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jOBS — análise do filme

Confira a análise de jOBS, filme independente que retrata a trajetória do co-fundador da Apple vivido por Ashton Kutcher

7 anos atrás

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Quando há alguns meses surgiram na internet as primeiras imagens do ator Ashton Kutcher  caracterizado como o co-fundador da Apple no filme independente jOBS, muitos dos que criticaram a escolha dele para encarnar o guru meio que se dissiparam. Se visualmente o Steve Jobs de Kutcher parecia crível, restava esperar se o roteiro do filme manteria a credibilidade.

No último dia 09 fui assistir à cabine de imprensa do filme a convite da PlayArte e surpreendentemente Kutcher não está tão ruim em sua caracterização, apesar do roteiro sofrível.

O filme começa de forma razoável, com a apresentação do iPod original em 2001, e na sequência corta para 1974, quando ele ainda era um não-estudante hippie do Reed College e trabalhava na Atari. A partir daí o que se vê é uma caracterização forçada da vida de Jobs, como se desde o início ele já fosse um gênio e todos ao seu redor fossem imbecis ou ingênuos demais para ver adiante, como é o caso da visão que o filme passa do grande Steve Wozniak, que aliás criticou duramente o filme.

Woz deixou claro que, enquanto Jobs não partilhou as ações da Apple com os primeiros empregados que ajudaram a criá-la, como Dan Kottke e Bill Fernandez, ele próprio dividiu sua parte com eles e mais 80 pessoas. Ter sido retratado como o nerd bonzinho que só quer ajudar também não o agradou, o levando a não recomendar o filme a ninguém.

Cena mostra Jobs e Woz montando os kits do Apple I

Cena mostra Jobs e Woz montando os kits do Apple I

Jobs era dito como alguém difícil de lidar e com uma personalidade magnética, mas o filme extrapola as escalas. Cada discurso dele é ouvido com uma atenção e reverência como se fosse o Sermão da Montanha principalmente em momentos tensos da trama, dando a ele uma cara de filme de auto-ajuda para profissionais. Além disso, o filme faz questão de vilanizar todos que ficaram contra Jobs em determinado momento do filme, como o investidor Arthur Rock e os ex-CEOs John Sculley e Mike Markulla, sem considerar que boa parte da culpa de Jobs ter sido expelido da Apple foi dele próprio.

Como se não bastasse o filme é desconexo e impreciso. Na cena em que Jobs descobre o Windows ele liga para Bill Gates e chilica com ele ferozmente, dando a impressão de que eles nunca se viram na vida. Na verdade Gates vendeu o direito de licença de seu BASIC para a Apple utilizar no Apple II (porque Woz, que queria desenvolver jogos não implementou a capacidade de ponto flutuante por considerá-la desnecessária) e desenvolveu programas para o primeiro Macintosh.

A tal cena com o Windows

A tal cena com o Windows

Entretanto a confusão maior é quando ele aborda o lado pessoal de Jobs, principalmente o sub-plot envolvendo sua primeira filha Lisa: numa cena ele rejeita Chrisann dizendo que o filho não é dele, depois ele cria um computador com nome dela sem mais nem menos, depois ele aparece considerando abrir mão de seus direitos como pai, e mais adiante Lisa aparece dormindo no sofá da casa dele. Dá a impressão de que Jobs era bipolar, mas a culpa é do roteiro escrito pelo novato Matt Whiteley. A direção de Joshua Michael Stern, que tem em jOBS seu terceiro trabalho, também não ajuda.

Considerações finais

A conclusão que se chega é de que o filme é uma visão pessoal que o diretor e Kutcher (que entrou tanto no personagem que o ator chegou a criticar Woz, dizendo que ele foi pago para falar mal do filme) possuem de Steve Jobs, e o filme o ilustra quase como uma criatura extra-humana, que sempre teria sido genial e destinado a mudar o mundo, e desconsidera o crescimento gradual que ele teve. Além disso partes interessantes como seu envolvimento com a Pixar e a NeXT Computer foram ignorados.

Woz, Jobs e Rod Holt, que desenvolveu a fonte do Apple II. Ao fundo Chris Espinosa, que trabalha na Apple até hoje

Woz, Jobs e Rod Holt, que desenvolveu a fonte do Apple II. Ao fundo Chris Espinosa, que trabalha na Apple até hoje

Ainda assim o filme pode empolgar fãs da Apple, mas dificilmente será levado a sério. Resta esperar se a película da Sony baseada na biografia escrita por Walter Isaacson e dirigida por Aaron Sorkin (A Rede Social) será mais bem sucedida, aliado ao fato de que Woz está prestando consultoria para ele.

jOBS será lançado no Brasil no dia 06 de setembro. Fique com o trailer:

PlayArte — Jobs - Trailer Legendado

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