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Para a Capcom, notas são mais importantes do que as vendas

Executivo da Capcom diz que a empresa está mais preocupada em seu jogos obter boas pontuações em análises do que vendas e por mais que o discurso não seja verdadeiro, como discordar?

3 anos atrás

Nos últimos anos tenho visto vários debates sobre análises de jogos deverem ou não incluir notas e no geral, a opinião é que elas não deveriam ser utilizadas. Quem defende essa linha diz que resumir um game a uma pontuação é algo raso e que beira a injustiça, e como boa parte dos leitores só presta atenção no número que o avaliador deu, seria muito fácil passar uma impressão errada do que achamos.

Mas se você acha as notas algo irrelevante ou não, as desenvolvedoras e editoras obviamente procuram ficar de olho em como suas criações estão sendo recebida pelos veículos da imprensa e de acordo com o diretor de operações da Capcom Europe, ter uma pontuação alta pode ser até mais importante para um jogo do que o número de cópias vendidas.

Embora tenhamos acionistas para acalmar, não se trata apenas da performance comercial,” declarou Stuart Turner. “Existe um elemento artístico que sempre aparece quando sabemos que este é o caminho certo. E se ao compararmos os números do Resident Evil 7 e do Resident Evil 6 eles não são os mesmos, em temos de rentabilidade… está completamente bem. [O RE7] atingiu todos os objetivos internamente. E em alguns aspectos, conseguir algumas pontuações de análises muito boas conta mais para a Capcom do que um jogo que vende milhões e milhões e milhões. Nós preferimos um jogo que consiga um 9 e venda menos, do que um jogo que ganhe um 6 e venda mais.

Olhando friamente a declaração do executivo pode parecer apenas palavras jogadas ao vento, uma mera tentativa de justificar o fraco desempenho comercial de um jogo, mas acredito que ele tenha sido sincero. Para começar, estamos falando de uma empresa que trabalha com criação, onde a maior conquista sempre deveria ser agradar o seu público. Outro ponto a considerarmos é o fato da Capcom ser japonesa, país onde a cultura de valorizar seus trabalhos e fazer deles a essência da companhia é muito mais forte do que no ocidente.

Além disso, se pensarmos a médio/longo prazo, ter o seu nome associado a uma boa quantidade de bons jogos acaba sendo muito importante, podendo resultar até mesmo em, adivinhe? Maiores vendas para futuros lançamentos. Some a isso o fato de que recentemente a Capcom vinha sendo criticada justamente por a qualidade das suas produções ter caído e é natural que eles queiram se distanciar desse cenário.

Por fim, talvez o que os executivos da Capcom tenham percebido é que vale muito mais a pena ver o número das vendas no final do ciclo de vida de um jogo, do que apostar em vender o máximo possível nos primeiros dias. Neste sentido, é evidente que quanto maior for a média de notas (ou os elogios recebidos em análises ou pelos próprios jogadores), maiores são as chances de um título continuar vendendo mesmo muito tempo depois dele ter sido lançado.

E como eu não sou acionista da Capcom ou de qualquer outra empresa do ramo, só posso desejar que mais executivos sigam essa linha de raciocínio, mesmo que internamente o discurso seja outro. Se no fim das contas essa estratégia resultará em jogos no nível de um Resident Evil 7, um Monster Hunter World ou do que tem prometido ser o remake do Resident Evil 2, pode acreditar Sr. Turner, estou contigo e não abro!

Fonte: GamesIndustry.

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