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Seis distribuições Linux que fizeram a diferença

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Hoje em dia é possível encontrar Linux nos lugares mais estranhos: robôs, geladeiras, celulares, media players, servidores diversos… E até computadores. Claro, o sistema do pinguim ainda não domina na área de desktops (e é bem provável que isso não aconteça tão cedo) mas ele vem conquistando mais e mais usuários ano após ano, e sendo reconhecido como uma ótima alternativa ao Windows e ao Mac OS. Mas nem sempre foi assim: o Linux teve um longo caminho para percorrer entre centenas de distros para chegar ao seu estado atual.

Muitas distros foram criadas nos últimos anos, e foram poucas que, direta ou indiretamente, fizeram realmente a diferença. Seja trazendo um novo conceito, ou uma funcionalidade que simplificava a vida do usuário, essas distros ajudaram a popularizar o conceito de sistema operacional aberto. E são algumas dessas distros que comento logo abaixo, até como forma de tributo por toda ajuda que elas prestaram para a comunidade.

Logicamente, a lista que trago abaixo é baseada na minha experiência pessoal, e não deve ser encarada como lista definitiva de qualquer coisa. Se você não gostou de alguma citação, ou acha que faltou uma distribuição, os comentários estão abertos. 🙂

Debian

Até o nascimento do Debian, em 1993, as distros Linux eram totalmente customizadas pelos criadores e permitiam poucas modificações, além de obrigar os usuários a aguardar uma nova release ou baixar e compilar novas versões dos programas, se quisessem uma atualização. Com o Debian, as coisas começaram a mudar: os usuários só precisariam instalar uma parte básica do sistema, e toda a personalização (incluindo novos pacotes e atualizações), viria através de repositórios diversos na internet. Com a popularização da internet e aumento da velocidade de acesso, esse modelo virou um padrão em diversas distros. E, como o Debian é um sistema enxuto, é muito comum começar uma nova distro a partir dele, como é o caso da próxima distro.

Ubuntu

Até a criação do Ubuntu, era muito comum ouvirmos falar do Linux como um sistema sólido para servidores, mas raramente para usuários que não tivessem ao menos algum conhecimento em informática. Distros como Mandrake, Conectiva e até mesmo SuSE tentavam se vender como alternativas para o Windows, mas foi com o Ubuntu que o conceito de user-friendly realmente chegou ao Linux.

Hoje em dia um usuário Ubuntu raramente precisa abrir o terminal ou rodar uma linha de comando para instalar um programa ou fazer alguma configuração no sistema. Mesmo celulares 3G raramente precisam de configuração, em muitos casos é só espetar o cabo USB ou conectar-se via bluetooth que o celular já é reconhecido como modem e você já pode se conectar. Algumas tarefas, aliás, são ainda mais simples no Ubuntu que no Windows.

Red Hat

O Red Hat (que hoje divide-se em duas distribuições, o Fedora e o RHEL) foi a primeira distribuição Linux a chamar a atenção das empresas. Com um visual mais sóbrio e customizações voltadas para o mercado corporativo, por muito tempo foi comum ouvir falar de Red Hat dentro das empresas, tanto em servidores quanto em desktops.

Knoppix

Sabe quando você simplesmente espeta um pendrive ou coloca um CD no drive, reinicia o computador, e já tem uma distro Linux pronta para usar, sem nem mesmo precisar instalar algo em seu computador? Então, o conceito de Live CD popularizou-se com o Knoppix, um sistema baseado no Debian que usava o KDE e permitia executar um sistema repleto de aplicativos a partir do CD.

Até então, testar uma distro Linux sem remover o Windows envolvia particionar o HD, inserir o CD de instalação, rever 56 vezes todas as configurações de partições, e só depois do reboot descobrir que aquela distro não tinha o driver para sua placa de rede/som/modem/vídeo/mouse/hd/monitor/whatever, tornando a instalação um peso morto no HD. Com o conceito de Live CD, até mesmo a apresentação do sistema para amigos e parentes ficou mais simples: era só dar boot, pedir pra ele testar, e reiniciar o computador depois. E o Windows ainda estaria lá.

Kurumin

O Knoppix era legal, mas tinha um defeito horrível: pouco suporte à realidade brasileira, além do idioma que deveria ser baixado dos repositórios Debian. Foi a partir do Kurumin, distro que inicialmente era de um homem só, desenvolvida e distribuida por Carlos Morimoto, que pudemos ter uma distribuição Linux com direito Live CD adaptada aos nossos problemas.

Aquele modem onboard que vinha em todas as placas PC Chips e que muito provavelmente foi desenvolvido por um chinês que protestava contra as péssimas condições de trabalho do país só funciona através de um milagre? Sem problema, é só colocar o driver na distro e criar um script que o instala e configura da melhor forma possível. Com o Kurumin, você tinha uma distro que já vinha com vários scripts que automatizavam várias tarefas, como instalação de modems ADSL brasileiros, configurações de servidores brasileiros, e equipamentos que eram vendidos em larga escala no Brasil.

Não por acaso, ele ganhou popularidade rapidamente e serviu de base para muitas distros brasileiras, inclusive para uso em órgãos do governo. Uma pena que, por diversos motivos, tenha morrido cedo.

Android

Lá para 2005, sistema de qualidade para celulares só tinha um nome: Symbian. Na mesma época, uma startup chamada Android se virava como podia para desenvolver um sistema operacional para celulares que fosse baseado em Linux. E foi mais ou menos nessa época que o Google olhou pra startup, assinou um cheque, e comprou a empresa. Alguns anos e muitos dólares depois, estava pronto o Android OS, sistema para celulares baseado em Linux que também pode ser usado em tablets e até em netbooks, com algumas poucas modificações. Hoje o Android já bate de frente com o iOS e até o Symbian, além de estar ditando os novos rumos para o Linux em uma nova frente de combate: dispositivos móveis.