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O Elefante Voador de Hitler

Elefantes voadores não costumam ser uma boa idéia, mesmo com prisão de ventre, mas mesmo assim a Alemanha nazista tentou. O resultado foi o Me 323, um dos maiores e mais lentos aviões do mundo em sua época. E se isso faz com que ele pareça um alvo fácil, acredite: era.

3 anos atrás

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A gente gosta de romantizar a Alemanha Nazista, acreditando que tinham tecnologia incrivelmente avançada, com seus caças a jato, bombas V2 e tanques invencíveis, mas a realidade não é bem essa. Sei que soa chocante mas Hitler fez muita coisa errada.

Os bombardeiros Stuka começaram a guerra obsoletos, se qualquer coisa mais avançada que uma galinha estivesse no ar, os derrubava. A incrível máquina de guerra alemã era essencialmente movida a cavalos, e Hitler não acreditava em bombardeiros de grande porte. Ele também insistiu em um avião de transporte pesado que era o sonho de qualquer piloto. Qualquer piloto aliado, claro.

O Me 323 era originalmente um planador, o Me 321, um projeto que foi concebido e apresentado em duas semanas. Como planador ele seria usado em invasões, e funcionou razoavelmente bem. Já como transporte, nem tanto.

Operacionalmente o 321 era… perigoso. Precisava de três aviões rebocadores, decolando em formação, e ainda usava motores auxiliares a foguete. Soa complicado? Era.

Com base no 321 os engenheiros reforçaram a estrutura de madeira com tubos de metal e atucharam seis motores no bicho, depois que ficou claro que uma versão com quatro mal conseguiria decolar.

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Com 28 metros de comprimento o Me 323 tinha 5 metralhadoras de calibre pesado, e podia levar 130 soldados equipados, ou tanques, ou veículos. 12 toneladas de carga, um número respeitável até hoje: um Hércules C-130 leva 20.

Esses números seriam mais impressionantes se os outros acompanhassem, mas não é o caso. A aerodinâmica, como dá pra perceber, era a mesma da testa do Izzynobre: o trem de pouso não recolhia, ele não era pressurizado, o teto era de 4.000 m, o alcance de meros 800 km e a velocidade de cruzeiro, 210 km/h.


Jaglavak Military — Messerschmitt Me 321/323 Gigant

Ele era um alvo enorme e suculento para pilotos inimigos: exceto em ocasiões especiais, só 3 das 5 armas podiam ser operadas, a tripulação era de 2 pilotos 2 engenheiros e um navegador, e só os últimos três podiam deixar os postos para defender a aeronave.

A carga não estava muito protegida, nem os tripulantes. Pano e Madeira não eram exatamente à prova de balas e o Me 323 era basicamente pano e madeira, se bem que os inimigos preferiam acertar os motores.

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O pior dia na vida dos Me 323 foi 22 de abril de 1943. Os alemães perderam acesso às rotas de suprimento via mar (maldito Alan Turing!) e no desespero organizaram um comboio de 27 Me 323, levando 540 toneladas de suprimentos essenciais para as tropas na África.

Mesmo com escolta de caças, foi um massacre. Sete esquadrões de Spitfires e P-40s atacaram a formação. Os elefantes voadores, rastejando a 200 km/h se viram no meio de uma temporada de caça ao pato, onde eles eram a supracitada ave.

Dos 27 que decolaram 22 foram derrubados. O resto pousou, aos trancos e barrancos.

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198 Me 323 foram construídos, em 1944 nenhum deles tinha condições de voar, para alívio dos pilotos.

 

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