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Os robôs valentes que estão mapeando a usina de Fukushima

Conheça Rosemary e Sakura, os dois robôs que estão mapeando os níveis de radiação de Fukushima em lugares onde o homem não pode entrar

5 anos atrás

sakura

O acidente de Fukushima em 2011 é um excelente exemplo de que independentemente do quão planejemos, não estamos prontos para enfrentar a natureza em um dia de fúria. A instalação levou literalmente uma porrada do Pacífico, é injusto dizer que a energia nuclear é insegura quando a usina teve que enfrentar o planeta de mau humor.

Quaro anos depois os japoneses estudam a melhor maneira de descomissionar a instalação, e para isso são precisos testes, inspeções, avaliações e etc. Só que como os níveis de radiação ainda são muito altos, precisamos da ajuda de nossos pequenos companheiros mecânicos, os robôs.

rosemary

Vendo o vídeo abaixo a impressão é que estamos vendo um FPS de terror, mas a verdade é que dois robôs, Rosemary e Sakura estão ajudando técnicos japoneses a medir o estado atual de Fukushima. Desenvolvidos pelo Chiba Institute of Technology, ambos autômatos são capazes de se locomover pelo ambiente abandonado e altamente contaminado da usina nuclear e são equipados com câmeras especiais que captam os níveis de radiação. Rosemary é encarregada de perscrutar o ambiente enquanto Sakura filma cada pedacinho das instalações.

Os robôs podem transpor obstáculos com até 45 graus de instalação e possuem sensores e giroscópios que lhes permitem navegar pelas instalações sem a necessidade de GPS. As câmeras gama padrão de 150 quilos entretanto não puderam ser utilizadas simplesmente porque os robôs não suportam tanto peso. A solução foi desenvolver um conjunto próprio, com câmeras de 17 kg.

Eles possuem dispositivos como scanners laser que lhes permitem criar um mapa radiativo bem preciso de Fukushima, que será combinado com as planas originais da usina. O sistema integrado de câmeras e sensores chamado de N-Visage é operado por Rosemary, enquanto Sakura faz as vezes de estação de transmissão, enviando os dados coletados para a equipe que opera os autômatos a 200 metros de distância.

News Scientist — Robots map radiation in Fukushima nuclear plant

As informações coletadas permitirão uma avaliação precisa de como proceder para descontaminar e eventualmente desativar Fukushima da melhor maneira possível. Só que nem tudo é perfeito: a Tepco, a operadora da usina perdeu a primeira unidade enviada para o reator 1 na última sexta-feira, quando ele ficou preso na metade do caminho e parou de funcionar posteriormente (a autonomia da bateria é de 20 horas). Ainda assim conseguiu enviar dados interessantes: os níveis de radiação no reator chegam a 10 sieverts/hora, o suficiente para matar qualquer um em menos de 60 minutos. Ainda assim, os técnicos dizem que o nível está abaixo do esperado.

Claro, desmantelar uma usina não é um trabalho de dois dias: a previsão para o total descomissionamento de Fukushima, sendo obedecidos todos os procedimentos de segurança gira em torno de 40 anos. O próximo passo é desenvolver uma versão dos robôs que possam atuar debaixo d’água, capaz de investigar a parte de baixo do vaso de contenção, dessa forma descobrindo quanto do combustível nuclear ainda resta — a Tepco acredita que o mesmo se fundiu e vazou dos vasos de pressão dos reatores 1, 2 e 3, se acumulando no fundo dos de contenção.

Fonte: News Scientist.

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