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Nanossatélite brasileiro é lançado e — você já sabe, né?

Boas novas, agora a gente não precisa mais ficar com vergonha por nossos satélites caírem. O Brasil arrumou uma nova modalidade: um Cubesat desenvolvido pelo INPE/ITA, lançado no começo de fevereiro não funcionou também. Palmas pra gente, incompetentes independente da escala.

5 anos e meio atrás

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Criados em 1999, os cubesats são uma excelente pensada fora da caixa. Em vez de bilhões de dólares, décadas de desenvolvimento e complexidade inimaginável, eles resolvem problemas simples de forma simples. São cubinhos Knorr de dez 10 cm de lado, pesando pouco mais de 1 kg, e em geral pegam carona em foguetes lançando satélites de verdade.

Eles são usados em coletas de dados, testes de tecnologias e quando seu país é pequeno, pobre mas esforçado, como o Equador, são motivo de orgulho nacional

Há até projetos no Kickstarter onde colaborando com US$ 150,00 você ganha o direito de direcionar o satélite e fazer 15 fotos. Timesharing em um satélite espião, só seu! Amo o futuro.

Em 2013 a Escola Thomas Jefferson de Ciência e Tecnologia construiu o primeiro cubesat feito por estudantes, posteriormente lançado com ajuda da NASA. Esse tipo de trabalho é um senhor estímulo para as crianças, você não está plantando feijão ou fazendo sandália de pneu, você está construindo um fucking satélite e mandando-o para o fucking espaço.

No Brasil é de se esperar que isso não aconteça, dado nosso viralatismo e ódio a tudo que seja relacionado com ciência, a ponto de uma escola proibir um professor de fazer foguetes com garrafa PET e ar comprimido, por ser “perigoso”.

Por sorte há gente que não compra essa visão medíocre. Um deles é o Professor Cândido Moura, da Escola Municipal Tancredo Neves, de Ubatuba. Ele teve a idéia de engajar seus alunos em um projeto quixotesco: construir, no Brasil, com alunos de uma escola pública na faixa dos 12 anos um satélite.

O projeto cresceu, eles ganharam reconhecimento, foram visitar a NASA e apresentaram o projeto no Japão. Meninos e meninas tiveram seu futuro mudado por causa do projeto, que rendeu um documentário que assim como o satélite está pra ser lançado.

O Tancredo 1, como chamam o satélite, custou R$ 14 mil. Mil, não milhões, escola pública, lembra? Hoje em dia há um monte de empresas vendendo kits de cubesats, como o usado pelos alunos. O topo de linha da CubeSatKit por exemplo custa US$ 8.750,00.

Como todo kit é uma ferramenta de aprendizado, e pode ser agregado com tecnologias experimentais e soluções próprias, como os alunos da Tancredo Neves fizeram.

Enquanto isso, no Programa Espacial Brasileiro…

O INPE e o ITA entraram na brincadeira dos Cubesats também, mas como tudo no Brasil tem que ser grande, caro e não funcionar. Construíram o AESP-14, com tanta pompa e circunstância que tem até site em inglês.

Pois bem; provando que nós não sabemos mesmo construir satélites, o AESP-14 foi lançado da Estação Espacial. É muito bonito de se ver, os bichinhos são suavemente ejetados e se afastam lentamente…

cubesats

O Cubesat brasileiro (que nem é o primeiro) deveria realizar vários experimentos durante os 15 dias de autonomia da bateria. Deveria, mas como estamos falando de Brasil no Espaço, a antena não abriu, o satélite não teve como se comunicar com a Terra e o projeto fracassou.

Pra completar, o tamanho da facada. Um kit de Cubesat, tecnologia que você literalmente compra online, custa uns US$ 8.500,00 dependendo da loja. Quanto saiu o mais novo pedaço de lixo espacial, que vai matar o George Clooney?

R$ 400 mil.

E pra finalizar, de novo o estagiário do INPE foi rápido no gatilho. Lembra quando o CBERS-3 foi lançado, soltaram o release declarando sucesso pra 5 minutos depois o satélite cair na Antártica matando pinguins? Fizeram de novo. A Agência Espacial Brasileira soltou release celebrando o sucesso do lançamento do cubesat que nasceu morto.

É triste amar ciência no Brasil. Felizmente temos a gurizada de Ubatuba pra nos dar um fio de esperança.

Fonte: O Globo.

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