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Dark Souls II: Scholar of the First Sin — Review

Nesta análise do Dark Souls II: Scholar of the First Sin explico porque ele pode ser considerado videogame em sua essência e como a From Software conseguiu criar um jogo impiedoso, mas não injusto.

6 anos e meio atrás

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Certa vez Friedrich Nietzsche disse que aquilo que não nos mata, nos fortalece, mas quando o filósofo alemão elaborou tal raciocínio, ele não poderia imaginar que um dia Hidetaka Miyazaki daria vida à série Souls.

Desde o Demon’s Souls até o mais recente capítulo da franquia, o Dark Souls II: Scholar of the First Sin, será justamente a constante presença da morte que nos tornará mais poderosos, transformando em um jogo eletrônico a ideia de que só aprendemos com os erros que cometemos e com as pancadas que levamos.

Após quase 30 horas dedicadas a o que a From Software considera a versão definitiva do Dark Souls II, muitas coisas me deixaram bastante impressionado com o game, desde a sóbria direção artística até a sua jogabilidade, com o conjunto servindo como uma grande lição de como se fazer um game.

Para quem nunca jogou uma das criações de Miyazaki, a grande inovação trazida por ele foi a maneira como interagimos com outros jogadores. Com a aventura acontecendo sempre online, conforme avançamos pelas fases encontramos mensagens deixadas por outros jogadores e elas serão importantíssimas para evitarmos armadilhas ou nos preparamos para confrontos contra poderosos inimigos.

dark-souls-2-3 Além disso, existe ainda a possibilidade de invadirmos o jogo de outras pessoas ou as convocarmos para nos ajudar, o que faz dos títulos experiências tanto solo, quanto cooperativa e competitivas, e se no papel a ideia parece boa, acredite, na prática ela funciona muito melhor.

Contudo, ao aperfeiçoar muito do que foi proposto no Demon’s Souls e até no seu sucessor espiritual, Dark Souls II: Scholar of the First Sin tem me feito pensar em como ele pode ser considerado videogame em sua essência, exigindo do jogador um alto grau de reflexos, atenção, persistência e principalmente, dedicação. Nele qualquer erro será duramente punido, me passando a sensação de que o game nunca chega a ser injusto. Impiedoso sim, mas não injusto.

Digo isso porque, assim como víamos nas décadas de 80 e 90, quando os arcades ainda eram tão influentes, o SotFS é um jogo muito difícil que nos obrigará a repetir inúmeras vezes alguns trechos, mas com um pouco de (ok, muita!) paciência e esforço é possível ultrapassar tais desafios e é aí que percebemos o real motivo de nos submetermos a tamanho sofrimento.

Sim, mas do que conhecer a história do mundo de fantasia em que somos jogados ou de vislumbrar seus enormes cenários, este é um jogo de superação, um jogo sobre provarmos para nós mesmos que somos capazes e sobre comemorar uma façanha por um breve período, pois sabemos que algo muito pior virá a seguir, nos fazendo sentir novamente como é ser melhor do que a máquina.

Outro aspecto que reforçou esse sentimento de “volta à era de ouro dos games” é a maneira como o jogo raramente pega em nossas mãos e nos mostra como proceder, o que confesso, por várias vezes me fez recorrer a internet, fosse para entender o que fazer com determinado item, fosse para saber como me comportar diante de um inimigo aparentemente invencível.

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Durante todo o tempo que dediquei ao jogo, foram muitas as vezes em que me peguei fascinado pela genialidade do design das fases, com cada elemento parecendo ter sido colocado com extremo cuidado e castigando severamente aqueles que quiserem avançar pelo cenário sem tomar cuidado, mesmo que já tenham passado por ali diversas vezes. Em um jogo assim, cada esquina pode esconder uma ameaça, cada passo pode disparar uma armadilha e não demorará até percebermos que estaremos sempre em constante perigo.

Também tem me encantado a capacidade do Scholar of the First Sin de se reinventar, permitindo que eu avançasse com relativa facilidade por certos trechos, abaixasse a guarda achando que o título havia se tornado mais fácil e logo me apresentando a situações incríveis, como por exemplo um chefe rodeado por dezenas de comparsas ou outro capaz de roubar todo o meu equipamento, ação que felizmente se mostrou apenas um susto.

Como não joguei o Dark Souls II, não sou capaz de dizer em que pontos esta nova versão o melhorou, por isso acreditarei no relato daqueles que defendem que o Scholar of the First Sin é apenas uma atualização de um ótimo jogo, trazendo gráficos melhores (apenas na nova geração e PC), todos os DLCs lançados anteriormente, algumas mudanças pontuais — especialmente no balanceamento — e permitindo que os donos de um PlayStation 4 e Xbox One possam conhecê-lo, mas nada que justifique uma nova compra.

De qualquer forma, seja o Scholar of the First Sin, seja o Dark Souls II, estes são jogos que todos apaixonados por games deveriam experimentar, mesmo com seu alto nível de dificuldade sendo bastante intimidador nas primeiras horas, pois quando você conseguir ultrapassar um desafio, por menor que ele seja, sentirá novamente aquela euforia que só um game com extremamente bem feito e desafiador é capaz de propocionar.

Bandai Namco Entertainment America — Dark Souls II: Scholar of the First Sin - A New Darkness

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