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Mega Man 11 — Review

Com uma boa mescla entre elementos clássicos e novos, Mega Man 11 faz a alegria dos fãs da negligenciada franquia da Capcom

2 anos atrás

Mega Man é uma das franquias de games mais antigas e com uma enorme quantidade de títulos, divididos entre oito séries diferentes. Mesmo sendo adorado pelos fãs, por muitos anos a Capcom negligenciou a série.

Quando a desenvolvedora lançava alguma coisa nova, ou eram games mal feitos para dispositivos móveis, ou ports de fan games de terceiros, sem que fosse necessário mover um dedo sequer.

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Por isso que quando Keiji Inafune, o criador do robozinho azul anunciou um sucessor espiritual chamado Mighty No. 9, os fãs comemoraram e financiaram o projeto em tempo recorde. Resumindo a história, o produto entregue era bem inferior ao esperado e nem vou mencionar os problemas ao longo do caminho.

A Capcom possui uma política controversa quanto a continuações e retomada de velhas franquias: se um título de teste não vender mais do que duas milhões de cópias, a série volta para a gaveta. Foi o que aconteceu com Darkstalkers, ainda que a coletânea fosse muito mal-feita.

Não foi o que aconteceu com ambas compilações Mega Man Legacy Collection, assim o sinal verde para Mega Man 11 foi dado. É chato, mas é assim que o capitalismo funciona.

♪ É a ferro e fogo... ♫

Picuinhas à parte, Mega Man 11 é um game muito bem executado. A trama segue a fórmula básica da série clássica, mas desta vez com Dr. Wily abrindo feridas antigas: o cientista do mal retomou uma pesquisa rejeitada pela academia, após Dr. Light se opor a ela por ser muito perigosa (basicamente a culpa é dele, desta vez).

Agora aperfeiçoada, o Double Gear System permite que um robô possa utilizar um grande poder ou atingir altas velocidades, mas com custo muito alto a seus sistemas.

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Como de praxe, Wily rouba oito Robot Masters e os reprograma para servi-lo, iniciando a seguir outra campanha de conquista para provar a Light que ele estava certo o tempo todo.

Mega Man se prontifica para detê-lo, mas para equiparar suas habilidades às de Wily ele é equipado com o protótipo original do Double Gear System, que embora muito poderoso é um recurso perigoso demais. Ainda assim, nosso herói aceita o risco e parte para mais uma aventura.

A Capcom desta vez se preocupou em dar um maior foco na história, como já havia feito com Mega Man 7 e 8 mas claro, o foco é e sempre será a jogabilidade e desafio. Nisso Mega Man 11 não decepciona, e entrega diversas fases e chefes bastante carismáticos e desafiadores... até certo ponto.

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O cuidado com o título é perceptível, ele é adequado para os lançamentos de hoje mas mantém a essência de 30 anos atrás, com as mesmas características e algumas adições interessantes, o que é necessário para fugir da sombra do "Mais do Mesmo".

Ainda que bastante similar a games passados da franquia, Mega Man 11 possui elementos novos suficientes para agradar todo mundo.

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A principal novidade do game é sem dúvida o Double Gear System, um conjunto de power-ups que ativam efeitos especiais por um curto período de tempo. O Speed Gear (ativado com R1 no PS4) desacelera a ação, útil para se esquivar de inimigos rápidos ou fugir de chamas mortais.

Já o Power Gear (L1) fortalece seu tiro, permitindo lançar dois disparos carregados simultâneos ou um super tiro, caso você sobrecarregue a barra.

A mecânica do Double Gear System consiste em não permitir que a barra encha até o fim e superaqueça os sistemas de Mega Man, o que exige um longo tempo de cooldown até poder ser usado de novo.

Em situações extremas será preciso ativar o Speed Gear, alternar para o Power Gear e desativar tudo até esperar a barra esvaziar, de modo a não ficar na mão quando ele for mais necessário.

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As fases são um pouco mais longas do que o normal, mas mantêm a qualidade de design visto em títulos da franquia anteriores. Em alguns estágios você será ensinado a como usar elementos do cenário para progredir, como pular em balões que o jogam para longe, apagar o fogo de inimigos-plataforma ou acender caixas, para na sequência o game aplicar uma pegadinha e armar uma armadilha mortal.

Como todo mundo que joga Mega Man há muito tempo sabe, estabelecer pré-conceitos a respeito de como a fase se apresenta é um convite certeiro para a morte, e você VAI morrer muito, acredite.

Embora curto, o desafio em Mega Man 11 é elevado e não faltarão vezes em que um salto mal calculado irá lhe custar uma vida, ou quando você terá que pensar rápido para se safar. Muito rápido.

Curiosamente, o mesmo não pode ser dito de alguns dos chefes ou Robot Masters. Alguns deles, como Impact Man ou Acid Man podem te tirar do sério, enquanto outros como Fuse Man e Tundra Man são ridículos de tão simples.

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Ainda assim há características novas nas batalhas com os chefes: diferente do que acontecia no passado (até por limitações técnicas), os Robot Masters agora mudam seus padrões de ataque após perderem mais de 50% de energia.

Alguns utilizam técnicas novas enquanto outros, como Block Man e Impact Man se transformam em chefes enormes, levando a toda uma nova estratégia na hora de derrota-los.

Mega Man acessível

A franquia Mega Man sempre foi conhecida pela sua dificuldade alta, mas de modo a permitir que mais pessoas possam curtir os títulos mais recentes, a Capcom fez exceções.

Em Mega Man 11 temos quatro ajustes de dificuldade diferentes, sendo a Normal a clássica para todos os veteranos; a Casual é voltada para os que não tem familiaridade com a série, enquanto a Newcomer foi especificamente desenvolvida para as crianças ou para quem não tem tanta habilidade.

A ideia é permitir que todo mundo curta o game e não só aqueles que cresceram com o robozinho azul; para esses, há a dificuldade Superhero que eleva bastante o desafio já alto do modo Normal.

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Há também recursos de suporte, na forma da lojinha do Dr. Light. Acessível à esquerda do menu de seleção de fases, nela é possível comprar desde vidas extras, latas de energia variadas e itens de auxílio diversos.

Você pode também adquirir partes extras, como uma que permite a Mega Man se mover normalmente ao ativar o Speed Gear (o que nem sempre é útil, sendo bastante franco), ou a que aumenta o tamanho dos tiros, muito bom para atingir inimigos em posições difíceis.

Cada item pode ser comprado com parafusos, conseguidos ao derrotar os inimigos; o único porém é que os preços são bem baratos, e acumular vidas e E-cans não é nada de outro mundo, o que diminui bastante o desafio.

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Nem tudo é perfeito

Esse desequilíbrio da lojinha não é o único ponto negativo de Mega Man 11: o sistema de salvamento não é automático e é um tanto confuso, ao ser posicionado à direita da seleção de fases é muito fácil esquecer dele e acreditar que o sistema está arquivando seu progresso automaticamente, recurso presente nas coletâneas Legacy Collection.

Aqui, se você se esquecer de visitar a tela de Save frequentemente há o risco de perder todo o seu progresso ao encerrar uma partida, e não é difícil confundir as opções de Save e Load uma com a outra.

O game também é bastante curto, como todo título da franquia; um jogador dedicado pode terminar a aventura em menos de uma hora (há inclusive um troféu/achievement para isso) e pouco fator replay, embora exista uma série de desafios a serem vencidos nos modos extras.

É preciso mencionar também a completa ausência de outros personagens anteriormente controláveis, como Proto Man e Bass.

Conclusão

Por muitos anos a Capcom negligenciou a série Mega Man, o que acabou levando a comunidade e outras desenvolvedoras a lançarem potenciais sucessores espirituais da franquia. Há desde bons exemplos, como 20XX e a série Azure Striker Gunvolt, a trapalhadas completas, como Mighty No. 9.

Ainda assim, quando a desenvolvedora resolveu ela mesma responder aos pedidos dos fãs, muitos ficaram com medo de que o resultado ficaria aquém do esperado.

Não foi o caso. A Capcom tratou Mega Man 11 com carinho e entregou um título caprichado, com gráficos excelentes, um design de fases que mantém a qualidade da franquia, músicas de primeiro nível e oito novos e carismáticos Robot Masters.

O game pode ser bastante curto como seus antecessores, não oferecer fator replay ou ter falhas menores, mas a dificuldade de Mega Man 11 é alta como sempre, e há uma boa quantidade de desafios extras.

O mais importante, no entanto é ver que a alma da série permanece intacta e Mega Man ainda terá muitos pewpewpew para disparar, desde que a Capcom se comprometa a fazer as coisas direito.

Quanto a nós, resta esperar que as vendas de Mega Man X Legacy Collection 1 & 2 levem ao desenvolvimento de um Mega Man X9.

Mega Man 11 — Ficha Técnica

 Pontos fortes:

  • Jogabilidade clássica, mas devidamente atualizada;
  • Double Gear System traz uma nova mecânica à série;
  • Ajuste de dificuldade torna o game acessível a todos.

 Pontos fracos:

  • Sistema de save confuso;
  • Como todo game da franquia, é bem curto;
  • Nem sinal de Proto Man ou Bass.

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