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Considerações sobre a selfie da Ellen, Samsung, iPhone, Oscar e o Twitter

Neste texto vamos abordar publicidade, a eficiência da campanha da Samsung no Oscar, a selfie da Ellen DeGeneres e a eterna discussão entre fãs do Android vs fãs da Apple. E já adianto: viva a concorrência!

7 anos e meio atrás

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Existem algumas disputas no mundo atual que já duram alguns anos. Conflitos no Oriente Médio, Estados Unidos contra a Al Qaeda no Iraque, ataques religiosos na Nigéria, Russia e Ucrânia, Coreia do Norte contra a Coreia do Sul e fãs da Apple contra fãs de Android.

Assim como muitas destas investidas citadas acima, a guerra entre a maçã e o robô já dura alguns anos. Eu venho escrevendo sobre isso há muito tempo.

Ontem aconteceu o Oscar e, como o Laguna já disse aqui, a Ellen DeGeneres levou o prêmio de melhor selfie e ainda bateu o recorde de bilheteria no Twitter.

Isso porque a apresentadora aprontou várias confusões na cerimônia, tirando uma selfie individual, inicialmente, mas depois juntando esse povo todo da foto acima para uma foto coletiva, feita com um Galaxy Note 3 e um logo gigante da Samsung explodindo na tela de milhares (1 bilhão?) de expectadores.

Existem tantas coisas que podem ser analisadas depois disso que eu nem sei por onde começar. Bom, vamos primeiramente pelo fator humano: "é rodoviária ou aeroporto?" - sim, ligando o dane-se para o preconceito nesse sentido, foi um momento descontraído de pessoas normais se divertindo com um celular, exatamente como alguns mortais fazem em festas do dia-a-dia. Isso sem contar a pizza que rolou depois.

De certa forma, o pseudo-protocolo de comportamento like-a-sir da academia deu lugar a um momento no qual vários atores e atrizes se empoleiraram uns aos outros pra uma foto "da galera naquela festa monstra". Ao contrário de tanta coisa ensaiada, foi um momento espontâneo. E ficou engraçado.

A foto em questão já foi compartilhada mais de 2.700.000 vezes. Para efeito de comparação, o tweet do Obama, que antes era o que tinha o recorde, tem, até a publicação deste texto, 781.673 retweets.

Com certeza a Samsung está muito feliz com o resultado da campanha. O chamado product placement, o barulho causado, o nome da empresa e do Note 3 em rodas de discussões e blogs e sites e zaz, como exposição da marca foi um sucesso, certamente.

Mesmo no Facebook a foto foi amplamente divulgada. O alcance poderia ser maior, mas aí a Ellen teria que pagar o boost do post.

A gente pode aqui até fazer um adendo de que pelo menos duas outras marcas receberam uma publicidade gratuita ontem a noite: a tal da pizzaria Big Mama’s & Papa’s que prontamente já estampou sua página com as fotos do ocorrido durante a cerimônia, e claro, o Twitter.

Anyways, todo esse barulho incomodou os fãs da Apple, que evidenciaram que nos bastidores, a apresentadora na verdade usa o iPhone:

https://twitter.com/markgurman/statuses/440308530466127872

E começaram a surgir várias piadas como “Pra usar o Galaxy, só pagando…” e coisas assim. (ahhaha ok, foi boa hahaha).

Aí eu pergunto: vocês de fato acharam que aquele era o smartphone da Ellen? Alguém achou de verdade que ela pararia o Oscar, arbitrariamente, para fazer uma foto com seu próprio celular? Pra postar no Twitter? Era evidente que se tratava de uma ação comercial.

E como ação comercial, tanto faz se a mulher usa o iPhone nos bastidores. Vi gente especulando até que ela usa o iOS como segundo sistema, mas não gente… Ela usa iPhone.

Pode parecer mentira isso (#GloboMente), mas tem gente que usa iPhone, tem gente que usa Android da Samsung, tem gente que usa Android da Motorola, tem gente que usa Windows Phone, tem até quem ainda use BlackBerry! Juro, é verdade.

Agora, vamos analisar: quem aí vai comprar o Galaxy Note 3 só porque a Ellen DeGeneres usou no Oscar? E quem aí vai comprar iPhone só porque ela usa o aparelho no dia a dia? Entendem onde isso vai parar? Mercadologicamente falando, quem conhece tecnologia vai comprar baseado em seus gostos pessoais, nos recursos que são melhores pra si. Quem não liga tanto pra tecnologia, vai buscar o melhor custo benefício, e — como já ouvi falarem — “tanto faz se é da Apple ou do Google, eu quero é poder ver e-mail e acessar o Facebook”.

Eu sei que, pra quem é fanático pela marca (e isso demanda um fanatismo que infelizmente existe), argumentar de forma racional não tem eficiência alguma. Mas aos demais, fica aqui uma dica: use o aparelho que mais lhe agrada e que melhor lhe atende, tanto faz se ele tem uma maçã estampada ou um robozinho verde ou janelas estilizadas. E, principalmente, tanto faz o que outra pessoa vai usar.

Não se importe tanto assim se tal pessoa não usa o mesmo sistema que você. Quanto mais diversidade, melhor pra todo mundo. Com mais concorrência, mais energia será gasta para que uma das empresas tente superar as outras. E quem ganha com isso somos nós, consumidores.

A Apple discorda um pouco do que eu vou dizer agora, mas estas companhias não precisam de evangelizadores ávidos e agressivos. Estas marcas sabem como se promover. A ação de ontem mostrou isso muito bem.

E para harmonizar, vamos seguir o exemplo de Jesus, que mesmo em um ambiente hostil, ensina a benevolência, compartilhando o pão:

UPDATE: aí depois dessa repercussão toda, a Samsung patrocina uma chamada dentro do programa da Ellen, dizendo que vai doar US$ 1 por retweet da foto, para duas instituições e ainda dá um Galaxy Note 3 pra cada pessoa da platéia:

Me diga que faz alguma diferença a apresentadora usar o iPhone nos bastidores, e se isso atrapalhou a campanha no Oscar! Parabéns à Samsung!

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