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Mods, Games e o fim da privacidade

CGI caseira: no futuro, pessoas famosas (ou não) poderiam estrelar filmes pornográficos contra a própria vontade.

9 anos atrás

jalbao

Essa imagem não é daqueles concursos de computação gráfica. É “apenas” um mod do Dragonville Skyrim, mais precisamente o Lovely Jessica, que modela uma personagem com a aparência da Jessica Alba.

Obviamente foi feito sem autorização da atriz, mas mesmo que ela seja contra, há pouco a fazer. Pior, isso é só a ponta do iceberg, que vai desembocar em um problema muito sério em muito pouco tempo.

Em 2005 escrevi sobre um fenômeno: a virtual ausência na literatura erótica brasileira de contos amadores envolvendo celebridades. Mesmo no campo de quadrinhos há um ou outro caso, sendo que o gibi erótico da Bruna Surfistinha… não conta. Lá fora esse fenômeno não existe, famosas são tema de contos, histórias, imagens fake, sósias e paródias, nem Batman escapou.

Até hoje para que uma celebridade de de primeiro time acabasse no pornô era preciso que ela caísse em desgraça, como a Leila Lopes, passasse da validade, como a Rita Cadillac ou nunca tenha sido de primeiro time, como a Tila Tequila. Em breve isso não será mais necessário.

Safardanagem como fomentadora

TODA tecnologia de informação sempre foi usada para fins libidinosos. Gutemberg imprimia bíblias em 1455. Em 1499 Aldus Manutius imprimia o Hypnerotomachia Poliphili, um dos mais intrigrantes poemas eróticos da Idade Média. Há relatos de uso “indevido” das prensas mais antigo ainda.

Até hoje o uso de avatares e atores sintéticos nunca foi popular no campo de entretenimento adulto por custo e limitação tecnológica. Um bom exemplo é o X-Man, quase lendário jogo erótico do Atari, que você pode (mas não deve) conhecer clicando neste link do YouTube. Qualquer um que ache esse vídeo interessante tem… problemas. Mas e se fosse com a qualidade da imagem acima?

Veja o vídeo abaixo, em 1080p. Agora imagine essa tecnologia sendo usada para o Mal.

Isso é hoje. Como estará essa tecnologia estará daqui a 3, ou mesmo 5 anos?

Imagine que não precisa ser a Jessica Alba. Pode ser um skin (e que skin!) da Scarlett Johansson, Emma Watson, Alison Brie ou Chloë Moretz (tudo bem, daqui a 3 anos ela terá 18).

No futuro muito próximo alguém utilizará um Kinect 2 para fazer captura de movimentos e softwares legítimos com recursos de customização e geração de Machinima (aquela mistura de cinema e engines, como Red vs Blue) serão subvertidos em prol da safardanagem.

Atrizes pornô virarão uma espécie de Andy Serkis proibido para menores. Seus talentos serão requisitados, sua performance capturada e o resultado final será com o visual da celebridade do momento.

Processos serão lançados, mas entre a proteção da 1ª Emenda, as definições de paródia e leves alterações em nomes e características (como mudar a cor dos olhos da personagem) haverá pouco a ser feito.

Claro, não acaba aí. É inevitável que a tecnologia permita que uma série de imagens de qualquer pessoa sejam utilizadas para criação desses avatares. Achar que isso pode de alguma forma ser controlado é desconhecer como a Internet funciona.

oag2

Hoje já nos habituamos aos memes, tirando um Nissin fora da curva ou outro, as pessoas não ligam, ninguém processa ninguém por virar meme, mas e quando a cheerleader chata da escola for transformada em atriz pornô sem saber? E quando o professor que deu nota baixa pra turma aparecer em uma animação gay sadomasoquista envolvendo centauros?

Em Roma diziam que à Mulher de César não bastava ser honesta, era preciso parecer honesta. Não era nenhum dos dois, aquela messalina. Muito em breve será possível ser honesta sem parecer, mas a sociedade estará pronta pra isso?

Vivemos o ocaso das sex tapes, em 10 anos nós os tarados criarão virtualmente sex tapes com as vítimas que quiserem. Nenhum sistema judicial tem como dar conta da quantidade de processos que isso pode gerar, e nem chegamos no ponto do dano psicológico. Muitas atrizes sequer fazem buscas pelo próprio nome, a quantidade de imagens pornográficas falsas é assustadora. Como ficará a mente dessas pessoas quando isso migrar para vídeos hiper-realistas?

Muitos defendem o fim da propriedade intelectual e do direito de imagem. Não vou entrar nessa discussão, na verdade vou ser bem mais pragmático: estou prevendo a irrelevância desse direito. Querendo ou não, não seremos mais donos de nossas imagens, qualquer um poderá fazer o que quiser com elas, e só não fazem hoje por falta de paciência e expertise, duas coisas que computadores tendem a substituir bem rapidamente.

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