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Meerkat deixa de ser uma plataforma de streaming (tradução: MÓR-REU!)

Após ser massacrado pelo Twitter e usado (e descartado) pelo Facebook, Meerkat joga a toalha do streaming e vira uma “rede social de vídeos”

4 anos atrás

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Pois é, Timão… não deu.

Este é um ótimo exemplo de que nem sempre uma ideia excelente é garantia de sucesso, mesmo se bem executada. Inúmeros fatores podem atrapalhar ou mesmo impedir desenvolvedores de conseguir fazer com que sua criação faça sucesso, e o pessoal do Meerkat aprendeu essa verdade ao dar de cara com um grande empecilho: a concorrência desleal.

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Vamos entender o que aconteceu: em fevereiro de 2015 o app Meerkat foi lançado, trazendo uma ideia tão ridiculamente simples e óbvia que é uma vergonha ninguém mais ter pensado nisso antes: ele criava uma transmissão de streaming de forma rápida e prática, bastando apenas um clique de botão. Por originalmente ser integrado ao Twitter era fácil disparar notificações a seus seguidores, informando do início das transmissões.

Para pessoas que possuem pacotes de internet móvel generosos ou acesso a redes Wi-Fi públicas o Meerkat se revelou uma solução perfeita. Com um smartphone ou tablet já dotado de câmeras e os devidos links com redes sociais já estabelecidos, transmitir suas peripécias virou uma moleza, era basicamente um LiveChat de bolso.

Ele já nasceu causando barulho por ter sido promovido por diversas empresas, e entrou em evidência durante a SXSW 2015. Ele inclusive chegou a ser utilizado durante a edição de inverno da New York Fashion Week 2015, por alguns repórteres e entusiastas presentes. Só isso já serviu para chamar a atenção da comunidade.

periscope

O problema foi o timing. Não se sabe se os devs do Meerkat tinham acesso a informações privilegiadas ou não, mas o Twitter já vinha sinalizando antes que pretendia lançar um app do tipo. O suricato teria queimado a largada a fim de ganhar os usuários e claro, deu zica. Como consequência o Twitter restringiu o acesso à sua API e no mesmo dia anunciou a compra do serviço similar Periscope, cujo app foi lançado pouco tempo depois com pompa, circunstância e toda a integração.

Chutado do Twitter, o Meerkat recorreu ao Facebook para tentar se manter relevante, aproveitando o período de exclusividade do Periscope no iOS (estratégia padrão da rede social do passarinho, com o Vine foi a mesma coisa) e do fato de que ele já nasceu multiplataforma. Quando o concorrente desembarcou no Android ele obviamente perdeu muita força, mas podia contar com a rede do Zuckerberg para se manter vivo.

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Ledo engano. Mostrando o quão ingênuos foram o Facebook lançou o Live, um serviço próprio utilizando muito provavelmente o que aprendeu com o Meerkat. Resumindo, Zuck deu um carrinho por trás com o pé levantado. Mais, Zuck está priorizando transmissões do Live sobre quaisquer outros formatos de vídeo na timeline da rede social, enquanto a COO Sheryl Sandberg está tentando cooptar celebridades para utilizarem o app e fazê-lo bombar.

É óbvio que este é um esforço para desestabilizar o Periscope, mas logo de início ele atomizou o Meerkat.

Agora, com apoio zero das redes sociais o Meerkat não tem mais como se sustentar no formato atual. Os investidores já estavam malucos, a startup estava sendo empurrada pela concorrência para um buraco negro. Não tendo mais como se segurar, jogaram a toalha.

O CEO Ben Rubin anunciou nesta semana que o Meerkat enquanto plataforma de streaming não existe mais, pelo menos não no background. Os apps ainda funcionam, mas o suporte e desenvolvimento foram encerrados. Os esforços foram voltados para a construção de “uma rede social onde todos estão sempre ao vivo”, algo como uma nova plataforma de vídeos. Rubin não deu maiores detalhes, e diz que deverá revelar o que a equipe do Meerkat está aprontando dentro de até três meses.

É uma pena. O Meerkat trouxe uma excelente ideia e não fosse o timing, com o Twitter desenvolvendo uma solução própria e tendo ficado fulo nas calças talvez o app tivesse chances de deslanchar. Fica o ensinamento de que não basta só ter uma ideia boa e o dinheiro para realizá-la; é preciso pensar e muito no que a concorrência pode e irá fazer para puxar o seu tapete.

Fonte: re/code.

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