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Análise: Castlevania Dracula X

12 anos atrás

Castlevania Dracula X é um jogo de plataforma 2D, lançado em 1995 pela Konami para SNES. Ele é, na verdade, um port de “Akumajou Dracula X: Chi no Rondo”, lançado para PC Engine (somente no Japão) em 1993. Apesar de ter saído 2 anos depois, a versão de SNES é inferior a de PC Engine (um video game de 16 bits¹ muito a frente do seu tempo que já utilizava CD-ROM). Mas nem por isso, a versão do console da Nintendo pode ser considerada ruim, longe disso.

1 – Na realidade sua CPU principal é de 8 bits.

Em meados de 1995, cheguei a jogar a versão do SNES nas locadoras de games, onde você pagava por hora. O máximo que conseguia chegar, era no chefe da 2ª fase. Depois de alguns meses, já com o console em casa, comecei a alugar o jogo, desta vez consegui ir um pouco mais longe, mas não consegui zerá-lo! Cheguei a ter uma versão japonesa do cartucho, joguei durante muito tempo e consegui finalmente terminá-lo. Mas queria entender mais sobre o enredo, então troquei o cartucho e comecei a procurar uma versão americana do mesmo.

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Consegui a versão em inglês mas, para minha decepção, o jogo tinha o sangue censurado! Quando seu personagem (Richter Belmont) morre, começa a jorrar sangue de seu corpo, na versão americana este sangue é branco! Cheguei a ver a tela de apresentação do jogo, para poder ler o texto (vale lembrar que nesta época, a internet no Brasil estava engatinhando e eu não tinha computador em casa, então não era como hoje, onde você acha facilmente estas informações e fan sites no Google!). Por conta dessa censura e pelo fato de já o ter finalizado, perdi o interesse de jogar e o cartucho ficou encostado por muito tempo.

Recentemente, tive uma motivação para jogá-lo novamente. Além disso, lembro que haviam algumas particularidades que ainda não havia explorado. Consegui realmente detonar o jogo e fazer todos os finais (sim, ele tem mais de um final!), jogando apenas no console, sem nenhum truque. E é a partir dessas experiências que quero passar minhas impressões do jogo para vocês.

História

A abertura é simples: mostra apenas uma transição de imagens estáticas, porém vai rolando um texto bem inspirador (apesar de clichê).

Começando

Não há seleção de nível de dificuldade, o Options traz apenas configurações de controle. Ao pressionar START, se ouve uma risada maléfica, provavelmente a do Conde Dracula.

Vemos um mapa mostrando o início da jornada de Richter. Adentramos no vilarejo em chamas e encontramos uma horda de inimigos: esqueletos, morcegos, cabeças de medusa e cabeças de dragão.

Jogabilidade

A jogabilidade é boa, apesar de ser um pouco dura. Mas depois de dominá-la, ela se torna até divertida. É possível se abaixar, temos também o incrível salto “mortal” para trás e o mais curioso: a possibilidade de seu personagem andar para trás! Também conhecido como “Moonwalk”.

Armas

Além do inseparável Chicote, Richter pode utilizar:

clip_image003 Bumerangue/Cruz

Uma das armas mais eficazes é a cruz, que funciona como um bumerangue. Ao arremessá-la, ela vai girando e causando dano por onde passa. E tem um detalhe interessante: no momento em que ela estiver voltando, você pode dar um salto mortal por cima dela, desta forma, ela ainda poderá acertar os inimigos que estão atrás de você!

clip_image004 Machado

O machado é outra arma muito boa, além de causar um dano alto, ele faz uma trajetória em forma de arco, bem útil para atingir inimigos que estão numa altura acima e abaixo de você.

clip_image005 Facas

Nosso herói também é um exímio arremessador de facas. Uma ótima escolha para enfrentar inimigos que estão na mesma altura que você, não importando a distância.

clip_image006 Água Benta

E como um bom caçador de vampiros, não poderia faltar em seu arsenal a água benta! Ela é ideal para pegar inimigos que são vulneráveis a ataques baixos, pois ela é lançada no chão, lembrando aquela magia de Terry Bogard (Fatal Fury). Mas se a situação estiver feia, você pode mandar um ataque especial e cairá uma chuva de água benta em todos os inimigos da tela! Essa arma me fez lembrar do filme Os Garotos Perdidos 2: A Tribo, onde o caçador de vampiros se ordenou como padre via internet apenas para conseguir fazer sua própria água benta.

clip_image007 Relógio (?)

Esse não é exatamente uma arma, ele é usado para deixar os inimigos mais lentos e seu ataque especial, na verdade, serve para defesa: é formado um círculo em volta do seu personagem, como um escudo.

As armas abrem um leque de possibilidades, tanto no enfrentamento dos inimigos da fase, como nos chefes. E para esses últimos, vale destacar que cada um deles costuma ser mais vulnerável a um tipo específico de arma. O que dá ao jogador o incentivo de, a cada tentativa, tentar variar no uso de armas, até descobrir a melhor para cada chefe.

Chefes

E por falar em chefes, este jogo traz vários memoráveis, como: um Morcego Gigante, Cavaleiro Sem Cabeça, Minotauro, Lobisomem, A Morte, entre outros!

Trilha sonora

Ainda não tive a oportunidade de jogar a versão de PC Engine (onde a trilha sonora deve ser em áudio de CD), mas achei as músicas de Castlevania Dracula X para SNES absurdamente boas. Tem um som bem limpo e composições excelentes.

Logo na primeira fase, a adrenalina vai a mil com “Bloodlines”, a mescla de toques de guitarra, bateria e sons de orgão é perfeita. Já a música que toca pouco antes de enfrentar o chefe, dá aquele frio na barriga, anunciando que coisa boa não virá! Mas quando o monstro se apresenta e parte para o ataque, a tensão impera! O rufar incessante dos tambores e as notas perturbadoras deixam o jogador tenso, o que coloca mais dificuldade ainda na batalha.

Certa vez, ouvi alguém dizer que a música influi na dificuldade de alguns jogos, como Super Metroid (que possui uma trilha bem soturna) e disse que fez o teste: jogou o game sem o som, disse que ficou muito mais fácil. E eu não duvido! Em Castlevania, conseguiram fazer isso de forma magistral. (Mas não vão me jogar sem som, por favor!)

E o que não dizer de “Bloody Tears”, “Beginning” e “Den”, são exemplos de músicas edificantes. Depois de ouví-las (e passar a fase) você se sentirá indestrutível!

Gráficos

Logo na primeira fase, já temos uma amostra dos ótimos gráficos do jogo, com o recurso Mode 7 muito bem utilizado nas chamas do vilarejo. Um dos detalhes que achei mais bem bolados são as paredes que escondem itens (geralmente de cura ou vidas), quando Ritcher bate nelas com o chicote, vão quebrando e a movimentação dos pedaços caindo é digna de elogios.

Em uma fase, algumas engrenagens tem uma textura e movimentação que lembram (ou são mesmo) CG (efeito parecido com o que há em Rock N' Roll Racing). Em alguns trechos de ambientes internos dos castelos, vemos uma riqueza de detalhes muito grande. Realmente foi um jogo feito com muito capricho.

Caminhos Alternativos

Mesmo depois de ver e ouvir tudo isso, o jogo ainda impressiona. Antes de iniciar cada fase, vemos um mapa com o trajeto da mesma até o ponto onde se encontra o chefe. Conseguimos ver no mapa partes além da tela em que estamos, até aí tudo bem. Mas o que surpreende no jogo é a possibilidade de caminhos alternativos que, além de dar a possibilidade de conhecer fases novas, pode modificar a história e o final do jogo!

Em jogos mais recentes, isso não é nada de mais. Mas para um jogo feito para um video game de 16 bits em 1995 é um grande feito! E para ter acesso a uma dessas fases alternativas, não é preciso fazer nada de muito complicado. Na terceira, você chegará em um trecho, onde terá que pular vários pilares, mas o problema é que não pára de vir inimigos. Porém, se você cair, ao invés de morrer, seu personagem cairá (literalmente) em outra fase!

Da primeira vez que isto aconteceu, fiquei muito nervoso, mas quando vi que eu tinha passado para uma outra fase, continuei jogando normalmente. Dá para saber que a fase é alternativa, quando aparece um “ ‘ “ ao lado do número do “Stage”.

Das primeiras vezes que finalizei o jogo, fiz apenas o final “ruim”. Já para fazer os outros finais, será exigido do jogador muita força de vontade e perseverança, vou dar alguns “Spoilers”:

- Na terceira fase, você não pode cair. Antes de enfrentar o chefe, você deverá pegar uma chave, que ocupará o lugar de sua arma secundária, isso dificulta bastante, pois geralmente é mais fácil passar os chefes usando as armas secundárias.

- Depois de passar o chefe, você deve continuar com a chave, não pode trocá-la por nenhuma outra arma, você terá que chegar até uma cela, ao usar a chave, a porta será aberta e você irá conversar com Maria, ela irá te dar uma dica e recuperar sua energia. Se você morrer antes disso, adeus chave!

- Na mesma fase, na sala antes do chefe, você ainda tem que estar com a chave e deverá usá-la em uma porta, assim você entrará na tela que costumo chamar de “Atlântida”. Nela haverá uma parte secreta onde você encontrará Annet.

Salvando as duas, você fará o melhor final, se salvar apenas Maria, fará o final meia boca e se não salvar nenhuma, o final será o ruim. 3 finais diferentes para um jogo de plataforma em 1995, é algo bem inovador na minha opinião.

Mas como eu disse, fazer os finais diferentes pode ser uma tarefa árdua! Além de fases alternativas, há também chefes alternativos, portanto se você já sabe todos os macetes, tome cuidado: você pode ser surpreendido por um chefe que nunca enfrentou antes!

veredicto
Depois de jogá-lo muito dentro de um período de 14 anos (estou velho!), posso dizer que Castlevania Dracula X é um excelente jogo, muito divertido. Se você gosta de desafios e de explorar o jogo ao máximo, tanto descobrindo itens escondidos, como aperfeiçoando as suas habilidades, dificilmente irá enjoar dele. (Estou falando como se o jogo tivesse sido lançado na semana passada, né?)

pros
- 3 finais diferentes
- Variedade de armas
- Trilha sonora impecável
- Utiliza Passwords
- Fases e chefes alternativos

contras
- Jogabilidade um pouco dura (até se acostumar)
- Na versão Americana, o sangue é censurado
- Não há Sound Test no Options, o que é um pecado para um jogo com uma Trilha Sonora tão boa.

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