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Quantic Dream e sua bela experiência com David Bowie

Fundador da Quantic Dream faz um belo relato de como foi trabalhar com David Bowie na criação do jogo Omikron: The Nomad Soul e mostra a grande pessoa que o artista era.

4 anos e meio atrás

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Esta semana começou com a triste notícia do falecimento de David Bowie, uma perda inestimável não só para o mundo da música, mas do entretenimento em geral. Mesmo gostando muito de várias de suas músicas, não posso dizer que sou um fã do artista, mas nem por isso deixo de reconhecer sua importância para a indústria e principalmente, para aqueles que adoravam o inglês.

Por sinal, a morte de Bowie me fez perceber como antes de vê-lo como um grande cantor muitas pessoas os enxergavam como um ótimo ser humano, causando uma comoção que poucas vezes vi depois da morte de uma celebridade e neste texto eu gostaria de mostrar um pequeno exemplo de quem era David Bowie.

Além dos muitos filmes que participou, dos quadros que pintou e até do provedor de internet que ajudou a criar, Bowie também teve seu nome ligado a alguns jogos eletrônicos, o último deles sendo o Metal Gear Solid V: The Phantom Pain, mas no fundo sempre nos lembraremos dele no Omikron: The Nomad Soul, mesmo porque ali não tínhamos apenas suas músicas.

Primeira criação da Quantic Dream, desenvolvedora que depois ficaria muito famosa com o Heavy Rain e o Beyond: Two Souls, aquele jogo lançado em 1999 para PC e Dreamcast conquistou vários admiradores e ao ser questionado pelo pessoal do GameInformer sobre como foi trabalhar com esta lenda da música, o fundador do estúdio deu um depoimento marcante.

Para tentar manter o tom da declaração, optei por apenas traduzir as palavras de David Cage e abaixo você confere o trecho que considero o mais legal, aquele que fala sobre o primeiro encontro que tiveram com o astro.

Me encontrei com o David pela primeira vez em 1998. Foi em Wimbledon, no escritório da editora do meu primeiro jogo, o Omikron: The Nomad Soul. Estávamos buscando uma colaboração musical com um artista de prestigio e me pediram para fazer uma pequena lista de artistas com os quais eu sonhava trabalhar. Bowie, é claro, era o primeiro da lista, embora ninguém pensasse seriamente que poderíamos sequer falar com ele. De qualquer forma lhes enviamos uma carta… quem sabe? … e para nossa total surpresa, o seu empresário respondeu que ele estava interessado e queria uma reunião.

 

Então lá estávamos naquele belo escritório esperando por David Bowie na sala de reunião, sem saber o que esperar. Sempre lembrarei do minuto em que ele chegou à sala. Ele tinha uma aura incrível, algo que nunca havia visto anteriormente ou que vi desde então. Ele foi muito gentil e amistoso, pediu desculpas por estar 10 minutos atrasado por causa do tráfego e nos apresentou ao seu “especialista em videogames”, seu filho Duncan Jones (ele tinha cerca de 14 anos na época e se tornaria um talentoso diretor).

 

Eu havia sido informado de que o Sr. Bowie teria apenas 20 minutos e que teria que ser bastante conciso. Eu vinha trabalhando no jogo dia e noite por dois anos; Tinha centenas de artes conceituais, milhares de páginas de script, alguns objetos em 3D rodando num PC, e não tinha ideia de como poderia compartilhar todas essas ideias, paixão e entusiasmo que tinha por aquele projeto, em 20 minutos. Felizmente, o encontro se estendeu por duas horas e meia. Bowie ouviu com muita atenção, olhou tudo o que mostramos para ele e fez perguntas relevantes.

 

No fim do encontro ele me perguntou, “tudo parece muito empolgante, o que você espera de mim?” Tudo o que queríamos era os direitos para usar sua música Heroes, que teria sido uma adição fantástica ao jogo e uma imensa honra para um jovem estúdio como a Quantic Dream (ou qualquer estúdio, na verdade). Bowie permaneceu em silêncio por um segundo e finalmente respondeu, “Não, não lhes darei uma música velha,” houve uma tremenda decepção na sala, “Eu irei escrever um álbum para vocês.” Todos nós nos olhamos, sem ter certeza de que entendemos ele direito e nos perguntando se ele tinha falado sério. “Diga-me o que mais eu poderia fazer por vocês,” ele disse. Bem, nós precisávamos da trilha sonora orquestrada para o jogo e seria fantástico ter o David Bowie como um personagem no jogo. Apertamos as mãos e nos perguntamos se tudo aquilo foi real ou se estávamos sonhando.

O depoimento segue contando os encontros que se seguiram e a parceria que durou por um ano enquanto o jogo estava em produção, com o músico atendo aos pedidos da desenvolvedora, mas acredito que esse trecho seja suficiente para termos uma ideia de quem era David Bowie e por isso só tenho uma coisa a fazer, que é agradecer ao David Cage por compartilhar essa história com a gente e dizer muito, mas muito obrigado, Ziggy!

Atualização: até o dia 22/01, a Square Enix está distribuindo gratuitamente o Omikron: The Nomad Soul. Basta acessar esta página e colocar “omikron” como cupom de desconto.

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