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MPT ajuíza ação de 250 milhões contra Samsung por péssimas condições de trabalho na Zona Franca de Manaus

A Procuradoria Regional do Trabalho da 11ª Região do Ministério Público do Trabalho ajuizou uma Ação Civil Pública (ACP) contra a Samsung na última sexta-feira, cobrando uma indenização de no mínimo 250 milhões de reais por danos morais coletivos.

7 anos atrás

Samsung

A Procuradoria Regional do Trabalho da 11ª Região do Ministério Público do Trabalho ajuizou uma Ação Civil Pública (ACP) contra a Samsung na última sexta-feira, cobrando uma indenização de no mínimo 250 milhões de reais por danos morais coletivos.

Empregados trabalham por até 10 horas em pé, a jornada de trabalho chega a 15 horas por dia e um empregado chegou a trabalhar 27 dias direto sem folga. O ritmo de trabalho é intenso, do verbo WTF?: uma televisão é encaixotada a cada 4,8 segundos; um smartphone sai da linha de montagem a cada 85 segundos, e um ar-condicionado split em menos de 2 minutos.

Segundo Ilan Fonseca, procurador do MPT, a empresa foi notificada a apresentar a documentação referente à jornada de trabalho, mas se recusou.

Segundo Luiz Antônio Camargo de Melo, Procurador Geral do Trabalho:

Essa Ação Civil Pública é importante porque o valor postulado possui um efeito pedagógico. A sujeição de trabalhadores a jornadas de 15 horas é algo inadmissível, especialmente em uma empresa do porte da Samsung.

O índice de trabalhadores com problemas de saúde é muito elevado na Samsung em Manaus, acima da média de outras empresas. Em 2012, problemas de coluna, tendinite e bursite geraram 2018 pedidos de afastamento. A empresa emprega em torno de 5600 pessoas, abastecendo toda a América Latina. A Samsung recebe diversos incentivos fiscais, como isenção de IPI e abatimento de até 75 % do imposto de renda. Por isso o Ministério do Trabalho quer que a Samsung passe a arcar com despesas médicas, já que hoje o custo recai sobre o INSS.

As irregularidades foram encontradas em duas fiscalizações feitas na fábrica de Manaus, uma em maio de 2011 e outra em maio desse ano. O ritmo alucinado de trabalho é agravado pela falta de cadeiras para descanso e altura inapropriada das mesas. Segundo Rômulo Lins, auditor fiscal do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), "a empresa não tem um gerenciamento adequado da parte de saúde ocupacional. Ela não está preocupada de fato em resolver o problema".

O número de trabalhadores temporário também é absurdo. Dessa forma quando alguém reclama é demitido e segue o baile.

Resta saber se a Samsung terá a mesma simpatia que tem a Apple por parte de seus usuários, que absolveriam Hitler se ele fabricasse o iPhone, a julgar por esses comentários.

Fonte: Repórter Brasil

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