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Um robô com cérebro de minhoca

Sem rodeios, é lindo e assustador. Cientistas simularam o cérebro de um microverme em um computador, ligaram a um robozinho e ele reage a estímulos, comportando-se… como um verme.

7 anos atrás

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O campo da Inteligência Artificial é talvez a maior decepção das últimas décadas. Imaginava-se que computadores e robôs, devidamente atrelados às 3 Leis da Robótica estariam por todos os lados. Hoje HAL 9000 seria um trambolho psicopata obsoleto 17 anos ultrapassado.

Na prática temos zero sucesso na emulação de inteligência. Elon Musk e Stephen Hawking acham que isso vai mudar, e pode ser perigoso. Já Roger Penrose e Miguel Nicolelis defendem que a IA simplesmente não é possível.

As pesquisas para criação de aplicações de inteligência artificial se dividem basicamente entre IA Forte e IA Fraca. A Forte envolve consciência, e é bem cabeluda. A Fraca é onde temos mais sucesso, como reconhecimento de imagem, navegação, coisas assim.

Alguns tentam identificar e modelar os processos de pensamento. Outros usam a estratégia da caixa-preta: simulam os neurônios, as sinapses entre eles e esperam que a complexidade das interconexões entre eles “apenas funcione”. O projeto OpenWorm mostra que se esse não é o caminho correto, o errado também não é.

A idéia é simular cada célula do corpo de um Caenorhabditis elegans, uma minhoquinha insignificante de 1 mm de comprimento, cujo cérebro tem 302 neurônios. Quase nada, embora ainda seja milhares de vezes mais inteligente que essa gente aqui.

No software ele já funciona, mas agora um grupo foi além. Eles construíram um robozinho de LEGO, interfaceando-o com o cérebro simulado. Cada neurônio sensorial tem um sensor associado. Cada neurônio motor é decodificado e o movimento traduzido para as rodas. Em todos os fins práticos temos um cérebro de um microverme funcionando no mundo real. Veja o vídeo:

Timothy Busbice — CElegans Neurorobotics

Ele não faz muito mais do que andar por aí, que é basicamente a vida de um nematóide, mesmo os mais ambiciosos. O que impressiona, assusta, deslumbra é que temos um cérebro simulado reagindo a estímulos externos. Quando ele bate na parede, cessa o movimento e volta, não está seguindo um programa. Está DECIDINDO um curso de ação. Mesmo a movimentação não é pré-programada.

Claro, nosso amiguinho é a criatura mais simples com algo parecido com um cérebro (descontando comentaristas de portal) e seus 302 neurônios e 7.500 sinapses são gerenciáveis. Emular um caramujo com 11 mil neurônios seria mais complicado, e ainda não temos capacidade de processamento para rodar em tempo real o cérebro de uma mosca da fruta, com 100 mil neurônios e 107 sinapses, mas em breve teremos.

Imagine um drone com um cérebro desses.

A grande questão é: haverá um limite? Será a inteligência fruto apenas da complexidade? Onde será o corte? Formigas não são lá muito inteligentes, com 250 mil neurônios. Já um rato, com 71 milhões, é comprovadamente mais esperto. Talvez fazer um computador inteligente seja um mero trabalho de força bruta.

Fonte: Smitty.

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