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Sons que você não consegue ouvir podem prejudicar a sua audição

Nós não escutamos sons em baixa frequência, menores de 20 Hz, mas eles podem ser prejudiciais à nossa audição, mesmo que temporariamente. É o que mostra um estudo que saiu recentemente na Royal Society Open Science.

7 anos atrás

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Quando eu era adolescente, surgiu uma modinha no meu colégio sobre “um som em uma frequência que não poderia ser ouvido por adultos”. Na época, eu não sabia se era verdade mesmo, porém, há estudos que demonstram que os sons maiores de 18.000 Hz não são ouvidos por pessoas mais velhas e isso se deve à deterioração do sistema auditivo. Você pode fazer alguns testes aqui. Contudo, sons de baixa frequência também não são perceptíveis, mas podem trazer algumas más consequências.

Um estudo recente sugere que uma turbina eólica, ou uma multidão enlouquecida em um jogo de futebol, ou um motor a jato em aceleração total produzem ondas sonoras que estão bem abaixo das frequências que seres humanos podem ouvir. Mas só porque você não consegue ouvir os componentes destes sons de baixa frequência não significa que eles não têm efeito sobre os seus ouvidos. Ouvir apenas 90 segundos de som de baixa frequência pode mudar a forma como o ouvido interno funciona por alguns minutos após o término do ruído.

Sempre se achou que a exposição ao som de baixa freqüência era inofensivo, e este estudo sugere que não é”, diz o pesquisador audiologista Jeffery Lichtenhan da Escola de Medicina da Universidade de Washington em St. Louis, que não esteve diretamente envolvido no estudo.

Os seres humanos geralmente podem sentir os sons que estão na frequências entre 20 e 20.000 ciclos por segundo, ou hertz (Hz) — lembrando que este intervalo diminui à medida que a pessoa envelhece. A exposição prolongada a ruídos de maior intensidade (volume) dentro da faixa audível de frequências é bastante conhecida por causar perdas na audição ao longo do tempo. Entretanto, estabelecer o efeito de sons com freqüências abaixo de 250 Hz é mais difícil e pouco estudado. Mesmo que eles estejam acima de 20 Hz, estes sons de baixa frequência tendem a ser inaudíveis ou quase inaudíveis, e as pessoas nem sempre sabem quando estão expostas a eles.

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O funcionamento do ouvido interno alterado temporariamente pela exposição a sons de baixa frequência.

Para o novo estudo, o neurobiólogo Markus Drexl e seus colegas da Universidade Ludwig Maximilian, em Munique, Alemanha, pediram a 21 voluntários com audição normal para sentarem dentro cabines à prova de som e, em seguida, tocaram um som de 30 Hz por 90 segundos. Esse ruído profundo, segundo Drexl, é aquele que acontece quando você abre as janelas do carro enquanto está dirigindo rápido em uma estrada. Eles usaram sondas para registrar a atividade natural do ouvido depois que o ruído terminou, aproveitando-se de um fenômeno chamado de Emissões Otoacústicas Espontâneas (ou spontaneous otoacoustic emissions, SOAEs, em inglês), no qual o próprio ouvido humano saudável emite sons de assobio fraco. “Normalmente eles são muito fracos para serem ouvidos, mas com um microfone que é mais sensível que o ouvido humano, podemos detectá-los”, diz Drexl.

As SOAEs das pessoas são normalmente estáveis ​​durante curtos períodos de tempo. No entanto, no estudo, após 90 segundos de som de baixa frequência, a SOAEs dos participantes começou oscilante, alternando entre mais forte e mais fraca. As flutuações duraram cerca de 3 minutos e a equipe descreveu os resultados na Royal Society Open Science. As mudanças não são diretamente um indicativo de perda de audição, mas querem dizer que o ouvido pode estar temporariamente mais propenso a danos após ser exposto a sons de baixa frequência. “Apesar de não haver estudos ainda, há a possibilidade concreta de que se você está exposto a sons de baixa frequência por um longo tempo, o efeito pode ser permanente”, Drexl acrescenta.

O triste sobre nossos ouvidos é que podemos estar fazendo coisas terríveis para eles com sons que não são necessariamente dolorosos”, diz o pesquisador de perdas auditivas Charles M. Liberman, da Harvard Medical School, em Boston. Para explorar o real perigo de sons específicos, Liberman diz que o mesmo experimento pode ser repetido com as condições que imitem o ruído de turbinas eólicas, pois essa questão é muito debatida e há grande preocupação sobre os efeitos que os seus sons causariam na audição. Ele também gostaria de ver estudos de como os ouvidos reagem a barulhos, ao invés de silêncio, nos minutos após a exposição ao ruído de baixa frequência.

Ainda não é preciso entrar em pânico pois os resultados demonstram que os problemas são apenas temporários, mas é bom que haja esse tipo de pesquisa para nos deixar atentos a problemas literalmente invisíveis e, assim, verificar se não haverá danos a longo prazo.

Fonte: SM.

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