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África, Brasil ou EUA: quem levaria o Darwin Awards da não vacinação?

Dezesseis países africanos possuem programa de vacinação contra o sarampo mais eficiente que os Estados Unidos. Entenda os motivos.

5 anos e meio atrás

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Não queira encontrar uma Taenia saginata dentro de você (crédito: Alamy / BBC)

Cinquenta e quatro por cento, pouco mais da metade da população mundial vive em áreas urbanas. Em 2050, seríamos 66%. Vivendo na cidade ou no campo, quarenta por cento das pessoas que atualmente vivem neste planeta não têm acesso a saneamento básico.

São 2,5 bilhões de pessoas que convivem com lixo e esgoto diariamente, com o risco de doenças e infestações por parasitas. A forma mais barata de evitar tais riscos é uma boa educação pública, que ensine os cidadãos a terem higiene. Medidas como lavar as mãos, ter cuidados com os alimentos, evitar andar descalço em via pública já evitam muitos problemas.

No caso de doenças infecciosas, outra forma bem popular de prevenção são as vacinas. As vacinas estão mantendo boa parte do mundo seguro contra epidemias que já foram terríveis num passado distante. Infelizmente essa segurança ao erradicar diversas doenças faz com que alguns indivíduos confiem demais na própria sorte.

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Como as vacinas funcionam? (crédito: PopSci)

Tomemos como exemplo o sarampo, uma doença horrível e aparentemente erradicada em vários países graças à vacinação.

De acordo com a doutora Sue Desmond-Hellmann, CEO da Fundação Bill & Melinda Gates, 16 países africanos possuem taxa de vacinação pública do sarampo bem próxima aos 100%. São taxas superiores à dos Estados Unidos, que é de 91%.

TAXA DE VACINAÇÃO PÚBLICA CONTRA O SARAMPO (FONTE: GGA, DADOS DE 2013)
Argélia95%Líbia98%
Botswana94%Ilhas Maurício99%
Burúndi98%Marrocos99%
Egito96%Ruanda97%
Eritreia96%Ilhas Seychelles97%
Gâmbia96%Tanzânia99%
Quênia93%Tunísia94%
Lesoto92%Zimbábue93%

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Tudo bem que estamos falando de nações com população e território bem menores que os Estados Unidos. Só que representam dezesseis países com vários graus de instabilidade econômica e política, mas que ao menos possuem programas de vacinação pública contra o sarampo aparentemente mais eficientes que o mais rico país do mundo.

Outro detalhe que pode explicar isso: enquanto os africanos parecem ter cada vez mais consciência de que vacinação é um milagre tecnológico, alguns norte-americanos podem se dar ao luxo de fazer as Festas do Sarampo. Ignorando a vacinação, alguns pais colocam seus filhos em perigo por causa de uma doença que em teoria fôra erradicada. Também temos os paranoicos que são anti-vacinação, por causa de supostos efeitos colaterais indesejáveis que a imunização traria ou mesmo por fobia crônica de agulhas.

No caso do Brasil e mudando a doença, também temos grupos conservadores que vêem a vacina contra o vírus do papiloma humano (HPV) como uma espécie de incentivo à prática sexual precoce e insegura. O tio Laguna chegou a ver um vídeo de uma adolescente brasileira que dizia que não precisaria ser imunizada contra tal doença porque Deus protegeria à ela e o futuro marido, e também por ambos serem conservadores ao acreditarem de verdade numa família feliz do tipo comercial de margarina.

Sinceramente, boa sorte.

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