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É hora do duelo! Hearthstone: Heroes of Warcraft - Análise

Uma análise de Hearthstone: Heroes of Warcraft, TCG da Blizzard para PC, Mac e iPad que conseguiu agradar os jogadores ao silenciar o chat durante combates

6 anos atrás

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Quando eu era moleque eu costumava acompanhar meu pai quando ele se encontrava com os amigos dele em um bar dentro de um lava-rápido (anos 80 gente, ninguém ligava pra uma criança num boteco). Uma das ocupações deles era jogar truco, e qualquer um que testemunhou ou jogou uma partida sabe a gritaria e algazarra que se forma quando alguém reverte uma jogada perdida ao sacar um zap ou mesmo marcar ponto com um blefe. Era divertido, mas não raramente alguém saia do sério e xingava Deus e o mundo.

Com os jogadores de card games isso não é muito diferente. Não importa se jogo é Magic ou Yu-Gi-Oh!, sempre vai ter um esquentadinho que não acredita que perdeu e vai xingar muito, e isso foi meio que transferido para a jogatina online. Card games com opção de chat ou fórum mantém a instituição de maldizer, o que faz meio que parte do charme. Por isso quando a Blizzard disponibilizou Hearthstone: Heroes of Warcraft, um TCG CCG baseado em seus carismáticos personagens de sua emblemática franquia uma turma torceu o nariz por um motivo: o game silencia completamente os jogadores. Não há opção de conversa seja por voz ou texto. Entretanto isso não prejudica o game, ao contrário o torna mais dinâmico e menos intimidador pois foca onde interessa: na jogabilidade e diversão.

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Hearthstone: Heroes of Warcraft foi lançado em março para PC e Mac e atraiu uma quantidade significativa de jogadores, já que o game vinha causando certo barulho desde que fora anunciado na PAX East 2013. Entretanto o boom do game se deu há uma semana atrás quando ele desembarcou no iPad. Enquanto que jogar um card game num computador é agradável de certa forma, num tablet as partidas ficam ainda mais intuitivas e consequentemente, mais divertidas. Claro, algumas coisas tiveram que ser adaptadas para a realidade do iPad, mas isso não desmerece nem uma nem outra versão. O jogo é excepcional nos computadores, mas no tablet ele brilha.

A jogabilidade não é nada complexa. Ao iniciar o jogo ele pede sua tag da Battle.net, e então você será apresentado a um tutorial que lhe explicará as principais mecânicas do game, na forma de cinco missões. Há nove classes básicas, cada uma representada por um personagem já conhecido pelos fãs: Mago (Jaina Proudmore), Sacerdote (Anduin Wrynn), Bruxo (Gul'dan), Paladino (Uther, o Arauto da Luz), Guerreiro (Garrosh Grito Infernal), Druida (Malfurion Tempesfúria), Caçador (Rexxar), Ladino (Valira Sanguinar) e Xamã (Thrall). Você começa com um deck básico e conforme evolui você vai ganhando cards melhores para montar sua própria estratégia.

Passado o tutorial você pode desafiar jogadores online ou treinar, mas a maioria das missões que rendem prêmios são alcançadas nas partidas online. Os cards possuem níveis de 1 a 10, que consomem o mesmo número de cristais para serem colocadas em campo. Você começa um partida com um cristal, e a cada turno recebe uma a mais para utilizar seus cards. Além disso cada herói possui uma habilidade que consome dois cristais, que variam entre causar dano, curar ou colocar lacaios (os nomes das cartas) em campo. Claro, como em todo CCG existem cards comuns, de efeito (aqui chamado Grito de Guerra) e de suporte/magia. Há ainda o modo Arena, em que você tem que ganhar partidas com um deck aleatório, visando muitos prêmios. Claro, esse modo é pago, 150 moedas ou R$ 4,50 por partida. E se você perder três partidas está fora.

Há três maneiras de conseguir cartas: ganhando pacotes evoluindo, comprando eles ou produzindo as próprias. Você pode comprar um pacote utilizando moedas do jogo ou kits com várias unidades, mas aí é preciso abrir a carteira: cada pack vem com cinco cartas, sendo que uma sempre será rara ou lendária (mais difícil de se conseguir). O modo de encantar cartas utiliza cards repetidos: utilizando um pó que você recebe ao vencer combates você pode desmontar um card e montar outros.

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Falando sobre o combate, como dito antes o game não permite que os jogadores conversem ou se agridam entre si. Você tem opções de frases pré-definidas ditas pelo herói, que é a única forma de se manter contato com seu adversário fora saber quem você enfrenta através da Gamertag. Isso elimina gasto de energia desnecessário, ao invés de xingar o oponente que destruiu suas cartas com um Golpe Flamejante, o adversário deve pensar num modo de reverter a situação. É excelente porque o que interessa é a partida em si.

A dublagem é um show à parte. Ainda que muitos jogadores de Warcraft das antigas odeiem a localização dos nomes seria injusto dizer que o trabalho do diretor de dublagem Gustavo Nader é inferior ao original em inglês. Figurinhas carimbadas como Teresa Cristina, Júlio Chaves, Mauro Ramos, Julio Cezar e outros mandam muito bem.

No fim das contas Hearthstone é um jogo não apenas divertido, mas um dos melhores e mais democráticos CCGs digitais desde Shadow Era. É o tipo de game que fica muito divertido no computador, mas no iPad ele é item obrigatório.

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