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CES 2016 — Kodak volta ao passado com nova câmera Super-8

Kodak vai reintroduzir no mercado as famosas câmeras Super-8, com direito a revelação da película pela companhia incluído no custo da venda do filme analógico

4 anos e meio atrás

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O Super-8 foi introduzido no mercado em 1965 pela Kodak como uma evolução do tradicional filme de 8 mm: mesma largura, mas com perfuração menor que permitia a introdução de células maiores, ou seja mais qualidade na filmagem. Nos tempos áureos a câmera Super-8, por ser muito mais acessível se tornou o primeiro equipamento muitos cineastas, de Christopher Nolan a Sam Raimi, passando por JJ Abrams (que dedicou um filme ao formato) e mesmo Spielberg já brincou com o filme.

Por outro lado produtores independentes e a indústria pr0n abraçaram o Super-8 com vontade, principalmente por ser um equipamento barato. Evidente que com o tempo o mundo evoluiu, e o Super-8 foi para a gaveta. Agora, durante a CES 2016 a Kodak está trazendo o formato de volta mirando nos entusiastas, estudantes de cinema e claro, nos hipsters.

A Kodak daria um excelente estudo de caso nas escolas de administração. A empresa centenária foi a responsável por inúmeras inovações no cenário de fotografia e cinema, desde a invenção do filme de rolo, passando pelas populares câmeras Instamatic até o já citado Super-8. Por outro lado ela também perdeu o bonde da inovação, já que foi em seus laboratórios que foi desenvolvida a primeira câmera digital do mundo, mas os executivos na companhia não apostaram no formato. Como consequência ela foi destroçada pela concorrência e sem muita surpresa faliu, após tentar se salvar de todo jeito vendendo divisões e interrompendo a produção de diversas linhas.

Um das divisões da Kodak que sobreviveu foi a de películas para cinema, mantida exclusivamente por um pequeno grupo de cineastas entusiastas com bala na agulha para manter a empresa rodando. O resultado são filmes como Os Oito Odiosos e Star Wars: O Despertar da Força capturados em filme da Kodak e digitalizados posteriormente (não no caso do Tarantino).

Assim sendo a empresa julga que ainda há espaço para aqueles que desejam ter contato com tecnologias legadas até para fins de estudo, e por causa disso resolveu reviver o Super-8, um de seus formatos mais populares.

A meta é, além de comemorar os 50 anos do formato manter o legado da película vivo e estimular novos cineastas, profissionais e amadores a continuarem investindo no formato. Para se manter ao menos alinhada com as tendências a nova linha de câmeras (todos os modelos apresentados na CES são protótipos) conta com recursos como um display de 3,5″ e portas USB, HDMI e P2 e entrada para cartões SD para captura de áudio, pois apenas o filme mudo padrão será compatível.

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A Kodak construiu todo um ecossistema em torno das novas câmeras Super-8: ao comprar o filme o usuário leva também o direito a revelação e acesso ao vídeo finalizado. Após realizar sua filmagem o filme deve ser despachado para os laboratórios da Kodak, que irão revelá-lo e disponibilizar o filme na nuvem, além de enviar o filme em 8 mm para uso em projetores, fora os negativos (muito provavelmente o áudio deve ser submetido junto).

A lente padrão da câmera é uma Ricoh de 6 mm, que pode ser substituída por uma Zoom de 6-48 mm. Recursos como controle de exposição e velocidade também se fazem presentes.

A Kodak pretende colocar as novas Super-8 no mercado já no segundo semestre e o preço vai variar entre US$ 1 mil e US$ 1,5 mil. Por se tratar de um ecossistema fechado ele estará disponível inicialmente apenas nos Estados Unidos, Reino Unido e Alemanha.

UPDATE: o Nick passou pelo stand da Kodak e trouxe algumas fotos:

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