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Nintendo volta a pegar pesado com YouTubers

Nintendo está mandando o Google deletar canais de YouTubers que fazem speedgaming usando ROMs de seus jogos; empresa diz que não irá tolerar pirataria

5 anos atrás

mario-banhammer

Houve um tempo em que as desenvolvedoras de games odiavam os YouTubers por pegarem seus títulos, fazerem vídeos engraçados ou walkthroughs com eles e ganhavam uma grana considerável, sem retornar nada para os donos do conteúdo. Por muito tempo algumas delas, como a Activision distribuíam flag para os donos dos canais, deletavam vídeos e tudo mais.

Quando as redes começaram a crescer, as empresas preferiram fechar acordos onde todos saíam ganhando. Hoje, com o Content ID é fácil para as softhouses identificarem seus materiais e agirem como acharem melhor: contatando para um entendimento, deletando vídeos, mutando áudios, distribuir notificando canais, etc.

A Nintendo, notória defensora ferrenha de suas IPs odeia os YouTubers, isso é fato. Sob seu entendimento ela e somente ela tem o direito de lucrar com os vídeos, o que a levou em 2013 reverter todo o AdSense dos YouTubers para si. A chiadeira foi geral, mas a Casa do Mario mandou o recado: “as marcas são nossas, o dinheiro é nosso e não de vocês”.

Como forma de se reconciliar com os YouTubers, a Nintendo introduziu em 2014 um programa de afiliados que divide a grana entre a empresa, o YouTube e o uploader do vídeo, reconhecendo que ele tem méritos por sua criação. Mas note, ele fica com a menor fatia e se não aceitar, não recebe nada.

Só que isso não basta. Agora a Nintendo apontou seus canhões para speedrunners e desta vez, não está aberta a diálogo.

O primeiro a notar que algo está acontecendo foi o YouTuber Alex “PangaeaPanga”, cujo canal foi sumariamente exterminado. Ele é o criador do popular vídeo “Hardest Super Mario World Level Ever”, entre outros em que fazia speedruns. Você sabe, aquela modalidade onde o jogador tenta terminar um game o mais rápido possível abusando de glitches, muitos deles através de ROMs hackeadas.

Foi aí que o bicho pegou. A Nintendo possui uma resolução firme sobre emulação, para a casa do Mario toda e qualquer forma dela é ilegal. Assim, a empresa utilizou do Content ID para que o YouTube encerrasse a conta de Alex e de outros, que também estão reclamando do mesmo problema.

O YouTuber switchPCorner, que também teve o canal encerrado pelo mesmo motivo recebeu um e-mail da Nintendo explicando sua posição, e embora a mensagem o aconselhasse a deletar os vídeos, ela própria preferiu deletar o canal.

Abaixo a carta na íntegra. Nela a Nintendo deixa claro o motivo da deleção dos canais, ela não mais permitirá que usuários veiculem vídeos de speedruns e modificações, pois isso é pirataria e não é passível de negociação:

Gostaríamos de informa-lo de que seus vídeos em questão infringem os direitos autorais da Nintendo. Como dona dos direitos sobre os games Mario Kart 8, Super Mario World e Pokémon, a Nintendo possui os direitos exclusivos de fazer publicidade ou realizar trabalhos baseados em seus games. Ao fazê-lo utilizando uma IP da Nintendo e disponibilizando-a em seu canal, você violou nossos direitos exclusivos.

 

A Nintendo entende que seus fãs são a razão para o seu sucesso, e sempre ficamos felizes ao vê-los demonstrando sua paixão por seus títulos. Ao mesmo tempo, as IPs da Nintendo são seus bens mais valiosos, e seu uso não autorizado compromete seus direitos. Por causa disso, nós pedimos que você por favor remova os vídeos em questão de seu canal, e se comprometa a não mais postar vídeos utilizando softwares não autorizados ou cópias de nossos games, distribua material ou continue com o trabalho de modificação, ou tome quaisquer outras atitudes que infrinjam os direitos da Nintendo.

 

A Nintendo recomenda que os fãs se comprometam através do Programa de Afiliados. Assim, os participantes terão acesso a uma licença para utilizarem os personagens, jogos e outras IPs da Nintendo, sujeitando-se ao Código de Conduta incluído no contrato. Porém, o mesmo proíbe o uso de qualquer tipo de software não autorizado ou cópias ilegais de nossos jogos. Isso inclui vídeos de speedruns utilizando ferramentas auxiliares, que requerem o uso de uma ROM do jogo, rodando-a através de um emulador.

 

Agradecemos a sua compreesão.

 

Atenciosamente,

 

Equipe Anti-Pirataria da Nintendo

Embora isso possa significar algo catastrófico para alguns, ações como o SuperGamesDoneQuick, em que os jogadores detonam jogos rapidamente pela caridade podem escapar porque em geral eles utilizam os videogames originais. Por outro lado, a carta é vaga ao ponto de abranger de certa forma todos os YouTubers que fazem vídeos de games da Nintendo que não aderiram ao programa de afiliados. Sob todos os aspectos, apenas os que se sujeitarem terão permissão da companhia para fazer seus vídeos e ganhar uma graninha. Aos demais, a lei.

Isso ainda vai dar muito pano para a manga. A Nintendo já é mal vista por muitos jogadores, com essas atitudes contra YouTubers o pessoal só vai pegando cada vez mais antipatia.

Fonte: Kotaku.

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