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Veja como não é tão fácil afundar um navio de guerra

Afundar um navio não é tarefa fácil. Em um exercício recente EUA e Japão penaram pra conseguir, mas o resultado final não deixa de ser interessante. Clique e veja o fim do USS Racine.

3 anos atrás

Pense na criatura mais frágil do mundo, um emo millennial militante segurando uma flor. Sabe o que é mais frágil que isso? Naves em filmes de ficção. Se não for a nave do protagonista, o inimigo olha feio, ela explode. Em filmes de guerra convencional, a mesma coisa. Avião do mocinho, fica pesado de tanto chumbo que leva e ainda voa. Avião inimigo? O herói faz Dedinho de Bolsonaro pra fora da cabine e o bicho explode.

Na realidade é bem mais complicado afundar navios. Mesmo quando você apela, como no caso dos Kamikazes. No total o Japão perdeu 3.000 pilotos em ataques suicidas, o resultado foi mínimo: 34 navios afundados, 368 danificados, 4.900 marinheiros mortos. Isso a um preço altíssimo.

Mesmo o afundamento do HMS Sheffield, na Guerra das Falklands não foi essa Coca-Cola toda.

Ele foi atingido em cheio por um Exocet argentino no dia 4 de maio de 1982, graças a uma série indesculpável de erros e hagadas seguidas, e os danos não foram contidos por motivos semelhantes, incluindo falta de treinamento dos grupos de incêndio. Mesmo assim o Sheffield só foi afundar dia 10 de maio de 1982.

O que ajuda afundar um navio de guerra é que eles costumam ser cheios de coisas que fazem cabum, incluindo combustível, munição, gás, querosene pra helicópteros, etc. Se tirar isso tudo é um parto mandar um bicho desses pro fundo, como demonstrado no último RIMPAC, aquele exercício naval entre os EUA e outras nações. Em 2018 foram 28 países, e entre as várias missões fizeram um afundamento.

O alvo foi o es USS Racine, um navio de desembarque de tanques que serviu de 1971 a 1993.

Ele foi levado a um ponto secreto do oceano e unidades de patrulha receberam ordem de encontrá-lo. Depois de localizado, sua posição foi repassada para as unidades de ataque.

Primeiro ele foi atingido por cinco mísseis de Terra, foram lançados 4 japoneses e um norueguês, usado pelo Exército dos EUA. Sim, depois de quase 70 anos o Japão pode botar mais um navio americano afundado na lista, certeza que os caras pensaram nisso, não em voz alta.

Após os cinco mísseis ele foi atingido por mais cinco mísseis de precisão lançados pelos EUA, com um pequeno mistério, já que o navio estava teoricamente fora de alcance. pelo visto alguém falou demais e agora sabemos que o alcance real é um pouquinho maior que o divulgado. Não que alguém duvidasse disso.

Mesmo depois de todos esses tiros o USS Racine ainda estava flutuando. Compreensível, não havia mais nada de inflamável. Navios usados como alvos são cuidadosamente limpos, todas as substâncias tóxicas ao meio-ambiente são removidas, tanques de combustível drenados, até a tinta de certas partes é raspada. O Racine era um grande casco inerte flutuante.

O que não fazia diferença pra arma mais mortal da esquadra, o submarino. No caso o USS Olympia, um submarino nuclear de ataque classe Los Angeles.

Ele disparou um único torpedo Mark-48, usado por somente 5 marinhas do mundo, incluindo a do Brasil. Com alcance máximo de 50 km, o MK-48 identificou o alvo com ajuda do sonar do Olympia, e na aproximação final usou seus sensores para detonar sua ogiva de 300 kg de alto-explosivo debaixo do navio.

Isso é muito, muito pior do que aquelas explosões de filmes onde o torpedo atinge a lateral do navio e metade da força da explosão é desperdiçada. Detonando debaixo do alvo é gerada uma onda de pressão que literalmente ergue o alvo da água e quebra sua quilha, muitas vezes partindo o inimigo em dois.

É brutal, marinheiros são jogados no mar, mesmo sem detonações secundárias, o naufrágio é quase certo. Por isso tanta tecnologia é usada para detectar submarinos e enganar torpedos.

O Racine, claro, não usou nada disso. Ele é um alvo ideal, de faz de conta, parado em um ponto conhecido no mar, sem nenhuma ação ou contra-medida tomada contra o inimigo. E mesmo assim, deu trabalho. Ou seja: Guerras reais serão bem mais complicadas do que os fabricantes de armas tendem a prometer a seus clientes.

Aqui o vídeo completo da operação:

PS: a imagem de abertura é do USS Oriskany, um porta-aviões construído no final da 2ª Guerra, em 2006 ele foi afundado na costa da Flórida para se tornar um recife artificial, e de quebra um dos melhores locais de mergulho no mundo.

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