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Foto de Peter Lik é a mais cara do mundo

A imagem batizada de Phantom foi vendida por US$ 6,5 milhões, mas muita gente ficou contrariada com isso.

7 anos atrás

Já tivemos alguns textos por aqui falando das fotos mais caras do mundo e também da questão do valor da arte. As conclusões é que estamos andando em um terreno de subjetividades (pedradas lá nos comentários) e que muito da prática de comercialização de obras de arte é determinado por especulação e por avaliações contraditórias de uma mesma obra. Feita essa pequena introdução, gostaria de noticiar que foi batido o recorde de foto mais cara do mundo. O recorde pertencia ao fotógrafo Andreas Gursky que, em 2011, teve sua fotografia “Rhein II” comercializada por US$ 4,3 milhões. Agora, quem está no topo da lista é o fotógrafo australiano Peter Lik que teve sua fotografia “Phantom”, que retrata o Cânion Antelope no Arizona, vendida a um colecionador anônimo por US$ 6,5 milhões.

phantom_peter_lik

Embora seja normal que os preços fiquem cada vez mais altos no mercado de arte, não podemos negar que existem polêmicas envolvendo essa venda. Lembram no começo do texto quando citei que esse mercado é cercado de subjetividades?

Então, segundo a Coluna Entretempos do jornal A Folha de São Paulo, o fato que mais causa espanto nessa notícia não é o valor pago pela obra de arte, mas a constatação de que seu autor tem uma importância muito pequena dentro deste mercado. Em 2000, o fotógrafo conseguiu vender sua primeira imagem com valor acima de US$ 1 milhão e o jornal Sydney Morning Herald publicou um texto consultando críticos de arte que foram unanimes em apontar que pelo valor de US$ 1 milhão existiam outras obras mais importantes que poderiam ser adquiridas.

Apenas me apropriando de uma das citações, feita por Megan Dick, diretor da MiCK Gallery, aponta que Lik é “competente tecnicamente. A qualidade da produção das imagens é ótima, a qualidade da arte é que não”. Ele continua a sua explanação apontando que uma fotografia necessita de uma ideia, uma reflexão e singularidade para elevá-la à categoria de arte. Já defendi essa ideia em alguns textos e muita gente não concorda comigo. A fotografia em si não é arte, mas ela pode ser utilizada como ponto de suporte para a arte. Ou seja, o conceito, a idéia, o objetivo, é mais importante do que a imagem em si (e que me perdoem os fotógrafos comerciais que dizem fazer arte). Quem também se pronunciou foi o crítico de arte do The Guardiam, Jonathan Jones (aquele que afirmou que fotografia não pode ser vendida como arte em galerias). Ele simplesmente afirma que Phanton é “sentimental em seu romantismo estudado, e de muito mau gosto. Parece um pôster elegante que você pode achar enquadrado em uma sala de um pretensioso hotel”. Recomendo a leitura completa da coluna dele sobre o tema. É deliciosamente ácida e vai causar muita discussão no mundo da fotografia.

Finalizando, o mundo da arte é capitalista como qualquer outro. Obras de arte são investimentos seguros que raramente desvalorizam. Porém, parte da segurança do valor da obra de arte está ligada à trajetória do artista e os conceitos com os quais ele trabalha. Peter Lik parece conseguir extrair o máximo de seu equipamento e nos brindar com imagens quase perfeitas. Mas, infelizmente, isso não é o bastante no mundo da arte.

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