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Quem diria: Wi-Fi e celulares podem sim interferir com aviões

A FAA, agência reguladora federal da aviação doméstica nos Estados Unidos, ordenou a substituição dos displays Honeywell das cabines de mais de 1.300 jatos da Boeing, incluindo alguns dos mais recentes modelos de 737, para evitar possíveis interferências de dispositivos Wi-Fi.

6 anos atrás

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Vamos lá. Pra começar não leve a sério a imagem acima. Nem as versões desta notícia que você verá em sites mais preocupados com cliques do que com conteúdo. O que aconteceu é sério mas não é o fim do mundo, o pessoal do Scorpion nem foi acionado. Ainda.

O caso é simples: sabe quando você coloca o celular muito perto do computador ou do monitor, ele tenta contactar a torre, emite raios cancerígenos de glúten/sódio e a tela treme e/ou a caixa de som emite um zumbido irritante? Pois é. Um estudo da FAA — Federal Aviation Administration, nos EUA descobriu que uma série de displays fabricados pela Honeywell era suscetível a interferência de celulares, rádios e dispositivos Wi-Fi.

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Em textos testes extremos um dos displays apagou por intermináveis 6 minutos. O FAA diz que, em situações críticas como pouso ou decolagem a perda de uma dessas telas pode acarretar até perda de controle da aeronave.

Dadas as características das ondas eletromagnéticas, não há como equipamentos lá no fundão com os passageiros interferirem com as telas. O problema são os pilotos, que cada vez mais usam tablets, substituindo cartas de navegação e outros formulários.

Essa interferência foi descoberta em 2012, a recomendação da FAA foi que as telas fossem trocadas em um prazo de 5 anos. A Honeywell se comprometeu a resolver o problema nas unidades novas, mas que a interferência se enquadrava dentro do aceitável pelas regras da própria FAA. A Southwest Airlines por sua vez tem Wi-Fi a bordo em 400 Boeings 737, já voou 2,3 milhões de horas e nunca teve um incidente. Em verdade ninguém nunca reportou nada nesse sentido.

Mesmo assim como mais e mais operadoras estão liberando uso de Wi-Fi e celulares, a FAA prefere pecar pelo excesso de segurança e estendeu a ordem de upgrade das telas para um total de 1.400 aviões, não só os Boeing 737 como também os 777s.

O grande escândalo aqui não é “oh o avião pode cair”. Não pode, os testes do FAA só mostram resultados perigosos depois de uma potência de sinal tão fora do normal que equivale a testar uma cadeira de jardim de infância com um casal de blogueiros gays entusiasmados. O escândalo é como a Honeywell consegue cobrar US$ 10,2 mil por uma tela e ela ser mais suscetível a interferência do que um monitor xing-ling de R$ 200,00.

Um comentarista sugeriu que quando boa parte desses equipamentos foi projetado, no final dos Anos 80, as exigências eram outras, mas interferência eletromagnética sempre foi algo a se evitar, e aeronaves militares jamais funcionariam com equipamentos sem esse tipo de blindagem, que é pouco mais complicado do que envolver a traseira do display em papel alumínio.

Várias empresas preferiram simplesmente não usar tablets nos cockpits, a pagar US$ 20,4 mil para trocar as telas dos painéis, mas com passageiros exigindo Wi-Fi e conectividade celular a bordo, as empresas vão acabar tendo que entubar o prejuízo. Ou, mais provavelmente, botar a Honeywell no pau.

Fonte: WSJ via Aviões e Músicas.

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