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Pesquisadores encontram evidências de matéria escura no meio da Via Láctea

Cientistas da Universidade de Estocolmo descobriram evidências de matéria escura na nossa tão querida Via Láctea. Esse estudo pode ajudar a entender o que de fato é esse tipo de matéria e como ela causa os efeitos na gravidade em outros corpos celestes.

5 anos e meio atrás

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A matéria escura, conhecida também como Dark Matter, é um desses mistérios do universo que fazem a gente se coçar de curiosidade e que queimam neurônios de físicos todos os dias ao redor do mundo.

Se você não sabe do que se trata, pode parecer até bobo. “Como assim matéria escura no espaço!!?? Tudo que eu vejo no espaço é escuro!”. É bem mais complexo que isso, mas vou tentar dar uma simplificada aqui. A gente já está familiarizado com o conceito de matéria, que compõe “as coisas” do nosso universo. Mas, apesar desse mistério todo ao redor da matéria escura, acredita-se que 85% de toda matéria que existe no espaço é composta por ela.

Se colocarmos energia nessa equação, temos aproximadamente 68,3% de energia escura (come to the dark side!), 26,8% de matéria escura e apenas 4,9% de matéria normal.

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Funciona assim: cientistas ao longo dos anos perceberam que existia gravidade ao redor de objetos (lente gravitacional), visíveis, evidentemente, mas também em objetos invisíveis.

Como assim, invisível!!?? E cientista acredita nessas coisas? Expliquem essa, ateus!

Calma! Em geral, quando temos um fenômeno assim, a primeira coisa a ser feita é tentar estudar, experimentar, testar hipóteses e levantar evidências para entender o que está acontecendo. Os astrônomos não podem ver a matéria escura propriamente dita, mas podem estudar seus efeitos, e medir que estrelas estão orbitando ao redor de suas galáxias em uma velocidade mais rápida do que deveria ser. Algo tem que explicar isso, essa gravidade inesperada e inexplicável. Mas o quê?

Pois bem, e se existisse um enorme amontoado de uma matéria invisível (nem precisa ser matéria, alguma coisa) em contato com cada galáxia, contribuindo com sua massa e taxa de rotação? Isso explicaria a divergência dos valores e essa anormalidade nos cálculos da física envolvida. Pois bem, essa hipótese é o que permeia a existência da matéria escura.

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Mas Matheus, você não explicou o que é a matéria negra. Do que ela é composta, maiores detalhes, como assim?

Pois é, eu sei. Os cientistas ainda não sabem definir o que ela é. Eles conseguem evidências de que existe alguma coisa ali, mas não sabem exatamente o quê. “Matéria escura” foi o nome dado ao que está causando isso. Poderia ser, sei lá… Susan.

A linha de raciocínio parte aqui na definição do que a Dark Matter NÃO é. Por exemplo, os estudiosos sabem que o que está causando essas variações não emite luz e não pode ser visto diretamente, então não pode ser uma estrela ou um planeta. Não se trata também de uma nuvem de matéria normal, já que as partículas desse tipo de matéria são chamadas Bárions e seriam detectáveis na luz refletida.

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Matéria escura também não é antimatéria, já que o contato da antimatéria com a matéria produziria raios gama, e esse tipo de raio não foi encontrado durante nenhum experimento. Matéria escura também não é um buraco negro, já que a dobra da luz seria muito diferente, pela quantidade de matéria que existe ali.

Bom, agora a gente sabe mais sobre a Dark Matter, como os cientistas aprenderam sobre sua existência e o que ela não é. Sabemos que ela existe, mas não existe ainda uma forma de ver esse tipo de matéria, só o efeito que ela causa. Efeito esse que já tinha sido medido em lugares longínquos da nossa galáxia, mas um estudo realizado pela Universidade de Estocolmo e publicado na Nature, obteve provas observacionais diretas da presença de Matéria Escura no meio da Via Láctea.

Miguel Pato, um dos autores do documento, explicou no comunicado de imprensa:

Nós criamos a mais completa compilação de medições de gás e estrelas na Via Láctea já publicada, e comparamos esses valores com a velocidade de rotação esperada quando assume-se que só matéria luminosa existe na nossa galáxia. A rotação observada, no entanto, não pode ser explicada a não ser que existam grandes quantidades de matéria escura ao nosso redor e entre a gente e o centro galáctico.”

É a primeira vez que um estudo científico encontra uma evidência como essa nessa área. Mas como eles fizeram isso? Eles usaram modelos de distribuição de massa bariônica, que eram comparados com as curvas rotacionais da galáxia. E os estudos vão continuar, tentando entender mais sobre esse material tão fascinante.

Nosso método permitirá futuras observações astronômicas para medir a distribuição de matéria escura em nossa galáxia com uma precisão sem precedentes. Isso vai permitir refinar a nossa compreensão da estrutura e evolução da nossa galáxia e irá garantir previsões mais completas em todo o mundo, em estudos que buscam partículas desse tipo de matéria.” — concluiu Pato.

Ele pretende jogar até o final do ano no São Paulo e conseguir uma transferência para algum time da Itália e… Opa, editorial errado.

Para enlargear a imagem da Via Láctea com os pontos encontrados pelos cientistas, clique neste link. Vale cada byte da sua banda de internet.

Pra fechar, deixo vocês com Neil DeGrasse Tyson falando sobre o assunto:

https://www.youtube.com/watch?v=_4AjR83Q-KQMatéria Escura - Energia Escura (LEGENDADO)

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