Review: Nokia Lumia 625, o Windows Phone intermediário com tela grande e 4G

Giovana Penatti
Por

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Há cerca de duas semanas, me foi dada a tarefa de fazer o review do Lumia 625, smartphone da Nokia com tela grande que estava prestes a chegar ao Brasil. Eu fui a escolhida para isso porque seria a minha primeira vez experimentando um Windows Phone – já havia brincado em eventos ou nos aparelhos de amigos, mas nunca usado um por tempo o bastante para conhecer o sistema operacional.

Então, foi meio que matar dois coelhos com uma cajadada: pude explorar o WP8 e o próprio smartphone como um aparelho “de entrada”. O resultado foi surpreendentemente satisfatório; por R$ 1.099, o Lumia 625 se mostrou um smartphone ótimo de se usar (depois de superados os perrengues para me acostumar ao sistema novo). A seguir, falo mais detalhadamente de cada aspecto do aparelho e minhas impressões sobre ele.

Design e pegada

O Lumia 625 não tem nada de extravagante no design. Assim como outros smartphones da linha da qual faz parte, ele tem a tampa traseira de um plástico fosco resistente e colorido. Infelizmente, a versão que veio para o Tecnocenter foi um branco bastante sóbrio e discreto; pessoalmente, achei a cor bem sem graça, até com cara de encardida. Infelizmente, a única além dessa disponível no mercado brasileiro é a preta.

Para remover essa tampa, não há nenhum recuo ou indicação de como fazer. É preciso forçá-la para baixo nas bordas – quero acreditar que é normal ter um medinho de quebrar o smartphone no meio fazendo isso, mas com o tempo você pega o jeito.

Ao remover a tampa, você tem acesso aos slots para microSD e microSIM. E só; a bateria é lacrada.

Ainda falando da traseira, ela aloja a lente da câmera com o flash LED e o alto-falante – que, apesar de bem pequeno, faz um barulho razoável; falarei disso mais adiante.

Nas laterais, ficam os botões e conexões: microUSB para carregar a bateria e conectar ao computador; P2 para fone de ouvido; e controladores de volume, power e um apreciadíssimo dedicado para a câmera, que todos os smartphones deveriam ter.

A pegada é bem confortável, beneficiada pela traseira e cantos arredondados do aparelho. O peso e a espessura (159 gramas e 9,2 mm) o excluem do rol de aparelhos mais leves e finos que já passaram por aqui, mas nada de preocupante ou desconfortável.

Tela

O primeiro ponto de destaque do 625 é sua tela. Considerada grande para os padrões Lumia, ela não chega a ser enorme para os padrões do mercado: 4,7 polegadas não é a maior tela que já vimos por aqui.

No entanto, é um tamanho muito bom; eu diria que bem próximo do ideal. Estou acostumada com o Galaxy S4, que tem 5 polegadas, e esse 0,3 faz bastante diferença; o smartphone da Samsung parece bem maior que o da Nokia. Com esse tamanho de tela, a visualização é confortável e dá para mexer nele com uma só mão sem passar por perrengues, já que o polegar alcança os cantos mais distantes – note que minha mão não é anormalmente grande nem extremamente pequena (também não é a das fotos).

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Quanto à qualidade, já mencionei que estou acostumada com o Galaxy S4, então preciso tomar cuidado para não ser injusta com os smartphones que não contam com a tecnologia Super AMOLED. No caso do 625, não há muito do que reclamar. A resolução poderia ser melhor: 800×480 pixels faz com sejam visíveis os pontinhos que formam as imagens na tela. Nada de super incômodo mas, por ter uma tela maior que a do 620, merecia uma densidade também maior.

A qualidade das imagens exibidas é muito boa, tanto por mérito das cores vibrantes do display como do brilho intenso. Recomendo usar no máximo; sei que gasta mais bateria, mas a beleza é viciante e fica difícil se acostumar com menos depois de experimentá-lo na configuração mais brilhante.

Vale citar que há uma perda nos pretos, que não são tão profundos; é fácil perceber isso ao comparar o preto da tela com o da borda. Mas isso, na verdade, não atrapalha no dia a dia. Outro ponto a ser considerado é que a visibilidade é bastante alterada de acordo com o ângulo; observar a tela com o celular na mesa ao lado do computador é uma “experiência” bem diferente de vê-la de frente.

Interface e navegação

O sistema operacional do Lumia 625 é o Windows Phone 8 com a atualização Amber disponível. A principal diferença que ela traz ao sistema é na câmera, com melhorias no processamento da imagem. Não há nenhuma mudança na interface, então não deve haver estranhamentos para quem está acostumado com o sistema. Para quem não está, não é isso que vai ser o problema.

Como costuma acontecer com todos os smartphones (e computadores, tablets…), há um tanto de aplicativos que acompanham o aparelho direto da fábrica. Mas, ao contrário do que visto com outras empresas, os que a Nokia – e a Microsoft – colocaram não parecem extremamente inúteis, com exceção do World of Red Bull, que traz notícias sobre os esportes patrocinados pela fabricante de energéticos, e Angry Birds Roost, que reúne novidades e funciona como uma central de downloads de conteúdo relacionado ao game da Rovio.

Entre os mais interessantes do Lumia 625, destaco Cinemagraph (que permite fazer e editar GIFs), Data Sense (para ajudar no controle do consumo de dados), Office (para criar e editar documentos) e outros da Nokia que são facilmente substituídos mas vêm com boas intenções e são bem construídos, como o navegador Xpress, o Music, o mapa HERE e o Care, que é tipo um manual de instruções. O Smart Cam também é um app bastante interessante para tirar fotos; falo mais dele logo abaixo.

Multimídia

Os players de música e vídeo são extremamente simples e têm bem poucos recursos além de, bom, reproduzir áudio e vídeo. Não que optar pelo básico seja ruim, mas, se o usuário quiser algo mais elaborado, é preciso baixar outro aplicativo para rodar essas mídias. E todos os que vi com boa avaliação eram pagos, então não testei nenhum – mas, sinceramente, não senti falta.

Esses players ficam dentro de um hub de entretenimento chamado Music + Videos que reúne não apenas as músicas e vídeos transferidos para o dispositivo, mas games baixados e aplicativos do Xbox. E vale lembrar que você também pode arrumar conteúdo multimídia do Xbox ou do Nokia Music via streaming.

O player de vídeos apenas passa os vídeos. Não há nada além disso, a não ser que as opções de pular para outros arquivos e expandir o vídeo na tela toda sejam considerados algo que vale a pena mencionar.

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No caso do player de música, que é um pouco mais elaborado, é possível marcar se gosta ou não da faixa, ativar o shuffle ou repeat e criar listas de reprodução. Mais incomuns são as possibilidades de compartilhar a faixa, buscar mais na loja e utilizá-la no Smart DJ. Essas duas últimas opções, no entanto, estavam indisponíveis quando testei o smartphone, sabe Deus por quê.

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Falando de formatos de arquivos, o Lumia 625 reconheceu vídeos em AVI e MP4; MKV, que faz parte dos nossos testes, não rodou. Em música, MP3 rodou numa boa; FLAC foi ignorado pelo dispositivo.

O som produzido pelo próprio smartphone sai do pequeno alto falante na traseira e ele faz bastante barulho, como foi dito anteriormente. Em um volume moderado, a qualidade é boa. Mas, conforme aumenta, perde definição e fica uma barulheira – bem alta, aliás. O fone de ouvido que acompanha também não é dos melhores: a qualidade do som é baixa, com faixas que se misturam e definição prejudicada. Além disso, ele é bem desconfortável e sua construção aparenta fragilidade, com fios fininhos e conexões que parecem exigir bastante delicadeza do usuário. Eu recomendaria utilizar um outro e guardar o do 625 no fundo da gaveta.

Câmeras

Com uma traseira de 5 MP e frontal VGA, a câmera do Lumia 625 se destaca mesmo é nas fotos com pouca iluminação. Em ambientes claros, notei as cores um pouco desbotadas e com uma granulação considerável. Também houve o caso de alterações em algumas cores – a foto do duende cor de rosa da galeria abaixo parece estar com a cor ciano muito carregada; ele é mais rosa-chiclete pessoalmente.

À noite, o ruído também existe, é verdade, mas a capacidade do sensor de captar luz e criar uma imagem decente automaticamente, sem que ajustes sejam feitos, é louvável. Nas fotos da galeria abaixo, a primeira à noite foi feita no modo automático e a segunda, no modo noturno.

É possível arrumar algumas coisas manualmente, caso essa seja sua opção: escolher cenas, valores de ISO e exposição, balanço de branco e proporção. Não é necessário, no entanto; automaticamente ela faz um bom trabalho.

Outro ponto positivo é que há duas maneiras de capturar fotos. Uma é pelo botão dedicado, que fica em posição estratégica na lateral. A outra, mais interessante, é com um toque em qualquer lugar da tela; o smartphone se encarrega, então, de transferir o foco para o ponto designado e fazer a foto.

Além do aplicativo padrão de câmera, há o Smart Cam. Ele é um app que permite tirar fotos em movimento e, a partir disso, cria imagens de vários tipos: action shot, melhor foto, remoção de objeto em movimento, foco no movimento, etc.

Os vídeos são gravados em Full HD e até 1080p, apesar do padrão ser 720p. A imagem é boa, mas achei a captação de áudio um pouco abafada.

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Hardware

Como o WP8 é um sistema operacional relativamente leve, que exige menos hardware para rodar bem, o aLumia 625 não tem porquê de se envergonhar de seu processador dual-core de 1,2 GHz e 512 MB de RAM. Não é necessário mais que isso para que ele funcione muito bem; o sistema roda de forma bastante fluida, sem lentidão ou engasgos.

O maior problema no caso dos 512 MB de RAM é a incompatibilidade com alguns aplicativos da Windows Phone Store, especialmente jogos e apps mais pesados – o Oggl, por exemplo, que faz as vezes de Instagram, não é compatível.

No armazenamento, a Nokia disponibiliza 8 GB internos para que você guarde suas coisas. Se não for suficiente, é possível colocar um microSD de até 64 GB.

Conectividade e acessórios

No quesito conectividade, o Lumia 625 tem como principais pontos o suporte a 4G e o Bluetooth 4.0, que consome menos energia. Além deles, Wi-Fi 802.11 b/g/n, GPS e USB 2.0. Talvez um NFC fosse bem vindo no pacote; o 620, por exemplo, tem esse recurso embutido na capinha de plástico colorida.

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Na caixa do Lumia 625, vem o carregador (com um excelente cabo longo), um cabo microUSB (bem curtinho, para manter o telefone perto enquanto você transfere arquivos) para conectar ao computador e os fones de ouvido (que, como dito anteriormente, têm aparência bem frágil).

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Bateria

A bateria tem capacidade de 2.000 mAh e teve desempenho satisfatório no nosso teste padrão de baterias de smartphones.

No teste de uso intenso, que dura três horas, ele cravou um consumo de 53% da carga – ou seja, sobraram ainda 47%. Já no uso moderado, que dura uma hora e meia, o consumo foi de 30%, sobrando 70% da carga.

Como dito anteriormente, o smartphone não roda vídeos em MKV. Então, para o teste de bateria, foi utilizado o formato AVI por mais tempo, para que o resultado final não dependesse de uma análise subjetiva e se mantivesse o mais dentro possível dos nossos critérios.

Pontos negativos

  • Baixa resolução da tela
  • Poucos formatos de mídia reconhecidos

Pontos positivos

  • Suporte a 4G
  • Bom tamanho de tela

Conclusão

Quando nosso editor Paulo Higa me perguntou se eu compraria um Lumia 625, – que é, essencialmente, a pergunta que procuramos responder na conclusão dos reviews – eu não soube muito bem como responder. O preço de R$ 1.099 (desbloqueado) me parece justo para o que ele oferece. É um aparelho com funcionamento fluido, compatibilidade com redes 4G, uma câmera razoável (não dependeria dela em viagens, por exemplo, mas não deixa na mão) e um ótimo tamanho de tela. Não tive nenhum grande problema no uso que fosse causado pelo aparelho em si.

Meus problemas foram com o sistema operacional. Nem tanto no uso; demorei menos tempo para me acostumar a ele que ao iOS. Mas a dificuldade com aplicativos foi grande, tanto pelas diferenças de oferta na loja brasileira em relação à americana quanto à indisponibilidade de aplicativos para o WP8. E ainda tem a questão dos 512 MB de RAM, que eliminam a parcela dos aplicativos que necessitam de 1 GB para funcionar.

Mas obstáculos com sistema operacional não são uma exclusividade do Windows Phone; migrar de um para outro nunca é uma tarefa fácil e todos têm seus pontos positivos e negativos. Superados esses percalços, que outros usuários talvez nem tenham, o Lumia 625 é um smartphone que entrega o esperado, mas nada além disso.

Especificações técnicas

  • Bateria: 2.000 mAh.
  • Câmera: VGA (frontal) e 5 megapixels (traseira).
  • Conectividade: 4G, Wi-Fi, GPS, Bluetooth 4.0, e USB 2.0.
  • Dimensões: 133,3 x 72,3 x 9,2 mm.
  • Kit contém: aparelho Nokia Lumia 625, fone de ouvido, carregador e cabo USB.
  • Memória externa: suporte a cartão microSD de até 64 GB.
  • Memória interna: 8 GB.
  • Memória RAM: 512 MB.
  • Peso: 159 gramas.
  • Plataforma: Windows Phone 8.0.
  • Processador: Qualcomm Snapdragon S4 Plus dual-core de 1,2 GHz.
  • Sensores: acelerômetro, proximidade e bússola.
  • Tela: IPS LCD de 4,7 polegadas com resolução de 480×800 pixels.

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