseros 25%), ou eles alterariam o programa para aceitar compras pelo Ubuntu One.

E assim chegamos à situação atual: o Ubuntu 11.04 virá com o Banshee, mas por padrão a compra de músicas será feita pelo Ubuntu One. Se o usuário quiser comprar músicas pela Amazon, deverá modificar algumas configurações do programa. Em outras distros, a compra pela Amazon continua normalmente.

Parece ser uma discussão boba, mas basta lembrar que apenas o Banshee doa em torno de US$ 10.000 por ano para a Fundação GNOME, e todo esse dinheiro vem exatamente da venda de músicas. Ao fazer exigências desse tipo, a Canonical acaba prejudicando não só a própria imagem, como também o próprio projeto no qual seu Ubuntu é baseado. No mundo ideal, a proposta da Canonical deveria ser torno de 25% para a empresa e 75% para o projeto, e é justamente isso que muitos estão defendendo.

Provavelmente até o lançamento da versão final do Ubuntu 11.04 (que deve acontecer no final de abril) a pressão dos usuários e desenvolvedores pode mudar alguma coisa, mas pessoalmente acho difícil.

Com informações: Network World.

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