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EUA: empresas de tecnologia estão fugindo de estados com leis anti-LGBT

Empresas, em sua maioria de tecnologia dos EUA estão deixando de investir em estados que aprovam leis que reforçam preconceito contra homossexuais

4 anos atrás

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As coisas não andam muito boas nos Estados Unidos. Desde que a Suprema Corte aprovou o casamento entre duas pessoas do mesmo sexo alguns estados, baseados na liberdade com que se auto-regulam em termos de leis vêm tomando medidas nada simpáticas para proteger o que chamam de “liberdade religiosa” em não reconhecer a determinação do judiciário.

Só que defender tais medidas pode sair caro, principalmente porque muitas empresas não só expressam sua desaprovação como estão deixando de investir em tais estados.

Na última quarta-feira, após o governador republicano do estado do Mississipi Phil Bryant sancionar uma lei que autoriza estabelecimentos públicos e privados a recusarem o atendimento de casais homossexuais tendo como base princípios religiosos, enquanto uma série de protestos da população tomava as ruas diversas companhias dos EUA foram às redes sociais expressar seu desapontamento e fazer duras repreensões à decisão. Citando duas entre as mais modestas temos IBM e Microsoft, representada pelo seu presidente Brad Smith.

Não é um caso isolado. Desde a aprovação da lei que regulariza o casamento entre homossexuais estados mais conservadores (ou com governadores quadrados) estudam meios em dar a volta na determinação aprovando leis que asseguram o direito a se recusarem a atenderem quem não se enquadra na definição cristã de família. A Carolina do Norte até então era o estado com a lei mais polêmica: aprovada em 23/03 pelo governador Pat McCrory (outro republicano), ela determina que o uso de banheiros se baseie na descrição de gênero nos documentos, o que de cara cria uma série de problemas. Extrapolando um pouco, a tal “lei do banheiro” permite que baseado nessa regra estabelecimentos se recusem a receber membros da comunidade LGBT, especialmente transgêneros.

A resposta não tem sido gentil por parte de empresas. O PayPal cancelou um investimento milionário no estado por conta dessa lei, onde criaria postos de trabalho para no mínimo 400 pessoas. Paralelamente o prefeito de Seattle e o governador do estado de Washington Jay Inslee, ambos democratas proibiram os funcionários públicos de suas jurisdições de marcarem viagens oficiais ao Mississipi, a menos que sejam estritamente essenciais. A Apple e o Google também já se manifestaram negativamente sobre tais resoluções dos políticos em outras ocasiões.

Mesmo a ameaça de aprovação de tais leis já ligam todos os alarmes em companhias que não desejam ser coniventes com tais políticas. Quando o governador do estado da Georgia Nathan Deal (adivinha: outro republicano) aventou a possibilidade de sancionar uma proposta semelhante, a Disney logo de cara ameaçou levar seus negócios para um estado com políticas mais inclusivas. A maioria das produções da Marvel Studios são rodadas lá, o que representaria uma perda de milhões de dólares em impostos. O prefeito democrata de Atlanta Kasim Reed está fulo da vida com Deal porque tal decisão afetaria profundamente a cidade, hoje um interessante pólo de empresas de tecnologia.

O Matheus, que trabalha em uma dessas companhias de Atlanta está observando bem o arranca-rabo entre os políticos. Depois da ameaça da Disney o GOP pôs a mão na consciência e viu que defender princípios era algo muito menos importante do que ganhar dinheiro, tendo retirado o apoio ao governador. No fim das contas Deal vetou o projeto.

A questão é: mais estados vão entrar nessa roubada se arriscando a perder investimentos? Eu não duvidaria, mas como muitas empresas, em sua maioria de tecnologia e entretenimento não querem fazer negócios com aqueles que endossam discriminação, pode ser que daqui para frente os políticos cabeçudos pensem melhor antes de tomar tal decisão.

Fonte: Reuters.

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