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Novo Total Annihilation traz de volta aquela empolgação com o lançamento de um game

Vinte dólares são suficientes para financiar Planetary Annihilation.

Izzy Nobre

Por

Especial
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Há algum tempo tenho dificuldade em me empolgar de verdade com o anúncio de um novo game (já abordei o assunto aqui), e não sei exatamente por que isso está acontecendo. Bom, no caso de Diablo III, eu sei: uma das formas em que meu computador mostra os sinais de velhice é a minha impossibilidade de jogar os lançamentos recentes.

Mas eu percebo que essa falta de empolgação não é exclusiva para os games que meu PC não é capaz de rodar. Não sei se é porque estamos no finalzinho desta geração e estou mais interessado em ver o que teremos de hardware novo na próxima E3 ou se porque meus gêneros de jogo favoritos (RTS e point and click adventure) são monopolizados pelo gigante que é Starcraft 2 (ou vivem num nicho sem grandes chances de voltarem a ser os blockbusters que já foram um dia).

Aí hoje essa minha indiferença com o status quo atual do mundo gamer foi abalada até o seu âmago. Descobri que estão fazendo um sucessor espiritual de um dos meus jogos favoritos de todos os tempos: Total Annihilation. Como a moda agora é mendigar trocados dos fãs pra produzir o game, aqui está a página do Kickstarter da desenvolvedora (com o vídeo que me empolgou).

À primeira vista, decepcionei-me por não haver participação do Chris Taylor, o canadense que idealizou o primeiro jogo da série. O nome dele foi a primeira coisa que procurei na página, pra garantir que o novo jogo seguiria a visão de seu criador, e não parece ser o caso.

Se por um lado faltam as bençãos do pai da série, por outro o Planetary Annihilation manteve as raízes: trouxeram de volta o John Patrick Lowrie, a voz por traz do inesquecível monólogo de abertura do Total Annihilation original. Pra mim isso basta para estabelecer a legitimidade do projeto. A propósito, se você achar a voz familiar (e não leu a página da Wikipédia sobre o sujeito), é que o homem trabalhou também em Half Life 2, Left 4 Dead e Team Fortress 2.


(Vídeo do YouTube)

Quando digo “inesquecível”, não é um exagero ou uma força de expressão insignificante. Eu consigo recitar essa abertura inteira, com a mesma entonação e pausas dramáticas, completamente de memória. As horas que passei jogando Total Annihilation durante minha infância provavelmente somam um período maior que o tempo que passei dando atenção à minha esposa ou estudando.

Este vídeo me deixou maravilhado. Não é uma ilustração fiel do gameplay (é uma “dramatização”, uma arte conceitual que se aproxima do que o jogo oferecerá em matéria de jogabilidade), e por isso digo “ainda bem”. Logo de cara, torci o nariz para essa aparência meio LEGO. O visual cartunesco não coincide com o clima sério da série.

Mais tarde no vídeo fica claro que o jogo terá um visual bastante diferente, embora provavelmente carregando os elementos que vimos ali: combate em tempo real num planeta tridimensionalmente esférico, exploração espacial bélica (de uma forma menos monótona que algo como o atual EVE Online), e um fenomenal processo de completo arregaçamento do inimigo utilizando um asteróide como um míssil balístico.

Pra um fanboy de ficção científica como eu, a ideia de controlar uma batalha interplanetária da forma mostrada no vídeo é o suficiente pra marcar o dia de lançamento do game no meu calendário; como se o fato de que eu sou fã da série desde o primeiro jogo não fosse o suficiente.

E foi justamente no auge dessa empolgação que eu me lembrei que fazia muito tempo que a expectativa de um jogo não me deixava assim. Já cheguei um dia a atribuir isso à idade; ao fato de que com as inúmeras preocupações e distrações da vida adulta, o apreço por games (caracterizado aqui por aquela impaciência absurda pelo lançamento de u game) acabava indo pro segundo ou terceiro plano.

Agora vejo que basta aparecer o jogo certo para que aquela euforia pueril de outrora tome conta de mim como se eu ainda tivesse 13 anos de idade e nenhuma preocupação na vida além de “mas quando é que esse jogo sai mesmo, ein?”