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Operações com blockchain deixarão de ser anônimas na China

Governo chinês vai exigir que companhias operando com blockchain no país coletem dados pessoais dos usuários, antes de oferecerem seus serviços.

2 anos atrás

O blockchain é o mais novo alvo do governo chinês: novas regras propostas pelo órgão regulador da internet no país propõem que todas as operações com a ferramenta realizadas no país sejam identificadas, sendo as empresas prestadoras coletem dados como nome e número de identificação dos usuários, no momento em que eles solicitarem uma transação.

Tais dados deverão ser armazenados para análise e certos conteúdos impedidos de serem postados, o que vindo da China não surpreende ninguém.

Blockchain / China

Antes de mais nada, vamos explicar como funciona o blockchain: de modo resumido, ele é uma rede que funciona com blocos encadeados, cada um muito seguro e que carregam um determinado conteúdo atrelado a uma impressão digital, ou hash (no caso de criptomoedas, o conteúdo é uma transação financeira). O bloco seguinte reúne esse hash e seu próprio conteúdo, e com os dois cria seu próprio hash. E assim por diante.

Dessa forma cada elo do blockchain autentica o anterior, garantindo a confiabilidade da operação e tornando-a virtualmente imune a alterações. O último bloco, por obrigação tem a informação de todos os hashes anteriores, além do seu próprio de modo a validar a transação. Se o conteúdo de um bloco for alterado, o hash muda e dessa forma, ele será excluído.

Esse processo garante a confiabilidade do blockchain, ao mesmo tempo em que protege a identidade de todos os que efetuam operações com a aplicação, que está cada vez mais se afastando do bitcoin: ele pode ser aplicado em transações bancárias, comerciais e etc., mas também pode ser utilizado para o Mal.

Essa é a alegação oficial da Administração do Ciberespaço da China, o órgão estatal responsável pela regulação da internet do país. Segundo informes, uma carta aberta publicada em abril no Ethereum sobre casos de assédio sexual em uma das principais universidades do país, que o governo acobertou por duas décadas teria atraído a atenção dos reguladores para a ferramenta: ainda que a postagem tenha sido removida de serviços como WeChat ou Weibo, eles não podem fazer nada quanto ao mesmo conteúdo distribuído via blockchain.

Assim, o CAC lançou uma nova diretriz (em chinês) direcionada a todas as operadoras de blockchain instaladas na China: elas serão obrigadas a coletar os nomes reais e dados de documentos de todos os usuários, antes de oferecer qualquer serviço. Assim, cada transação realizada será prontamente identificada, pondo um fim ao anonimato da plataforma no País do Meio. Como a China não morre de amores por bitcoin e cia., tendo banido todas as operações com criptomoedas do país e ter alergia a coisas como liberdade de expressão, é fato que o blockchain não era bem visto pelo governo.

Uma vez implementadas as mudanças, as companhias terão que armazenar os dados, repassa-los ao governo em processos de investigação e censurar qualquer conteúdo "que represente uma ameaça à segurança nacional"; as empresas terão que se registrar junto ao governo e dependendo da área de atuação (educação, imprensa, indústria farmacêutica, etc.), precisarão de licenças específicas adicionais para operarem na China.

O governo não informou quando as mudanças entrarão em efeito, mas uma consulta pública aberta a comentários será mantida até o dia 2 de novembro. Depois disso, sabe-se lá o que será do blockchain na China.

Com informações: South China Morning Post, The Next Web.

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