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Dicas de ouro para entrar no mercado de TI com o pé direito

De conhecimento técnico a storytelling: especialistas revelam o que você precisa fazer para construir uma carreira em tecnologia

Janaína Dantas
Por
Capa especial TB
Fique mais perto de trabalhar com tecnologia. (Imagem: Vitor Pádua / Tecnoblog)

A área de tecnologia é uma das mais aquecidas atualmente. Porém, a escassez de pessoas com habilidades técnicas e socioemocionais tornou este mercado muito competitivo, mesmo com vagas sobrando. Para entender melhor esse cenário, o Tecnoblog conversou com especialistas e reuniu dicas de como conseguir o primeiro emprego na área de TI. Spoiler: soft skills são tão importantes quanto hards skills.

Como está o mercado de TI no Brasil?

Antes de procurar um emprego, é importante entender como está a área. Em entrevista ao Tecnoblog, Jorge Mallet, diretor de RH na GeekHunter, dá um panorama sobre o mercado de trabalho tech até aqui e como deve ser os próximos anos.

O aumento da busca por profissionais de TI durante a pandemia é o primeiro ponto que ele destaca. Um levantamento, feito pela Associação das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação (Brasscom), aponta que só entre janeiro e agosto de 2021 foram criadas 147 mil novas vagas de trabalho em TI — o número é 149% maior que o ano anterior (que foi de 59 mil).

A entidade também fez uma previsão otimista para os próximos anos: até 2025 devem surgir mais de 700 mil novas vagas no mercado de tecnologia.

Apesar do cenário positivo, Mallet destaca alguns pontos em relação à macroeconomia que devem ser considerados, como a Guerra na Ucrânia, inflações na casa de 9% ao ano nos Estados Unidos e, em resposta a isso, as altas de juros que já se iniciou nos EUA.

“Como consequência dos juros e inflação elevados, temos um período de inverno nos aportes em empresas de tecnologia (redução do otimismo, redução dos cheques, das avaliações das empresas, do ritmo de queima de caixa e de crescimento esperado). Vale fazer uma ressalva que, apesar de estarmos percebendo essa potencial recessão em investimentos, não significa que os fundos não estão realizando novos aportes. Mas sim, eles estão sendo cada vez mais seletivos e estratégicos.”

Colocando isso na balança, o especialista afirma que o crescimento de empresas tech e vagas nessa área talvez não sejam tão ousados quanto os números que as pesquisas têm apresentado. Mas calma, não precisa se preocupar, o panorama ainda é positivo. “Quando olhamos para todo o cenário nacional e global percebemos que a demanda por pessoas de tecnologia nunca foi tão grande”, analisa Mallet.

Além da era da digitalização nas empresas, a pandemia trouxe a cultura de remote first (onde a prioridade é que as atividades sejam feitas de forma remota, sem a necessidade de um espaço físico). Ou seja, além das organizações buscarem cada vez mais profissionais de TI, estes, podem trabalhar de qualquer lugar do mundo.

Dessa forma, é possível atuar tanto em polos econômicos como São Paulo, Rio de Janeiro e Santa Catarina, quanto em uma empresa fora do Brasil. E, apesar das inúmeras variáveis de recessão econômica, Mallet diz que ainda vale a pena ingressar em uma organização internacional. “O dólar segue valendo, pelo menos, 5 vezes o real”, ressalta.

Pessoa à frente de um notebook
O cenário ainda é positivo para quem quer um emprego em TI. (Imagem: Yasmina H/Unsplash)

Em relação às áreas que estão em alta no mercado de tecnologia, o especialista cita full stack, back-end, mobile, front-end e ciência de dados. Ele também revela qual a média salarial para quem está no começo da carreira: de R$ 4 mil a R$ 5 mil, de acordo com uma ferramenta de análise de salários desenvolvida pela própria GeekHunter.

Com tudo isso, você deve estar perguntando: “Por que está tão difícil conseguir emprego na área de TI?”. O diretor de RH responde: “Podemos inferir que, de fato, pode estar mais difícil, pois as empresas tendem a priorizar, nesse momento, profissionais plenos e seniores”.

Além de Mallet, convidei Audrey Scheiner, recrutadora e analista de desenvolvimentos organizacional da match.mt, e Marcela Azambuja, head de pessoas da Let’s Code, para compartilharem dicas que ajudarão quem está procurando uma oportunidade no mercado tech. Confira abaixo o que os especialistas disseram.

Adquira conhecimento técnico

Eu sei que parece um conselho óbvio, mas uma das maiores dores dos recrutadores são profissionais que não dominam a parte técnica da área que pretendem atuar. Por isso, após escolher o que quer fazer, se dedique a aprender tudo sobre aquilo: de linguagens de programação a ferramentas necessárias para executar o trabalho.

Segundo Scheiner, o conhecimento acadêmico é sim muito importante. Porém, o que vai influenciar, de fato, na hora da empresa contratar ou não um candidato, é se ele consegue colocar em prática tudo o que sabe. Dessa forma, não se sinta pressionado a ingressar em uma faculdade. Você pode optar também por participar de cursos técnicos, programas de formação oferecidos por empresas e edtechs, como a Let’s Code, ou capacitações online.

Para Mallet, também é importante não ser generalista nesse começo. Focar em aprender apenas uma stack (tecnologia que pretende trabalhar), pode te ajudar a chegar mais longe do que tentar saber tudo de uma vez e sem profundidade. 

Se você já deu o primeiro passo e possui uma base de aprendizado construída, é importante continuar estudando. “A gente sabe que a tecnologia muda muito ao longo dos meses e dos anos. Então, o candidato tem que se manter atualizado frequentemente e procurar se desenvolver cada vez mais”, diz Scheiner.

Códigos de programação e uma xícara com a frase: "life begins at the end of your confort zone"
Escolha uma área de atuação e estude tudo sobre ela. (Imagem: Tudor Baciu/Unsplash)

Desenvolva suas soft skills

Dominar uma linguagem de programação ou ferramenta não é o único requisito para profissionais de TI. É necessário que o candidato tenha também algumas competências socioemocionais, as chamadas soft skills — elas são tão importantes quanto às hards skills, de acordo com o levantamento do LinkedIn feito em 2019.

A comunicação foi a principal habilidade comportamental apontada por Scheiner e Azambuja para quem quer trabalhar com tecnologia. Isso, porque na hora da entrevista, o recrutador vai prestar bastante atenção em como o candidato se comunica e como ele fala sobre as ferramentas que conhece. Essa soft skill é importante para desenvolver um trabalho sem problemas por falhas de comunicação, por exemplo.

Além disso, de acordo com as especialistas, é importante que o profissional tenha autonomia, seja resiliente e saiba trabalhar em equipe. Essas habilidades são cada vez mais exigidas ao passo em que o modelo de home office ganha força e empresas trabalham com squads (pequenos times multidisciplinares que agem em um projeto específico).

Para desenvolver e potencializar essas softs skills, é importante buscar o autoconhecimento e estar sempre atento aos feedbacks dados por seus líderes e até mesmo familiares e amigos.

Aprenda inglês

Essa é uma dica unânime entre os três especialistas. Scheiner explica que a necessidade existe para além do aprendizado das linguagens de programação, discussão em fóruns ou uso das ferramentas e plataformas.

O profissional pode ter clientes fora do Brasil ou até mesmo responder para líderes ou colegas de trabalho que não falam português. Dessa forma, é necessário saber ler e-mails, participar de reuniões ou repassar dúvidas em outros idiomas — sendo o inglês, o mais requisitado.

Faça networking

Duas mãos em led
Construa relações com pessoas da mesma área. (Imagem: Charlesdeluvio/Unsplash)

A conexão entre pessoas da mesma área é importante para ficar por dentro de tudo que está rolando e pode te ajudar a conseguir uma mentoria ou até mesmo uma oportunidade de emprego.

Para construir essas relações, Scheiner aconselha grupos no LinkedIn, WhatsApp e participação em bootcamps. Este último, de acordo com ela, é bom, principalmente, para quem ainda não tem nenhuma experiência profissional em tecnologia, já que além de ajudar a conhecer novos profissionais, proporciona que o participante aprenda o teórico ao mesmo tempo em que coloca a mão na massa.

Azambuja ressalta a importância de conversar com o máximo de pessoas possíveis sobre seus aprendizados e objetivos. “Algumas pessoas podem não apoiar diretamente, mas seguramente ao longo da jornada você encontrará boas surpresas e, no pior dos casos, construirá uma boa relação para o futuro”.

Pratique e adquira experiência

De acordo com Azambuja, você pode colocar em prática o que aprendeu de várias formas.

“Experiências não precisam ser através de trabalhos formais. É possível desenvolver uma solução para projetos pessoais, fazer um voluntariado e, de quebra, causar um impacto na sociedade. Depois, podem se lembrar de você para futuras oportunidades.”

A partir de participação em bootcamps e trabalhos voluntários, você já terá coisas para colocar em seu portfólio. Azambuja ainda aconselha a compartilhar o que tem produzido mesmo que julgue que está incompleto ou ainda não é o ideal. “O importante é começar”, ressalta.

Aplique para vagas

Você pode estar pensando que esse é mais um conselho óbvio, mas a dica de Azambuja é um pouco diferente: candidate-se a vagas de emprego mesmo que não atenda a todas as exigências.

“Em geral, os requisitos são para um candidato perfeito e não há candidatos perfeitos. Você pode ser tão qualificado ou mais que outros que estão se aplicando. Além disso, é uma forma de aprender e entender os processos seletivos e ficar mais preparado quando chegar a oportunidade de fato. Lembre-se, tem uma frase que diz: é melhor estar preparado e não ter a oportunidade do que ter a oportunidade e não estar preparado.”

Além das plataformas tradicionais de emprego, como Catho e Gupy, você pode procurar oportunidades em grupos de WhatsApp, Telegram, Twitter e, claro, no LinkedIn — rede social focada em gerar conexões profissionais. Inclusive, se for possível ver o recrutador que divulgou a vaga nessa última plataforma, uma boa dica é entrar em contato com ele, de acordo com Scheiner.

Prepare-se para entrevistas

A entrevista de emprego é muito importante para conseguir um emprego na área de TI, pois é o momento de “vender o seu peixe”. Uma das dicas de Scheiner é para que o candidato estude a organização onde está fazendo a entrevista.

“Ele tem que ter esse conhecimento sobre o que a empresa faz, o que ela entrega no mercado e também ter o argumento de como pode contribuir com a evolução do negócio dentro daquela vaga que está concorrendo.”

Fez uma pesquisa completinha e anotou tudo que é necessário? Não pare por aí. Mallet, aconselha a criar um storytelling (narrativa atraente sobre você e seus objetivos) e treinar o discurso.

Não desista

Nem sempre o “sim” chega rápido. Mas seja resiliente, coloque em prática todas as dicas dadas acima pelos especialistas que a sua hora vai chegar.

É importante abrir todas as portas. Então, deixe o seu perfil do LinkedIn atraente para chamar atenção de recrutadores e faça um trabalho ativo também: procure por plataformas e aplicativos que disponibilizam vagas de emprego e faça seu cadastro em todas elas.

Crie uma rotina de estudos e vá plantando as sementes pouco a pouco, a hora da colheita já já chega. Boa sorte 🍀.

Janaína Dantas

Analista de conteúdo

Janaína Dantas é jornalista formada pela Fapcom e fala sobre tecnologia desde 2019. Antes de ser analista de conteúdo no Tecnoblog, escreveu no Startupi e cobriu eventos sobre startups, inovação e empreendedorismo. Já atuou na área de comunicação de uma ONG e hoje faz trabalhos voluntários para democratizar o acesso à informação.

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